O PSTU não apoia Cuba, nem Venezuela, Irã, China, Rússia, mas apoia a Ucrânia do nazista Vladimir Zelensqui, bem como saudou o golpe militar no Egito. O que todos esses países têm em comum? Sua posição em relação ao imperialismo, quem estiver em oposição, será alvo. O partido tenta disfarçar, como no artigo Cuba: Apoio à ação humanitária da ‘Flotilha Nossa América’ e à manifestação do dia 21, publicado no sítio Opinião Socialista no dia 15 de março, mas acaba revelando sua postura pró imperialista.
No início, é sempre aquela maravilha retórica, diz que “a “Flotilha Nossa América” se prepara para romper o bloqueio imposto pelos Estados Unidos e levar ajuda humanitária ao povo cubano. No próximo dia 21, um comboio que reúne transporte marítimo, aéreo e terrestre partirá de diferentes pontos do continente americano com destino a Havana”.
É sempre bom aparecer apoiando iniciativas como a Flotilha, pois é uma ação que tem bastante visibilidade, além de colocar em xeque governos que nada fazem para ajudar Cuba e vimos isso também em relação à Palestina. Porém, a política do PSTU se vale disso para mascarar sua verdadeira vocação: apoiar o imperialismo.
Seus leitores se iludem porque em seus textos estão escritas coisas do tipo “esse bloqueio representa um verdadeiro castigo coletivo contra o povo cubano. A escassez de combustível, os apagões prolongados e o colapso de setores essenciais, como a saúde, são consequências diretas dessa política imperialista que há décadas tenta sufocar economicamente o país”.
Existe ainda o fator do voluntarismo, do chamado à luta, como em “é preciso garantir que a ajuda humanitária chegue a Cuba”, apontam o perigo de que “os Estados Unidos já advertiram que consideram ilegais certos envios de combustível e suprimentos para a ilha, e a Guarda Costeira e outros órgãos de segurança também podem intervir contra embarcações suspeitas de burlar as sanções.”, e enfatizam com indignação: “não podemos aceitar a agressão militar de Trump”.
Preparação
Antes de ir para sua posição reacionária, reafirmam a posição “revolucionária”, assim, preparam o ambiente. Dizem que “o PSTU e a Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI) manifestam seu total apoio à ‘Flotilha Nossa América’ e exigem o fim imediato do bloqueio econômico a Cuba. Defendemos o direito à autodeterminação do povo cubano frente às agressões da maior potência imperialista do planeta”.
Para então dizerem que “ao mesmo tempo, defendemos que a ajuda humanitária seja independente do regime que governa o país. Nosso apoio é ao povo cubano, que sofre com a crise de abastecimento e com as consequências do bloqueio. A solidariedade internacional deve servir para fortalecer a resistência popular e não para legitimar qualquer regime”.
É uma fraude a afirmação “nosso apoio é ao povo cubano”, pois o governo não está dissociado do povo. Quem foi que montou as estratégias de combate ao bloqueio? Quem montou a política de saúde e de educação? Cuba conseguiu muitos êxitos no esporte e mesmo desenvolver sua própria vacina para Covid-19. Como um país sob forte embargo foi capaz de exportar médicos? Isso é obra do governo cubano, e conta com o apoio da população.
Cuba é provavelmente, o país que mais investe em gastos sociais, chegando a 63% do PIB.
Não apoiar o governo cubano é o mesmo que entregar o país de mãos beijadas para o imperialismo.
É uma ilusão acreditar que o povo cubano, sem o poder organizativo do Estado vai conseguir enfrentar seus inimigos. O que o PSTU e a LIT-QI fazem é dizer que apoiam “o povo”, “a população”, mas tratam isso como se fosse um ente abstrato, solto no ar.
Esse método, “de apoiar o povo”, tem se espalhado pela esquerda pequeno-burguesa. Para o Irã, por exemplo, estão propondo milícias populares nos moldes dos partisans que lutaram na II Guerra.
Quem pode imagina forças irregulares enfrentando o imperialismo? Como guerrilhas vão poder coordenar um país como o Irã e seu arsenal de mísseis? Quem vai organizar o exército e a logística necessária para poder gerir toda a cadeia de suprimentos? É tudo o que o imperialismo quer, forças pequenas, dispersas para poder derrotar uma a uma.
É preciso denunciar esse esquerdismo “ultrarradical” que nada mais é que uma fachada. O PSTU, em 2016, se dizia contra todos, pediram a saída de Dilma Rousseff. Quando a presidenta caiu, imediatamente o PSTU voltou para o sofá e não incomodou Michel Temer, embora tivesse prometido que não sairia das ruas até que todos tivessem saído.
No Egito, em 2013, quando o general Abdel Fattah el-Sisi, a mando do imperialismo, derrubou o presidente Mohamed Morsi, que havia sido o primeiro civil eleito democraticamente no país, o PSTU comemorou.
A desculpa utilizada foi a de que “o povo estava nas ruas”. Utilizaram a mesma desculpa para apoiarem o golpe dos nazistas na Ucrânia. Também contra a Venezuela diziam que o povo estava nas ruas contra o governo. Por isso apoiam “o povo”, não o governo, dizem. Em relação ao Irã não foi diferente, apoiou os “manifestantes” da CIA e do Mossad contra o governo.
Esse critério, no entanto, não serviu quando milhões de pessoas saíram em passeata para defender Maduro. Nem mesmo quando mais de trinta milhões de iranianos saíram às ruas em apoio ao governo que desbaratou a tentativa de revolução colorida.
O único critério que norteia PSTU/LITQ é desejo do imperialismo, seu discurso esquerdista é apenas uma cortina de fumaça que é preciso desmascarar.




