Guerra no Oriente Próximo

Chanceler do Irã: ‘celebraremos a vitória em breve’

Abbas Araghchi afirmou na segunda-feira (16) que o Irã não pediu cessar-fogo e que a guerra precisa terminar de forma definitiva

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou na segunda-feira (16) que a República Islâmica busca o fim permanente da guerra movida pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o país e que a agressão precisa terminar de modo a impedir qualquer repetição futura. Ao comentar a situação, o chanceler declarou que o Irã não enviou mensagens aos agressores nem pediu cessar-fogo, deixando claro que Teerã não aceitará uma interrupção provisória que permita a retomada dos ataques de outra forma.

“Não enviamos mensagens e não pedimos cessar-fogo, mas esta guerra precisa terminar de uma maneira que não se repita sob outra forma”, disse Araghchi a jornalistas. Ele acrescentou que sua posição não expressa desejo de prolongar a guerra, mas a necessidade de encerrá-la em termos que façam os inimigos abandonarem de uma vez por todas a ideia de voltar a atacar o Irã. Segundo o chanceler, os inimigos já “aprenderam uma boa lição” e se depararam com “uma nação que não hesita em se defender e está preparada para continuar a guerra pelo tempo que for necessário”.

Araghchi recordou ainda que, na agressão anterior, em junho, os inimigos exigiam a “rendição incondicional” do Irã antes de acabarem pedindo cessar-fogo. Também afirmou que o martírio do líder da Revolução Islâmica, Aiatolá Saied Ali Khamenei, nos primeiros momentos da agressão iniciada em 28 de fevereiro, constituiu uma “medalha de honra” em toda a sua trajetória. O chanceler também mencionou o martírio de altos dirigentes, comandantes militares e numerosos civis, entre eles crianças, e classificou os dias transcorridos desde o começo da guerra como um período difícil, mas como motivo de orgulho pela firmeza da resistência, da defesa e da retaliação iranianas.

A agressão dos Estados Unidos e de “Israel”, iniciada em 28 de fevereiro, já assassinou mais de 1.348 pessoas no Irã, incluindo ao menos 193 crianças, e deixou mais de 17 mil feridos. Segundo as autoridades iranianas, os ataques atingiram não apenas instalações militares e políticas, mas também escolas, hospitais, bancos e centros esportivos.

Ao tratar do Estreito de Ormuz, Araghchi afirmou que a passagem continua aberta, exceto para os inimigos do Irã, para os países que participaram da “agressão covarde” e para seus aliados. A mesma posição foi reiterada por outras autoridades iranianas ao longo do dia. O comandante naval do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), Alireza Tangsiri, declarou que o estreito não foi bloqueado militarmente e está apenas sob controle iraniano. Araghchi resumiu a posição do governo ao afirmar que os navios dos inimigos não passarão, enquanto os demais continuam livres para atravessar.

Também na segunda-feira (16), Araghchi declarou que os países vizinhos do Irã precisam esclarecer “prontamente” sua posição sobre o massacre de civis iranianos. Segundo ele, centenas de civis, inclusive mais de 200 crianças, foram assassinados nos bombardeios norte-americanos e sionistas, e há relatos de que alguns países da região que hospedam bases dos EUA e permitem ataques contra o Irã também estariam encorajando essa matança. O governo iraniano afirmou que respeita a soberania e a integridade territorial dos países vizinhos, mas advertiu que seus ataques de resposta continuarão dirigidos contra bases, instalações e ativos norte-americanos utilizados na agressão.

Na mesma linha, Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, divulgou uma carta aberta aos governos islâmicos da região que sediam bases norte-americanas. No texto, afirmou que o Irã enfrentou uma invasão fraudulenta dos Estados Unidos e dos sionistas enquanto negociava com os EUA e observou que quase nenhum governo islâmico socorreu a nação iraniana. “Hoje o inimigo não sabe como sair deste impasse estratégico”, escreveu. Larijani declarou ainda que o Irã seguirá no caminho da resistência contra os “grandes e pequenos demônios”, referência aos Estados Unidos e a “Israel”, e perguntou aos governos da região de que lado pretendem ficar. Também advertiu que os países muçulmanos sabem que os EUA não lhes são leais e que “Israel” é seu inimigo.

Enquanto a diplomacia iraniana reafirmava essas posições, as forças armadas ampliavam a resposta militar. O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica anunciou na segunda-feira (16) o lançamento da 56ª e da 57ª ondas da Operação Promessa Cumprida 4. A 56ª foi dedicada a Qassem Soleimani, assassinado pelos EUA em janeiro de 2020, e aos combatentes martirizados na defesa dos locais sagrados. Segundo o comunicado, os ataques atingiram centros estratégicos nos territórios palestinos ocupados, entre eles o Comando de Apoio da Região Sul e um depósito estratégico de mísseis da Rafael Advanced Defense Systems, no norte da Palestina ocupada, com o uso de mísseis balísticos pesados e guiados com precisão, como Khorramshahr-4, Emad e Ghadr. A base norte-americana de Al-Udeid, no Catar, também foi atingida nessa mesma fase.

