O artigo Por um grande movimento internacional contra a guerra imperialista no Irã! Pela derrota dos Estados Unidos e de Israel!, publicado no sítio Esquerda Diário, do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), neste domingo (22), quer o fim do governo iraniano, este que está em uma luta de vida ou morte contra o imperialismo.
É importante frisar: luta contra o imperialismo não se trata, como a imprensa quer que todos creiam, da dobradinha EUA-“Israel”, pois há envolvimento do Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Japão e Austrália. Além, das monarquias petrolíferas do Golfo. Basicamente as mesmas “democracias” que atuaram no genocídio contra Gaza.
O artigo inicia dizendo que “a guerra de agressão imperialista dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está entrando em sua quarta semana. Naquilo que já é a maior ofensiva norte-americana no Oriente Médio em um quarto de século, não estão claros os objetivos de Donald Trump”.
Objetivos
Para o imperialismo, que é quem está de fato atrás dessa agressão, os objetivos estão muito claros, sempre foi sua vontade destruir o Irã. Desde a queda do xá Reza Pahlavi, que entregava o petróleo quase de graça, às custas da miséria de seu povo, não cessam os ataques. Primeiro, o Iraque foi atirado contra os persas, que saíram vitoriosos. Em seguida, passaram a impor sanções que duram quase cinquenta anos. O Irã, ainda assim, tem conseguido se manter de pé e consegue oferecer programas sociais, especialmente nas áreas de saúde e educação. O país também tem se destacado nas ciências e no desenvolvimento militar. Diante disso, o imperialismo aumentou as ameaças ao país por meio de seu assassino do aluguel: o Estado de “Israel”.
Os sionistas promovem atos terroristas, como sabotagens, assassinatos de cientistas e suas famílias, promovem distúrbios sociais, mas isso tem apenas unido o povo em torno do governo, o mesmo que o MRT quer destituir.
A posição estratégica do Irã no Estreito de Ormuz é um dos motivos para o imperialismo tentar acabar com o governo e colocar um capacho no lugar. Além disso, o Irã é peça fundamental nas nova rotas comerciais, pois pode unificar o Corredor Norte-Sul com a Nova Rota da Seda, o que evitaria a passagem de mercadorias pelo Canal de Suez.
Outo fator decisivo é o fato do Irã ser a principal força do Eixo da Resistência, uma aliança formada também pelo Hesbolá, Palestina, Síria (em menor grau no momento), Iraque e Iêmen, que tem desafiado o domínio do imperialismo no Oriente Médio. Situação que, obviamente, o grande capital internacional não pode tolerar.
Ataque à Venezuela
Costuma ser alvo do MRT a Venezuela. Não é coincidência que o grupo ataque os governos de países em contradição com o imperialismo. Diz que o plano de Trump para o Irã seria a “substituição por uma liderança disposta a se submeter a Washington (como na Venezuela com Delcy Rodríguez)” e que “buscava uma operação que evitasse o envio de tropas terrestres, como fez no Iraque em 2003”. Se isso é verdade, por que os Estados Unidos não invadiram a Venezuela? Donald Trump vivia dizendo que bastava entrar no país e pegar o petróleo, mas está tendo que pagar o preço de mercado.
O MRT diz que “Mojtaba Khamenei agora lidera o regime teocrático após o assassinato de Ali Khamenei, sustentando uma linha desafiadora contra Washington. O alto comando da Guarda Revolucionária Iraniana e das Forças Armadas sofreu duros golpes, mas não se desmoronou”. O Irã é uma república islâmica, não um regime teocrático. E o MRT esqueceu de informar que não apenas não houve desmoronamento na Guarda e no governo, como a população lota as ruas em meio a bombardeios, em apoio a seus governantes. São milhões de pessoas. Que tipo de ditadura é essa?
