Guerra no Oriente Próximo

EUA e ‘Israel’ assassinam líder do Conselho de Segurança do Irã

O major-general Gholamreza Soleimani, comandante da organização Basij Mostazafan, também foi assassinado na agressão imperialista

Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, foi assassinado na continuidade da agressão norte-americana e israelense contra a República Islâmica. O anúncio foi feito pela Secretaria-Geral do órgão, que informou também o assassinato de seu filho, Morteza, do assessor de segurança Ali Reza Bayat e de vários de seus guarda-costas.

Na nota oficial, o órgão afirmou que Larijani alcançou “seu maior desejo” depois de uma vida dedicada ao Irã, à Revolução Islâmica e às causas de libertação. O texto destacou que, até os últimos momentos de vida, o dirigente insistiu na defesa dos interesses do país e necessidade de unidade diante dos inimigos da nação.

O assassinato de Larijani ocorre em meio à guerra aberta lançada pelos EUA e por “Israel” contra o Irã no fim do mês passado. A ofensiva já levou o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) a realizar ao menos 60 ondas de ataques retaliatórios contra alvos sensíveis e estratégicos dos dois países na região. O CGRI afirmou que manterá a resposta até a derrota completa dos agressores.

Larijani ocupava desde agosto de 2025 o cargo de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, para o qual foi nomeado pelo presidente Masoud Pezeshkian, em substituição a Ali Akbar Ahmadian. Antes disso, já havia exercido a mesma função entre 2005 e 2007. Também foi presidente do Parlamento iraniano por três mandatos consecutivos, entre 2008 e 2020, além de conselheiro sênior do Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Ali Khamenei.

Sua trajetória política e intelectual foi longa. Nascido em 3 de junho de 1958, em Najaf, no Iraque, em uma família originária da região de Larijan, em Amol, Larijani retornou ao Irã ainda criança, em 1961. Fez os estudos iniciais em Qom e concluiu o ensino médio na Escola Haqqani. Formou-se em matemática e ciência da computação pela Universidade Sharif de Tecnologia, em 1979, como o primeiro colocado de sua turma. Depois, obteve mestrado e doutorado em filosofia ocidental pela Universidade de Teerã, com tese sobre Immanuel Kant.

Além da atuação política, deixou produção acadêmica e intelectual. Escreveu livros sobre a filosofia kantiana, como O método da matemática na filosofia de Kant e Metafísica e ciências exatas na filosofia de Kant, além de outras obras, como O ar livre e Governo moderno: uma promessa ao povo, e cerca de 15 artigos acadêmicos.

Na vida pública, Larijani também foi ministro da Cultura e da Orientação Islâmica entre 1994 e 1997, presidente da radiodifusão da República Islâmica entre 1997 e 2004 e candidato à Presidência da República em três ocasiões. Após a Revolução Islâmica, ingressou no CGRI em 1982, subiu na hierarquia militar e chegou ao posto de subcomandante em 1992, antes de passar a funções de governo.

Durante a atual guerra, Larijani se destacou pelas posições firmes contra a agressão dos EUA e de “Israel”. Em diferentes declarações, afirmou que o Irã não recuaria até que os inimigos pagassem pelo erro cometido. Em uma de suas falas mais conhecidas desse período, declarou: “não deixaremos vocês até que admitam seu erro e paguem o preço”. Em outra intervenção pública, dirigida ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse: “nossos líderes sempre estiveram, e continuam, entre o povo. E os seus líderes? Estão na Ilha Epstein”.

Pouco antes de ser assassinado, Larijani deixou ainda uma mensagem manuscrita em homenagem aos 104 tripulantes da fragata iraniana Dena, atingida por forças navais norte-americanas. No texto, afirmou que a memória dos combatentes permaneceria para sempre no coração do povo iraniano e que o martírio deles fortaleceria por muitos anos as bases do Exército da República Islâmica dentro das Forças Armadas.

