O chefe do departamento de Recursos e Fronteiras do Hesbolá, Nawaf al-Moussawi, declarou à emissora Al Mayadeen que a guerra contra o Irã “não tem limite geográfico” nem restrição quanto aos alvos militares. Segundo ele, tanto a República Islâmica quanto a Resistência atuam em legítima defesa diante da agressão conduzida pelos Estados Unidos e por “Israel”.
Na entrevista, al-Moussawi afirmou que a ampliação da guerra para além das fronteiras já era esperada e que os acontecimentos recentes desmentem as alegações norte-americanas e israelenses de que o Irã teria sido incapacitado. De acordo com ele, a República Islâmica continua operando com os meios militares que já havia anunciado possuir.
“O que está acontecendo confirma que a guerra contra o Irã não tem limite geográfico nem limite de alvos. Ao mesmo tempo, fica claro que são falsas as declarações de Washington e de Telavive sobre a destruição das capacidades iranianas, porque o Irã continua agindo com os meios que já havia prometido”, afirmou.
O dirigente do Hesbolá também declarou que “Israel” está sendo submetido a duros golpes iranianos e acrescentou que qualquer nova tentativa de ampliar a ocupação apenas cria mais possibilidades de ataque contra as forças israelenses. Segundo ele, no caso de uma ofensiva terrestre, a vantagem estaria com a Resistência.
Al-Moussawi disse ainda que, para o Hesbolá, uma invasão por terra não é vista como ameaça, mas como oportunidade. Na mesma entrevista, criticou o governo libanês, afirmando que ele não demonstra experiência política nem visão estratégica diante da ofensiva em curso, e declarou que as propostas de cessar-fogo, nas condições atuais, equivalem à rendição.
Ele também afirmou que a Resistência, em diferentes partes do mundo, toma como referência o mártir Saied Ali Khamenei no enfrentamento à hegemonia dos Estados Unidos. Segundo al-Moussawi, quem teme o fator tempo em uma guerra tende a sucumbir, e o centro da situação permanece no campo de batalha.
As declarações do dirigente do Hesbolá foram publicadas em meio a novas informações da imprensa israelense sobre a dificuldade do exército sionista para localizar as plataformas de lançamento da organização no sul do Líbano. De acordo com o Canal 12, o Hesbolá alterou seus padrões de lançamento e espalhou suas bases por uma área mais ampla, inclusive em localidades mais distantes e em aldeias xiitas, o que tem dificultado os ataques israelenses.
Ainda segundo a emissora, cerca de 40% dos foguetes disparados diariamente atingem posições militares israelenses ao longo da fronteira. As estimativas militares citadas pela própria imprensa de “Israel” indicam que o Hesbolá ainda dispõe de milhares de mísseis de curto alcance, além de armamentos de longo alcance capazes de atingir regiões mais distantes dentro do território ocupado. Deve-se levar em consideração que, se tratando de dados da imprensa sionista, a realidade deve ser muito mais grave do ponto de vista do fracasso de “Israel” em impedir os avanços da resistência.
Os combates também se intensificaram no sul do Líbano. Combatentes da Resistência Islâmica enfrentaram tropas israelenses que tentavam avançar sobre Al-Naqoura e Al-Khiam, utilizando armamento leve e médio, foguetes e mísseis antitanque. Ao longo do dia, a organização também anunciou ataques contra bases militares, concentrações de soldados e veículos israelenses, além do uso de VANTs suicidas contra posições inimigas.
Entre os alvos atingidos, a Resistência anunciou ataques contra a base Filon, ao sul de Rosh Pinna, o quartel-general do Comando Norte do exército israelense, a chamada Base Dado, ao norte da cidade ocupada de Safad, além de concentrações militares em Al-Taybeh, Odaisseh, Metula, Kiryat Shmona, Nahariya, Avivim e Al-Khiam. Em uma das ações, um tanque Merkava foi atingido diretamente nas proximidades do prédio do município de Al-Naqoura. Em outra, um sistema de defesa aérea em Ma’alot-Tarshiha foi alvo de foguetes.
Ao mesmo tempo, começaram a aparecer na própria imprensa israelense sinais de desgaste interno provocados pela guerra contra o Irã e pelo confronto com o Hesbolá. Relatos publicados nos últimos dias falam em queda da confiança no governo e no exército, aumento da pressão sobre a população do norte, interrupções no fornecimento de energia, danos a estações ferroviárias, dificuldades para reabrir escolas, crescimento da procura por calmantes e pílulas para dormir e exigências de evacuação de dezenas de milhares de colonos sem proteção adequada.
Também foram registradas novas evacuações temporárias em assentamentos do norte, abertura de hotéis para receber deslocados e preocupação com o custo crescente da guerra. Segundo estimativas citadas por fontes do Ministério das Finanças de “Israel”, cada dia de confronto custa cerca de um bilhão de xéqueles (cerca de 1,68 bilhões de reais) apenas em gastos diretos de “segurança”, sem contar os prejuízos civis e econômicos.


