As mobilizações contra o governo de Rodrigo Paz na Bolívia chegaram, neste sábado (13), ao 44º dia, com a continuidade dos bloqueios de estradas e a confirmação de que diferentes organizações sociais seguirão com as medidas de pressão.
A Federação Departamental Única de Trabalhadores Camponeses Túpac Katari orientou suas bases a manter os pontos de bloqueio em diferentes rotas do país. A entidade afirmou que a permanência dos manifestantes nas estradas segue as decisões tomadas por suas estruturas internas.
Ao mesmo tempo, a federação determinou a liberação imediata de veículos ligados a emergências médicas. Segundo o documento divulgado pela organização, os bloqueios devem permitir, sem restrições, a passagem de ambulâncias, veículos de emergência, transporte de oxigênio medicinal, trabalhadores da saúde e veículos com pacientes em situação crítica, desde que devidamente comprovada.
A medida ocorre após denúncias de dificuldades no abastecimento de oxigênio em hospitais de La Paz, entre eles o Hospital del Niño e o Hospital de la Mujer. Profissionais da saúde afirmam que a redução no fornecimento do insumo levou unidades a adotar racionamento e buscar alternativas para manter o atendimento de casos graves.
O dirigente da Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB), Vicente Choque, também confirmou a continuidade das mobilizações. Em declaração às organizações sociais, Choque afirmou que não é o momento de abandonar a luta e reiterou que a principal reivindicação segue sendo a renúncia de Rodrigo Paz.
A posição foi apresentada em meio a novas reuniões e pronunciamentos de entidades camponesas e populares. A Coordinadora das Seis Federações do Trópico de Cochabamba realizou uma conferência de imprensa em Lauca Ñ, região que tem tido papel importante nas mobilizações contra o governo.
Também neste sábado, o XIII Congresso Ordinário da Central Santa Rosa Eñe, da Federação Única Centrais Unidas, empossou Adriana Alvarado como nova secretária-geral para a gestão 2026-2028. A posse ocorreu em meio à continuidade da crise política e das mobilizações no país.
A Central Operária Boliviana (COB) adiou o Ampliado Nacional de Emergência que estava previsto para este sábado. A reunião foi remarcada para domingo (14), às 14 horas, após pedidos de organizações filiadas para garantir maior participação dos setores convocados.
O encontro deve discutir os próximos passos da mobilização nacional. A COB participa das manifestações que, nas últimas semanas, passaram de reivindicações setoriais para uma ofensiva mais ampla contra o governo de Rodrigo Paz.
Em declarações de manifestantes, a disposição é de manter a pressão por tempo prolongado. Uma trabalhadora camponesa recordou as mobilizações de 2003, quando os protestos se estenderam por meses e culminaram na queda de Gonzalo Sánchez de Lozada.
Na quinta-feira (11), a repressão policial em La Paz deixou 36 detidos e dezenas de feridos, após uma marcha da COB chegar ao centro político da capital boliviana. Apesar das prisões e da repressão, as principais organizações mobilizadas afirmam que a luta continua.