Por volta do mesmo horário, EUA e “Israel” assassinaram o major-general Gholamreza Soleimani, chefe da organização Basij Mostazafan. Em nota, o CGRI apresentou condolências ao Líder da Revolução Islâmica, Saied Mojtaba Khamenei, ao povo iraniano, aos integrantes do Basij e à família do comandante.

Segundo o comunicado, Soleimani serviu ao Irã por muitos anos, desde a guerra Irã-Iraque até o período atual, desempenhando papel estratégico na ampliação das estruturas do Basij, no apoio a iniciativas de desenvolvimento e na assistência às camadas mais pobres da população. O CGRI declarou ainda que seu assassinato evidencia o papel central do Basij no enfrentamento aos inimigos do Irã, em especial durante a agressão recente.

Nascido em 1964, em Farsan, na província de Chaharmahal e Bakhtiari, Soleimani foi moldado militarmente durante a guerra imposta pelo Iraque. Em 1981, ainda adolescente, uniu-se às frentes de combate perto de Shush como voluntário. Participou de operações importantes, como Tariq al-Quds, Fath al-Mobin e Beit al-Moqaddas, exercendo funções de combate e comando. Em 1982, ingressou formalmente no CGRI.

Depois da guerra, ocupou diversos postos regionais de comando. Em 2006, tornou-se comandante do Corpo Saheb al-Zaman, em Isfahan, supervisionando unidades do Basij e forças do CGRI. Foi promovido a general-de-brigada em 2017. Tinha graduação em história pela Universidade de Isfahan e prosseguiu estudos de doutorado em história iraniano-islâmica. Em julho de 2019, assumiu a chefia do Basij, força voluntária criada após a Revolução de 1979.

O CGRI declarou que os combatentes do Basij não deixarão sem resposta o sangue de Soleimani e que continuarão o caminho da resistência contra a arrogância mundial e o sionismo internacional.

A seguir, a íntegra da nota da Secretaria-Geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã:

Secretaria-Geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional

Ao querido e orgulhoso povo iraniano,

Aos povos livres do mundo,

Aos amantes da resistência onde quer que estejam,

E a todos os muçulmanos:

Um servo de Deus juntou-se ao seu Senhor como mártir.

As almas puras dos mártires acolheram a alma santificada de um justo servo de Deus, o mártir doutor Ali Larijani, que dedicou sua vida ao orgulho do Irã, à sua Revolução Islâmica e às causas de libertação no mundo, até alcançar seu maior desejo ao fim de sua jornada. Ele atendeu ao chamado da Verdade e ascendeu como mártir no campo do serviço. Juntou-se ao Comandante dos Fiéis, Ali ibn Abi Talib (que a paz esteja com ele), ao imã dos mártires; ao líder da caravana do martírio e da jihad diante da América e de “Israel”, sua eminência o aiatolá Saied Ali Khamenei; ao seu mestre, o mártir sua eminência o aiatolá Motahari; e aos seus companheiros de caminho, os mártires Saied Hassan Nasrallah e Hajj Qasem Soleimani.

Até os momentos finais de sua vida abençoada, ele permaneceu empenhado em elevar a palavra de Deus, fiel às causas da nação e do seu progresso, conclamando à unidade de fileiras e à coesão diante do inimigo sanguinário, aconselhando e insistindo nisso.

Ao final, em uma madrugada abençoada do mês de Ramadã, alcançou a elevada posição do martírio, acompanhado de seu filho crente, Morteza, do assessor de segurança da Secretaria-Geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Reza Bayat, e de um grupo de protetores zelosos.

A vitória inevitável espera aqueles que lutam no caminho da Verdade, e esses martírios apenas aumentam a firmeza e a determinação da nação em continuar o caminho daqueles homens que foram fiéis ao que prometeram a Deus.

Parabéns a ele por essa posição, pois ela era um mérito natural para uma jornada de jihad cuja recompensa não poderia ser menor do que esta grande vitória.

Secretaria-Geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional

27/03/2026

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