O governo dos Estados Unidos afirmou, em 10 de março, que considera o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) “ameaças significativas à segurança regional”, atribuindo às duas facções ligação com narcotráfico, violência e crime transnacional. Ao mesmo tempo, o governo norte-americano evitou confirmar oficialmente se pretende classificá-las como organizações terroristas estrangeiras, mantendo uma ambiguidade que elevou a tensão diplomática com o Brasil.
Em Brasília, a orientação do governo Lula foi tratar o assunto com cautela. Segundo a CNN Brasil, o Planalto decidiu não reagir a possíveis “balões de ensaio” e concentrar qualquer resposta no terreno diplomático, avaliando que, por enquanto, a movimentação do governo Donald Trump tem mais peso retórico do que caráter imediato de execução. O chanceler Mauro Vieira, contudo, conversou por telefone com o secretário de Estado Marco Rubio depois que os EUA sinalizaram interesse no enquadramento das facções brasileiras como terroristas.
A postura do governo brasileiro perante o imperialismo norte-americano é, uma vez mais, vergonhosa, visto que se recuou a denunciar energicamente a ingerência estrangeira sobre o País.
Em maio de 2025, o Brasil já havia rejeitado um pedido dos Estados Unidos para classificar PCC e CV como grupos terroristas, sustentando que as facções não se enquadram na definição jurídica adotada pelo Brasil. Pela antidemocrática Lei 13.260/2016, “terrorismo” envolve atos praticados por razões de “xenofobia”, “discriminação” ou “preconceito”, enquanto a Lei 12.850/2013 trata organização criminosa como associação estruturada de quatro ou mais pessoas voltada à obtenção de vantagem por meio de infrações penais.
A classificação de terrorismo, na legislação norte-americana, pode sustentar sanções, bloqueios financeiros, ampliação de instrumentos de inteligência e até justificar ações mais agressivas fora do território dos Estados Unidos. O promotor Lincoln Gakiya, que há mais de duas décadas acompanha a atuação do PCC, advertiu que esse enquadramento abriria um flanco perigoso para a soberania brasileira. No início do ano, os Estados Unidos se valeram da acusação de “terrorismo” para sequestrar o presidente Nicolás Maduro na Venezuela.