A 57ª onda foi dedicada a Mojtaba, um bebê de três dias assassinado por um ataque dos Estados Unidos e de “Israel” na segunda-feira (16), em uma casa rural perto da cidade de Arak. Segundo o Corpo de Guardas, o bebê foi assassinado nos braços da mãe, junto com a própria mãe, a irmã de dois anos e a avó. O comunicado descreveu Mojtaba como “o mais jovem mártir da Guerra do Ramadã” e afirmou que o silêncio das instituições internacionais de direitos humanos e de diversos governos diante dos ataques a civis, inclusive contra escolas e hospitais, estimulou a continuidade desses crimes. Nessa 57ª onda, o Irã atingiu centros de comando e controle, comunicações e sistemas de defesa antimísseis no coração dos territórios ocupados com os mísseis Kheibar Shekan, Emad e Ghadr, além de voltar a atacar a base de Al-Udeid com mísseis Zolfaghar e Qiam e VANTs de ataque.

O Exército iraniano também anunciou na segunda-feira (16) uma ofensiva de VANTs contra centros estratégicos pertencentes às empresas armamentistas Rafael e Israel Aerospace Industries (IAI). Segundo o comunicado, a Rafael participa do desenvolvimento do Domo de Ferro, dos mísseis Spike e de tecnologias cibernéticas usadas pelo regime sionista, enquanto a IAI produz aviões militares, VANTs, mísseis, sistemas de defesa aérea e o escudo Arrow. O Exército afirmou que a ação foi realizada em homenagem aos marinheiros mártires do destróier Dena, atacado por um submarino norte-americano na costa do Sri Lanka em 4 de março, quando a embarcação retornava de um exercício naval com a Índia.

As ações iranianas também atingiram outras bases dos EUA na região. O Corpo de Guardas informou que sua Marinha atacou o depósito central de munições das forças norte-americanas na base aérea de Al-Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos, numa ação que provocou fortes explosões. Segundo o comunicado, depois do ataque, foi dada ordem de evacuação da base e aviões de combate foram transferidos para outras instalações. Em outro informe, o Corpo de Guardas afirmou que mísseis de cruzeiro com ogivas de alto explosivo atingiram hangares pertencentes às forças dos EUA nas bases de Sheikh Isa, no Barém, e de Al-Dhafra, nos Emirados, com relatos de fumaça espessa saindo de áreas de manutenção, suprimento e logística. Essas ações devem continuar “até a completa evacuação e destruição das bases terroristas norte-americanas”.

O Irã também informou ter interceptado e destruído dois VANTs inimigos antes que fossem usados em ataques. Um aparelho Heron foi abatido sobre Teerã na noite de domingo (15), e um Hermes-900 foi destruído sobre o distrito de Jam, na província de Bushehr.

Em meio a essa escalada, o Corpo de Guardas advertiu o “regime norte-americano derrotado” para evacuar todas as instalações industriais ligadas aos EUA na região e pediu à população que vive perto dessas fábricas que se afaste por segurança, pois tais locais poderão ser atingidos nas próximas horas. Outra advertência foi feita pelo porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas, general Abolfazl Shekarchi, sobre a Ilha de Kharg. Ele declarou que, caso os Estados Unidos ataquem as instalações petrolíferas e de exportação da ilha, “todas as instalações de petróleo e gás do país a partir do qual a agressão foi lançada serão imediatamente reduzidas a um monte de cinzas”.

A advertência veio depois de Donald Trump anunciar ataques à infraestrutura militar na ilha. Araghchi já havia dito anteriormente que mísseis lançados contra Kharg e a ilha de Abu Musa partiram de Ras al-Khaimah e de um ponto muito próximo a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Em seguida, o Quartel-General Khatam al-Anbiya afirmou que o Irã tem o direito legítimo de atingir os locais de lançamento dos mísseis norte-americanos, incluindo portos, docas e abrigos utilizados pelas forças dos EUA em certas cidades dos Emirados. Em paralelo, o sítio Axios informou, citando autoridades norte-americanas, que o governo Trump estaria estudando assumir o controle do terminal petrolífero iraniano de Kharg, o que exigiria o envio de forças terrestres.

Outro golpe importante contra a infraestrutura militar dos Estados Unidos foi revelado pelo Wall Street Journal no sábado (14). Segundo o jornal, um ataque iraniano à base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, danificou cinco aviões-tanque da Força Aérea dos EUA. As aeronaves não foram destruídas, mas ficaram avariadas e estão em reparo. Com isso, o número de aviões de reabastecimento norte-americanos danificados ou destruídos desde o início da guerra chegou a pelo menos sete, já que outros dois KC-135 haviam sido atingidos no Iraque dias antes por facções da resistência local. Segundo o Comando Central dos EUA, um deles caiu no oeste do Iraque e matou os seis tripulantes a bordo, enquanto o outro conseguiu pousar. Trump tentou minimizar o impacto e afirmou que quatro dos cinco aviões atingidos na Arábia Saudita sofreram “virtualmente nenhum dano” e já voltaram ao serviço.

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