A condenação do ativista marroquino Mohamed Ouskari a três meses de prisão efetiva pela chamada “justiça” do país não é um caso isolado — trata-se de mais um episódio da repressão sistemática exercida pela monarquia contra vozes críticas e cidadãos que ousam reivindicar direitos básicos.
O “crime” de Ouskari foi duplo aos olhos do regime: denunciar a humilhação da caridade institucional ao devolver a chamada “cesta de Ramadan” e, ainda mais grave, exigir o seu direito legítimo ao trabalho. Em um país onde o desemprego atinge milhares de jovens, a resposta do Estado não é política social, mas sim repressão policial e perseguição judicial.
As acusações de “insulto a funcionários públicos” e “violência” tornaram-se ferramentas recorrentes para silenciar ativistas e manifestantes. Qualquer confronto com a autoridade é rapidamente transformado em processo criminal, enquanto abusos cometidos por agentes do Estado raramente são responsabilizados.
O que ocorreu na cidade de Kasba Tadla revela a verdadeira face de um sistema que teme a dignidade dos seus cidadãos: um regime que prefere prender quem protesta a enfrentar as causas reais da desigualdade e da exclusão social.





