O Irã anunciou, nesta terça-feira (24), a nomeação de Mohammad Bagher Zolghadr como novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, em substituição a Ali Larijani, assassinado em 17 de março em um ataque de “Israel” contra a casa de sua filha. No mesmo dia, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) intensificou suas declarações contra o regime sionista, afirmou que a continuação do genocídio na Palestina e dos ataques ao Líbano “não é mais tolerável” e ameaçou lançar bombardeios de grande escala caso os crimes prossigam.
A nomeação de Zolghadr foi anunciada pelo assessor de relações públicas do presidente iraniano, Mehdi Tabatabai, que informou que a decisão contou com a aprovação do presidente Masoud Pezeshkian e do Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Mojtaba Khamenei. Segundo Tabatabai, a escolha expressa a continuidade da direção estratégica e de segurança da República Islâmica em meio à guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por “Israel”.
Larijani, que ocupava a chefia do conselho, foi assassinado junto de seu filho e de vários auxiliares. Figura central da vida política iraniana, ele acumulava décadas de atuação no Estado, na universidade e na área de segurança nacional.
Zolghadr, por sua vez, nasceu em 1954 e construiu sua trajetória nas Forças do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica e em postos de Estado. Economista formado pela Universidade de Teerã, mestre em administração pública e doutor em administração estratégica, ele foi comandante do quartel-general de guerra irregular da Guarda Revolucionária, vice-chefe da corporação por oito anos, vice-ministro do Interior para assuntos de segurança e assessor estratégico do Judiciário. Desde 2020, exercia também a função de secretário-geral do Conselho de Discernimento do Interesse do Regime, órgão criado em 1988 para arbitrar divergências entre o Parlamento e o Conselho dos Guardiães.
Ultimato ao regime sionista
No seu 46º comunicado sobre a Operação Promessa Cumprida 4, a Guarda Revolucionária afirmou que o “exército assassino de crianças do regime sionista” ultrapassou todas as linhas vermelhas ao aproveitar a guerra regional e a atenção concentrada na agressão contra o Irã para aprofundar seus ataques contra civis na Palestina e no Líbano.
A nota denuncia que o exército sionista cometeu crimes de guerra extensos contra a população civil e, por isso, a continuação do genocídio já não pode ser aceita. A corporação advertiu que, se os crimes continuarem, o Irã responderá com força avassaladora e colocará sob ataque os pontos de concentração das forças inimigas no norte da Palestina ocupada e na faixa de Gaza. As áreas indicadas poderão ser atingidas por ataques pesados de mísseis e VANTs da República Islâmica e da Guarda Revolucionária.
79ª onda de ataques
Ao mesmo tempo em que emitiu o ultimato, a Guarda Revolucionária anunciou o lançamento da 79ª onda da Operação Promessa Cumprida 4. Segundo o comunicado, a ofensiva foi realizada com uma combinação de mísseis balísticos Kheibar Shekan, Emad e Sejjil, além de VANTs ofensivos empregados pela força aeroespacial iraniana.
A corporação afirmou que os sistemas iranianos conseguiram atravessar as defesas aéreas em camadas de “Israel” e atingir diretamente vários alvos, entre eles centros de inteligência no norte e no centro de Telavive, instalações comerciais e logísticas vinculadas ao setor militar em Ramat Gan e no Negueve, além de um importante centro de logística e comando em Berseba, no sul da Palestina ocupada.
Em outra nota sobre a mesma onda de ataques, a Guarda Revolucionária informou que também foram atingidas estações de recepção por satélite em Eilate utilizadas pelas forças de ocupação, instalações aeroespaciais nas imediações do aeroporto Ben Gurion, aeronaves de reabastecimento ali estacionadas e indústrias militares em Haifa. O comunicado acrescenta que houve ataques contra posições de inteligência em Ramat Gan e no Negueve, bem como contra um grande centro logístico em Berseba.
A mesma 79ª onda incluiu, ainda segundo a corporação, ataques contra bases militares norte-americanas na região. Entre os alvos mencionados estão o Campo Arifjan e a Base Aérea Ali Al Salem, no Cuaite, além da Base Aérea Isa, no Barém.
O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia afirmou que, paralelamente, os sistemas de defesa aérea do Exército e da Guarda Revolucionária abateram mísseis de cruzeiro Tomahawk e JASSM, bem como VANTs hostis que tentavam penetrar o espaço aéreo sobre as regiões central e sul do país.
O mesmo porta-voz divulgou detalhes da 78ª onda, realizada sob o lema “ó guia dos perplexos”. Nela, mísseis Emad e Qadr com ogivas múltiplas atingiram alvos em Eilate, Dimona, norte de Telavive e bases militares norte-americanas na região. Já a 79ª onda, sob o lema “ó melhor dos conquistadores”, reuniu mísseis Sejjil e Kheibar Shekan com VANTs.
A Guarda Revolucionária declarou ainda que os bombardeios provocaram incêndios e grandes colunas de fumaça em vários pontos atingidos. Segundo a corporação, mais de dois milhões de colonos fugiram para abrigos durante longos períodos à medida que as sirenes eram acionadas em toda a Palestina ocupada. O comando iraniano afirmou também que o Pentágono e a Diretoria de Inteligência Militar de “Israel”, conhecida como Aman, impõem censura para ocultar os resultados dos ataques e o tamanho dos danos causados.
Ataque a Erbil e promessa de continuar a guerra
Em outra frente, o Exército iraniano anunciou um ataque com mísseis superfície-superfície contra o aeroporto de Erbil, no Curdistão iraquiano, tendo como alvo um “agrupamento de forças norte-americanas e de grupos separatistas apoiados por ‘Israel’”. Segundo a declaração, a área atingida é um dos mais importantes centros de apoio e comando das operações dos Estados Unidos, abrigando ampla variedade de equipamentos e sistemas militares.
