Polêmica

Democracia é só uma palavra, o mundo mergulha em uma ditadura

O imperialismo se prepara para a III Guerra Mundial e, portanto, precisa controlar com mão de ferro a classe trabalhadora de todos os países

Democracia Burguesa

O artigo Democracia brasileira em destaque em um mundo rumo à autocratização, de Marcelo Zero, publicada no Brasil 247 nesta quarta-feira (18), coloca um debate importante atualmente: o fechamento os regimes ditos democráticos.

No Brasil, a maioria da esquerda entrou em uma “luta contra o fascismo” e defesa da democracia. Este Diário vem avisando que não existe democracia, são apenas governos de fachada que escondem a real vocação dos “estados democrático”: o fascismo.

Essa suposta luta, que pretendia levar a classe trabalhadora para os braços das democracias liberais, se esfacelou depois que essas supostas democracias, com a guerra da agressão EUA-“Israel” contra o Irã, se alinharam a Donald Trump, pintado com um dos piores fascistas que a humanidade já produziu.

Marcelo Zero informa que “o 10º Relatório do V-Dem (Varieties of Democracy) Institute, do Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, apresenta um retrato bastante pessimista do estado das democracias, como definidas no mundo ocidental, na maior parte do planeta”.

Segundo conclui o relatório: “a democracia retornou aos níveis de 1978 para o cidadão médio global. Os ganhos da “terceira onda de democratização”, iniciada em 1974 em Portugal, foram quase erradicados”. Em 1978, o Brasil estava em plena ditadura militar, tendo na presidência o general Ernesto Geisel. A ditadura no Brasil era apoiada pelos Estados Unidos, que a planejou e financiou, e pelas democracias da Europa.

Adiante, lê-se que “o nível de democracia para o cidadão médio na Europa Ocidental e na América do Norte está em seu nível mais baixo em mais de 50 anos, principalmente devido à autocratização em curso nos EUA”. Os Estados europeus estão reprimindo violentamente apoiadores da Palestina, ou aqueles que denunciam o genocídio em Gaza. Vimos o mesmo movimento nos Estados Unidos, mas o resultado é que a população americana, com o aumento da repressão, passou a culpar o Estado de Israel por essa situação, o que resultou em uma queda acentuada da popularidade do sionismo no país.

Democracia é só uma palavra

O relatório diz que “os EUA perdem seu status de democracia liberal de longa data pela primeira vez em mais de 50 anos”. Demorou para perceberem, pois desde o final da II Guerra Mundial os Estados Unidos têm praticado todo tipo de crimes contra o resto do mundo. Seja com bombardeios, guerras de agressão, golpes militares, sanções econômicas genocidas. Qual democracia faria isso?

Um dado interessante do relatório é o de que “a liberdade de expressão continua sendo o aspecto mais atacado da democracia, piorando em 44 países até 2025”. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal atacou frontalmente a liberdade de expressão com o Inquérito das Fake News, e também atacando o Marco Civil da Internet.

Não chega a surpreender, mas é digno de nota, a maioria da esquerda concorda com essa aberração e dizem que liberdade de expressão – uma bandeira histórica dos socialistas – é coisa de fascista.

Brasil é exceção?

Por alguma razão, não se sabe qual, “o Brasil é destacado como um dos países em processo de democratização em 2025, sendo um caso de ‘U-turn’, ou seja, um país que reverteu um processo de autocratização e está restaurando sua democracia”.

Talvez essa gente não conheça os processos que os sionistas estão conseguindo mover contra brasileiros por antissemitismo.

Segundo sustentam, “a autocratização no Brasil começou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff e se intensificou após a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Durante seu governo, houve ataques à mídia, tentativas de minar as eleições, o Legislativo e o Judiciário”, mas que “a reversão ocorreu com a eleição de Luiz Inácio “Lula” da Silva em 2022, apoiado por uma coalizão de nove partidos. Apesar disso, o Brasil ainda enfrenta uma sociedade profundamente polarizada, e as eleições de 2026 serão decisivas para o futuro democrático do país”.

No governo Lula não houve nenhuma reversão, na verdade, a repressão está recrudescendo. Continuam os desmandos do Supremo Tribunal Federal, o identitarismo tem pressionado por aumento de penas e leis ultrarreacionárias, como a Lei Felca, colocam os cidadãos sob intensa vigilância.

Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO (Partido da Causa Operária) destacou em sua Análise Politica da 3ª (assista) que essa lei impõe “um controle policial da população de conjunto”.

Dizer que “Bolsonaro foi impedido de concorrer a cargos públicos após ser condenado por abuso de poder e tentativa de golpe”, e tratar isso como retorno à democracia, é ignorar as circunstâncias de como tudo aconteceu.

O STF simplesmente pisoteou a Constituição, utilizou métodos da Lava Jato em um julgamento no qual um ministro do Supremo era, simultaneamente, relator, vítima, e juiz.

Cidadãos comuns foram condenados por tentativa de golpe sendo que não portavam uma única arma. A maioria foi condenada em bloco, não tiveram seus casos tipificados, e nem mesmo foram remetidos à primeira instância, para que prevalecesse o princípio constitucional de amplo direito de defesa.

É preciso salientar que esse julgamento-farsa tem o aval, para não dizer controle, do imperialismo, que não tem nada de democrático.

O artigo diz que “o Brasil registrou avanços em liberdade de expressão, incluindo liberdade acadêmica e cultural, e diminuição da censura governamental”. Isso é falso! Existe artista tendo problemas com a Justiça porque trocou palavras em algumas de suas músicas.

Mistério

Segundo Marcelo Zero, “o Brasil é mencionado como responsável por mais da metade da população mundial que reside em países onde a democracia está melhorando, representando um caso significativo de recuperação democrática”. Então, é preciso concluir que o conceito de democracia é muito elástico.

Finalizando, lê-se que o País é “um caso emblemático de reversão da autocratização e os desafios que ainda enfrenta em seu processo de democratização”.

Essa visão está completamente equivocada, basta ver o que acontece nos países vizinhos e na América Latina. Golpes, ingerências, governos extremamente direitistas.

A própria política externa do governo Lula contra a Venezuela é uma prova de que a pressão apenas aumenta. O imperialismo se prepara para a III Guerra Mundial e, portanto, precisa controlar com mão de ferro a classe trabalhadora de todos os países por meio de governos alinhados.

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