Frequentemente, a esquerda pequeno-burguesa reclama de uma suposta perseguição às mulheres no Irã. No entanto, 99% delas estão alfabetizadas, 62% dos alunos do nível superior, 70% nas engenharias/ciências, 60% dos estudantes de medicina, 49% dos médicos também são mulheres. Em Teerã, a Universidade Alzahra é a mais notável e prestigiada instituição de ensino superior público e exclusiva para mulheres.
“Israel”
Segundo o MRT, “um dos principais problemas de Trump é a aliança com Israel”, mas qual governo americano não foi aliado? Aliás, o imperialismo todo. Os sionistas têm praticado todo tipo de crimes contra os palestinos e nunca aconteceu nada, além de condenações demagógicas na ONU.
Embora o artigo sustente que “Netanyahu tem como objetivo eliminar a República Islâmica e mergulhar o Irã em uma guerra civil que leve à fragmentação política, religiosa, étnica e territorial, seguindo o modelo da Síria ou da Líbia”, a verdade é que o país provou que não manda nada. Todo o protagonismo está nas mãos Estados Unidos, principal país imperialista.
Depois da resposta iraniana na Guerra dos Doze Dias, não restou dúvida de que “Israel” não era páreo para o Irã. Os Estados Unidos tiveram que intervir e costurar um cessar-fogo às pressas para evitar uma catástrofe. Ainda assim, a imagem do Estado sionista ficou irremediavelmente arranhada.
Desta vez, os intensos bombardeios que vem sofrendo, a completa censura, são indícios de que a destruição é brutal, mesmo que o Irã se concentre principalmente em alvos militares.
Tirando a máscara
Depois de toda a conversa mole de que é preciso derrotar EUA e “Israel”, o MRT repete as mesmas mentiras que a grande imprensa imperialista, diz que “o regime político teocrático e ultraconservador do Irã, agora liderado por Mojtaba Khamenei, já se demonstrou em inúmeras ocasiões como inimigo implacável das massas trabalhadoras e populares do Irã, responsável pela perseguição das mulheres e dos curdos, e pela repressão às greves operárias no país. Diante da iminência da guerra, a teocracia fechou fileiras e selou sua unidade interna com um banho de sangue contra a população, reprimindo brutalmente os protestos contra a crise econômica que haviam colocado o regime em xeque em janeiro”.
O banho de sangue foi promovido pelos agentes do Mossad e da CIA. Após desbaratar a ação terrorista, o povo iraniano saiu às ruas para defender e apoiar o governo. Foram mais de 30 milhões de manifestantes em 1500 cidades. O MRT está tentando brigar com a realidade: as imagens e vídeos do povo nas ruas.
É um verdadeiro crime afirmar que “mesmo em seu direito à autodefesa contra a agressão imperialista, as ações bélicas do Irã implicam na repressão de cada manifestação de dissidência, um método nefasto que enfraquece a luta contra os Estados Unidos e Israel”.
O MRT está tentando proteger os agentes da CIA e do Mossad que eles dão aqui o nome pomposo de “dissidência”. Eliminar os terroristas e mercenários infiltrados enfraquece a luta contra o imperialismo? Isso é uma verdadeira loucura.
Como se não bastasse, esse grupo também ataca quem está tentando ajudar o Irã e se refere “às chamadas ‘potências multilaterais’, China e Rússia”. Diz que “longe de configurarem alternativas ‘progressistas’ ou um ‘mal menor’ diante do desastre imperialista, tanto China como Rússia são Estados capitalistas (…), dotados de regimes profundamente reacionários, autoritários e antioperários. Não são aliados na luta dos povos do mundo contra a barbárie colonial e militarista”.
Esse grupo apoia o imperialismo, por isso ataca o governo do Irã e também a Rússia, que tem acordo de defesa com o país, e a China, que tem mandado armamentos e radares de última geração.
Conforme se aprofunda a crise imperialista, grupos como o MRT são obrigados a tirar a máscara e se colocarem frontalmente contra todos os que lutam contra o imperialismo.
Estamos diante de uma completa falência política, e é preciso denunciar esse tipo de infiltração na esquerda.





