Estado libanês abandona seus cidadãos civis refugiados da guerra no município de Ghobeiry, vítimas do sionismo, à própria sorte. Ataque das forças do enclave de “Israel”, ao sul do Líbano, continua a ser ignorado pelo governo libanês, mesmo após multiplicar o número de refugiados e ampliar a área danificada.
Guerra sionista
Com o pretexto de perseguir o Hesbolá, “Israel” iniciou um ataque à população civil no sul do Líbano. O fogo intensificado no Vale do Bekaa, região fértil, apelidada pelos romanos de “celeiro do Império”, já atingiu o subúrbio sul da capital, Beirute, chamado Dahieh.
Um dos municípios alvejados foi o de Ghobeiry, no distrito de Baabda, sendo o maior município do país, que tem uma população quase exclusiva de muçulmanos, em sua maioria xiitas. O fato de a “guerra” sionista ter como alvos a população civil de uma das duas cidades, Ghobeiry e Chiyah, onde o Movimento Amal é majoritário, põe abaixo a suposta limitação ao Hesbolá, denunciando a violência sectária contra toda a resistência.
Descaso
O atual prefeito de Ghobeiry, Ahmad Khansa, denuncia o abandono do seu município: “o Estado está falhando com todos, e os municípios estão tentando funcionar enquanto o Estado tenta centralizar seu trabalho, dificultando os serviços e a distribuição, embora os municípios e as comunidades locais estejam em melhor posição para alcançar os deslocados”.
O prefeito aponta que: “O maior desafio é a falta de recursos. Não recebemos tendas, rações alimentares, colchões ou qualquer tipo de apoio de nenhuma organização. O governo está completamente ausente e nem uma única ONG nos ajuda; só ouvimos promessas.”
Socorro dos vizinhos
Apesar de tudo, o prefeito assumiu áreas próximas e explica: “não posso dizer que substituo o município de Beirute, mas cubro certas áreas que o município de Beirute não cobre. Em nossas fronteiras, existem vários centros dentro de Beirute que não são oficialmente cobertos, mas nós os cobrimos porque ninguém mais os monitora”. Afirma Al-Khansa.
“Quando deixamos o município devido às ameaças israelenses, realocamos as equipes da polícia, de obras públicas e de saúde para auxiliar na prestação de serviços aos deslocados”, complementa.
Êxito da força popular
Face a essas dificuldades, Al-Khansa fala sobre os atendidos da gestão de Ghobeiry: “As estatísticas mais recentes mostram que temos aproximadamente 2.300 famílias abrigadas em suas casas nos arredores de Ghobeiry, e esse número aumenta diariamente, além daquelas que já estavam lá. Portanto, estamos tentando alcançá-las por meio de associações e centros, fornecendo um nível mínimo de alimentação e serviços de saúde para garantir a continuidade do auxílio.”
A solidariedade civil é uma constante, por exemplo, na cidade de Sidon, o Instituto Amjad acabou transformando seu campus em um abrigo para refugiados negligenciados pela prefeitura e pelo governo estadual. O diretor do instituto, Hassan Ahmad, explica: “os deslocados não vieram até o instituto; nós abrimos o abrigo em suas instalações e tomamos a iniciativa”.
Atualmente, o local abriga aproximadamente 95 famílias, 450 pessoas, numa área de 2.500 metros quadrados. Ahmad, coloca que após o início da guerra, com iniciativas privadas: “Nós fornecemos acomodação, alimentação, lavanderia, água quente, colchões, banheiros separados para homens e mulheres, cozinha, televisão e cuidamos de todos os detalhes por conta própria.”
Além de abrigo, refeições diárias, suprimentos básicos de higiene, acompanhamento e apoio social, segundo Ahmad, no Instituto Amjad, “monitoramos regularmente a saúde das pessoas deslocadas, prestando primeiros socorros quando necessário e encaminhando casos de emergência para instalações médicas especializadas para garantir um nível mínimo de atendimento médico”.
Ao lado da população no front
Ao ser questionado sobre a cooperação com municípios e organizações, ele afirma: “Municípios locais, como o de Sidon, disponibilizaram algumas instalações administrativas, mas sua capacidade em termos de serviços é limitada. Por isso, tentamos contatar órgãos oficiais e organizações não governamentais, mas o apoio é muito limitado e a única entidade que começou a prestar assistência foi, recentemente, o Hesbolá.”
Ao denunciar não somente a falha do governo fantoche, aponta que somente a resistência ao imperialismo está na luta e no dia a dia ao lado da população libanesa agredida.
Traição do Estado libanês
Segundo Asmaa Ismail: “O Estado deixou uma grande lacuna no que diz respeito ao atendimento aos deslocados, mas entidades locais e iniciativas individuais assumiram rapidamente essa responsabilidade para auxiliar as pessoas mais vulneráveis devido à guerra e ao deslocamento.”
É nítida uma oposição do governo à população que resiste ao sionismo, nas palavras de Al-Khansa, ao recorrer ao Ministério de Assuntos Sociais: “frequentemente, muitas vezes, entram em conflito com considerações políticas”.
“Infelizmente, não há cooperação. Tentamos mais de uma vez, mas não houve resposta. Eles têm considerações políticas que influenciam suas decisões mais do que qualquer outra coisa. Às vezes, algumas escolas ou entidades nos impedem de continuar o trabalho, apesar da presença de pessoas deslocadas que precisam de serviços.” Complementa Al-Khansa.
Títeres dos EUA
O atual governo libanês parece seguir uma tradição de seus antecessores, a de capitular perante o imperialismo e seu cão, o sionismo. Graças à resistência em 1983, o acordo de “paz de humilhação” foi frustrado e o Líbano foi livrado de ser um protetorado sionista, e, novamente somente a Resistência pode impedir esse destino.
A campanha de desarmamento do Hesbolá pelo governo libanês é vergonhosa e visa não impedir a insurgência de outro Estado no Líbano, mas submetê-lo a “Israel”.
Aberta a guerra, o governo tenta se manter “neutro”, mesmo com as incursões sionistas e agressões à população civil. Chegando ao ponto de cogitar expulsar o Hesbolá do país, tentando isolar o grupo de resistência.
Lenha para a revolução
A inatividade do governo perante os ataques sionistas não somente desmoraliza sua posição, como também alimenta politicamente a Resistência. Demonstra a falência de sua política e a necessidade de alternativas, que na prática recaem sobre a resistência.
Esse é um ótimo exemplo de como a resistência cresce e se desenvolve, com a capitulação dos governos de entreguistas. A omissão desses governos títeres do imperialismo pavimenta o caminho para a revolução.