Também nesta terça-feira, o comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbia, major-general Ali Abdollahi, declarou que as Forças Armadas iranianas não interromperão suas operações até a vitória completa. De acordo com ele, apesar do martírio de dirigentes de primeira linha e da continuidade da agressão norte-americana e sionista, o Irã obrigou seus adversários a recuar ao longo dos últimos 25 dias.
Abdollahi afirmou que os Estados Unidos, potência que durante décadas se valeu de ameaças e intimidação contra países mais fracos, foram derrotados diante do mundo e agora procuram alianças para sair da guerra que iniciaram. Em suas palavras, Donald Trump se encontra “preso no atoleiro da guerra” e busca o apoio de dirigentes de outros países depois de perder a esperança de alcançar seus objetivos.
O comandante reafirmou que as Forças Armadas permanecem plenamente alinhadas ao Líder da Revolução Islâmica e contam com o apoio do povo iraniano para seguir até o cumprimento de seus objetivos declarados.
Ormuz sob controle iraniano
O Estreito de Ormuz segue no centro da crise. Segundo o Financial Times, o Irã enviou carta à Organização Marítima Internacional estabelecendo os procedimentos necessários para a passagem de embarcações pelo estreito. No documento, o país informa que permitirá apenas a travessia de navios “não hostis” e somente em coordenação com as autoridades iranianas.
A chancelaria iraniana declarou que adotou “medidas necessárias e proporcionais” para impedir que agressores e seus apoiadores usem o estreito em operações hostis. Embarcações ligadas aos Estados Unidos, a “Israel” ou a outros participantes da agressão não terão direito de passagem inocente ou não hostil, segundo a comunicação enviada pelo Irã.
O estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, registra forte redução do tráfego comercial. Grandes companhias suspenderam travessias ou alteraram rotas, várias embarcações ficaram paradas ou retornaram, e os custos de frete e de seguro aumentaram com a classificação da área como zona de alto risco.
O comandante das forças navais da Guarda Revolucionária, almirante Alireza Tangsiri, informou que o navio porta-contêineres SELEN foi obrigado a retornar depois de desrespeitar os protocolos legais e tentar atravessar Ormuz sem autorização. Ele afirmou que a passagem de qualquer embarcação depende de coordenação completa com as autoridades marítimas iranianas.
O chanceler Saied Abbas Araqchi reafirmou a mesma posição. Em publicação na rede X, escreveu:
“O Estreito de Ormuz não está fechado. Os navios hesitam porque as seguradoras temem a guerra de escolha que vocês iniciaram, não o Irã.”
Em conversa telefônica na segunda-feira (23) com o chanceler sul-coreano Cho Hyun, Araqchi afirmou que o estreito está fechado apenas aos navios pertencentes às partes agressoras e aos seus apoiadores. As demais embarcações, declarou, não enfrentam obstáculos, desde que coordenem a travessia com as autoridades iranianas.
O ministro insistiu que a liberdade de navegação deve vir acompanhada da liberdade de comércio e advertiu que, se o direito do Irã a ambas não for reconhecido, os agressores também poderão ser privados delas. As autoridades iranianas repetem que novos ataques contra a infraestrutura do país levarão a represálias mais amplas, incluindo a possibilidade de fechamento completo de Ormuz.
Ataques às instalações nucleares
Em meio à guerra, prosseguem também os ataques contra instalações nucleares iranianas. A Organização de Energia Atômica do Irã informou que a usina nuclear de Buxehr foi atingida por um projétil no fim da noite desta terça-feira, às 21h08 no horário local. Segundo o órgão, não houve mortos, feridos nem danos materiais ou técnicos.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou ter sido informada pelo Irã de mais um ataque nas imediações da instalação. A agência declarou que, com base nas informações fornecidas por Teerã, o projétil não atingiu a própria usina e não causou ferimentos entre o pessoal. O diretor-geral Rafael Grossi voltou a pedir “máxima contenção” diante dos riscos para a segurança nuclear.
As autoridades iranianas já haviam comunicado anteriormente a queda de outro projétil nas proximidades de Buxehr, também sem vítimas ou danos estruturais. Trata-se da única usina nuclear em operação no Irã, o que torna cada novo ataque especialmente grave.
No sábado (21), outro alvo foi o complexo de enriquecimento de Natanz, no centro do país. A instalação Shahid Ahmadi Roshan foi atingida em mais uma agressão norte-americana e sionista, segundo as autoridades iranianas. O Centro Nacional do Sistema de Segurança Nuclear realizou avaliações técnicas para verificar eventual contaminação radioativa e concluiu que não houve liberação de material radioativo nem risco para a população do entorno.
Diante dessa situação, Araqchi enviou carta ao secretário-geral da ONU e aos membros do Conselho de Segurança condenando a agressão contra Natanz e contra as proximidades de Buxehr. Segundo o chanceler, os ataques a instalações nucleares pacíficas violam a Carta das Nações Unidas, o estatuto da Agência Internacional de Energia Atômica e o direito internacional obrigatório.
Araqchi advertiu que ataques desse tipo podem levar à ampla dispersão de materiais radioativos, com sérios perigos para a população e para o meio ambiente. No texto, classificou as ações como crimes de guerra e atos de agressão contra a paz internacional, exigiu a condenação imediata dos responsáveis, o fim dos ataques e a reparação integral dos danos.
O chanceler iraniano defendeu ainda que “Israel” seja obrigado a aderir ao Tratado de Não Proliferação Nuclear e a submeter suas instalações à fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica.




