O exército de “Israel” anunciou na segunda-feira (16) o lançamento de uma invasão terrestre no sul do Líbano, aprofundando a agressão contra o país. A medida veio depois de vários dias de tentativas de avanço das tropas sionistas, que encontraram resistência contínua do Hesbolá em diferentes pontos da fronteira, especialmente na cidade de Khiam.
Segundo o comando militar de “Israel”, a invasão teria como objetivo ampliar a área de ocupação ao longo da fronteira e destruir posições militares do Hesbolá. Na prática, trata-se de uma nova etapa da agressão contra o território libanês, combinando avanço por terra, bombardeios de artilharia e ataques aéreos.
A reação da resistência libanesa, no entanto, impediu que as forças invasoras consolidassem posições estáveis. Em Khiam, combatentes do Hesbolá enfrentaram tropas sionistas a curta distância com armas leves, médias e foguetes. A própria imprensa sionista noticiou baixas entre as tropas de “Israel” e a utilização repetida de helicópteros para evacuação de feridos ao longo do fim de semana.
A emissora pública Kan informou que, na noite de sábado (14), houve combate direto entre combatentes da Força Radwan e soldados de “Israel”. A reportagem destacou a intensidade dos confrontos e a capacidade de resistência das forças libanesas. Ainda segundo a emissora, o Hesbolá manteve fogo contínuo ao longo da fronteira norte da Palestina ocupada, com sirenes soando repetidamente em localidades como Metulla e Kiryat Shmona.
Em 24 horas, o Hesbolá realizou 47 ações contra assentamentos e posições militares de “Israel” no norte da Palestina ocupada, além de alvos de ocupação no sul do Líbano. Foi, de acordo com a própria imprensa sionista, o maior número de ações desde o início da atual escalada. Mesmo nos intervalos entre os ataques da resistência, a região permaneceu sob bombardeio e interceptações, sem que o exército invasor conseguisse impor normalidade.
Na manhã de segunda-feira (16), o Hesbolá informou ter atacado, pela segunda vez no mesmo dia, o centro chamado “Casa do Soldado”, no assentamento de Kiryat Shmona, usando um míssil especial e um enxame de VANTs de ataque. Antes disso, a resistência havia divulgado imagens de um míssil Almas atingindo um tanque Merkava próximo à cidade de Markaba.
A nova invasão terrestre ocorre após sucessivos fracassos de “Israel” em firmar posições no sul do Líbano. O terreno, somado à ação persistente da resistência, transformou aldeias e áreas de fronteira em zonas de atrito permanente para soldados e veículos militares da ocupação.
Ao mesmo tempo, a agressão vem provocando crescente desgaste político e econômico dentro de “Israel”. A autoridade de radiodifusão da entidade sionista informou que uma ampliação da invasão pode custar bilhões de xéqueles e obrigar o governo a reabrir novamente o orçamento para financiar a guerra. Isso porque a recente ampliação dos gastos militares, de cerca de 40 bilhões de xéqueles, não incluiu os custos de uma agressão terrestre mais ampla contra o Líbano.
O governo de “Israel” poderá impor novos cortes em ministérios civis para cobrir os gastos da guerra. O tema provocou críticas internas, sobretudo porque, ao mesmo tempo em que corta despesas públicas, o governo distribuiu cerca de 6 bilhões de xéqueles em verbas de coalizão a aliados políticos.
Também na segunda-feira (16), a imprensa israelense informou que poderá ser aprovada a mobilização de até 450 mil reservistas para a ampliação da agressão. “Israel” já concentrou seis divisões na fronteira com o Líbano, num total aproximado de 100 mil soldados, indicando preparação para uma escalada ainda maior.
O ministro da Defesa de “Israel”, Israel Katz, declarou que os moradores do sul do Líbano não retornarão às áreas ao sul do rio Litani enquanto não for garantida a segurança dos habitantes do norte da Palestina ocupada. A declaração confirma o objetivo de impor, pela força, uma faixa esvaziada e submetida ao controle militar sionista.
Desde 2 de março, a agressão de “Israel” contra o Líbano já assassinou entre 850 e 890 pessoas, incluindo mais de 100 crianças, segundo os dados reunidos pelas autoridades libanesas. Quase um milhão de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas. O Ministério da Saúde do Líbano informou ainda que dezenas de profissionais de saúde foram assassinados ou feridos, e que equipes de emergência sofreram dezenas de ataques.
Os bombardeios atingiram bairros residenciais, cidades do sul do país e instalações civis. Entre os alvos atingidos estiveram o quartel do batalhão de Gana da Unifil e um centro cultural russo em Nabatié. No domingo (15), “Israel” bombardeou Khiam com fósforo branco, arma proibida em guerras segundo a lei internacional, ampliando ainda mais a destruição.
A invasão terrestre foi anunciada depois de mais de um ano de violações do cessar-fogo de 2024 por parte de “Israel”. Diante da nova escalada, o Hesbolá passou a responder de forma aberta, mantendo ataques contra posições militares, assentamentos e novos postos de ocupação criados pelas tropas sionistas.
No entanto, em vez de consolidar uma zona segura sob seu controle, “Israel” enfrenta uma resistência cada vez maior no sul do Líbano. A nova invasão, longe de resolver a situação militar da entidade sionista na fronteira, aprofunda a guerra e aumenta o custo humano e material da agressão.


