O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou neste domingo (15), em entrevista à CBS News, que o Irã não pediu cessar-fogo nem buscou negociações para interromper a guerra aberta pelos Estados Unidos e por “Israel” contra a República Islâmica. Segundo ele, as Forças Armadas iranianas continuarão a defender o país por quanto tempo for necessário.
Araghchi declarou que o Irã atinge apenas bases e ativos norte-americanos na região como parte da Operação Promessa Cumprida 4. Acrescentou que muitos ataques contra o território iraniano foram lançados a partir de países do Golfo Pérsico. Também afirmou que o país não bloqueou completamente o Estreito de Ormuz, mas que os próprios ataques dos EUA tornaram insegura a navegação pela passagem estratégica.
Segundo o chanceler, alguns países pediram ao Irã que garantisse a travessia segura para seus navios. Ele acrescentou que essa decisão cabe às forças militares iranianas. Desde o início da agressão, o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, ficou praticamente paralisado. Centenas de embarcações permanecem fundeadas nas proximidades, enquanto empresas de navegação e exportadores de petróleo suspenderam operações por razões de segurança.
Na entrevista, Araghchi afirmou ainda que os responsáveis pelo banho de sangue atual são aqueles que aconselharam falsamente Donald Trump num momento em que Teerã e Washington negociavam um acordo e davam sinais de avanço. “Esta é uma guerra imposta tanto aos iranianos quanto aos norte-americanos”, declarou.
A agressão começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e “Israel” assassinaram o Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Ali Khamenei, além de altos comandantes militares, enquanto as negociações sobre o programa nuclear iraniano ainda estavam em andamento. Em resposta, o Irã passou a lançar sucessivas ondas de mísseis e VANTs contra posições estratégicas dos EUA e de “Israel” em toda a região.
Também no domingo, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou a 54ª onda da Operação Promessa Cumprida 4. A ofensiva foi executada sob o código “Ya Zahra” e incluiu um amplo conjunto de mísseis avançados. Entre eles, apareceram o superpesado Khorramshahr, com ogivas duplas, além de Kheybar, Qadr, Emad e, pela primeira vez desde o início da guerra, o míssil de combustível sólido Sejjil.
Segundo a Guarda Revolucionária, o Sejjil foi usado pela primeira vez no atual confronto para atingir centros de comando e controle e infraestrutura militar decisiva do regime sionista. O comandante da Força Aeroespacial da corporação, general de brigada Majid Mousavi, confirmou em sua conta na rede X o uso do armamento nessa nova etapa dos ataques.
A imprensa israelense informou que sirenes soaram em Telavive, Herzliya e em pelo menos outras 141 localidades dos territórios palestinos ocupados. Os avisos alertaram os colonos para a chegada dos mísseis iranianos.
Os próprios veículos israelenses relataram um aumento considerável na destruição e no número de vítimas desde que o Irã passou a empregar mísseis mais avançados. Segundo números divulgados pela Autoridade Tributária de “Israel”, mais de 11 mil pedidos de indenização por danos causados pelos ataques iranianos foram apresentados desde o início da guerra. Desses, mais de 7.600 se referem a danos materiais, com Telavive liderando o total de registros.
As reportagens acrescentam que numerosos edifícios se tornaram inabitáveis e mais de três mil colonos foram deslocados para hotéis e abrigos. O Ministério da Saúde do regime sionista afirmou que ao menos 3.195 pessoas ficaram feridas nos ataques iranianos, embora a própria imprensa local tenha indicado que os números reais são mais altos do que os admitidos oficialmente.
Especialistas militares ouvidos pela imprensa israelense advertiram que nenhum dos abrigos existentes nos territórios ocupados tem condições de resistir aos novos mísseis iranianos, em especial aos modelos superpesados Khorramshahr, Kheybar e Sejjil.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, Ali Mohammad Naeini, declarou que uma grande quantidade de mísseis produzidos pelo Irã após a Guerra de 12 dias ainda não foi usada. Segundo ele, a maior parte dos armamentos atualmente lançados foi fabricada há cerca de 10 anos, o que indica que sistemas desenvolvidos mais recentemente seguem preservados. Entre os modelos ainda não empregados, ele citou o míssil balístico Haj Qassem.
Naeini também afirmou que o Irã mantém soberania completa sobre o Estreito de Ormuz e não permitirá que seus inimigos se beneficiem das vantagens desse ponto marítimo decisivo. Dirigindo-se a Trump, lançou um desafio direto: se o presidente norte-americano diz ter destruído o poder naval iraniano, então que leve seus navios de guerra ao Golfo, caso tenha coragem.
O porta-voz acrescentou que os serviços de inteligência dos EUA erraram completamente ao avaliar a guerra. Segundo ele, Washington esperava um conflito curto e restrito, acreditava que a guerra produziria rapidamente agitação interna no Irã e contava com a formação de uma ampla coalizão internacional contra o país. Também apostava, disse ele, que o assassinato do Líder da Revolução Islâmica levaria o sistema político iraniano à falência. Em vez disso, afirmou, “o terceiro líder da Revolução entrou em campo com o mesmo espírito de enfrentamento à arrogância e a mesma política de resistência”.
No plano regional, a Marinha da Guarda Revolucionária anunciou ataques coordenados contra quatro bases aéreas dos Estados Unidos na Ásia Ocidental. Em seu 40º comunicado, publicado após as ondas 53 e 54 da Operação Promessa Cumprida 4, a corporação informou que foram atingidas, de forma simultânea e durante a madrugada, as bases de Al-Dhafra, Ali Al-Salem, Sheikh Isa e Al-Udeid.
Segundo a nota, os ataques combinaram mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro com novas ogivas e VANTs de ataque de uso único. Os alvos incluíram centros de comando e controle, torres de controle de tráfego aéreo, hangares de defesa aérea e depósitos logísticos. A Guarda Revolucionária informou ainda que imagens de satélite mostram a destruição de mais de 80% dos radares estratégicos e de outras instalações decisivas nas bases atingidas. Relatos de campo citados pela corporação indicaram também confusão no comando das forças norte-americanas e queda no moral das tropas.
Pouco antes do anúncio dessas operações, o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, declarou que o Irã já havia alertado repetidas vezes os países do Golfo de que os EUA e os demais países imperialistas não lhes trariam segurança. Segundo ele, em momentos decisivos, essas potências sacrificam seus aliados por seus próprios interesses. Para Tangsiri, a única saída é a unidade entre os países islâmicos e a expulsão dos Estados Unidos da região.
Também no domingo, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya afirmou que a presença do porta-aviões norte-americano USS Gerald R. Ford no Mar Vermelho constitui uma ameaça direta ao Irã. Por isso, todos os centros logísticos e de serviços que apoiam o navio passaram a ser considerados alvos legítimos das Forças Armadas iranianas.
O USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões da Marinha dos EUA, entrou no Mar Vermelho em 6 de março, depois de cruzar o Canal de Suez, como parte do reforço militar norte-americano após o início da agressão. Imagens de satélite divulgadas pela empresa chinesa MizarVision mostraram o navio operando a cerca de 100 quilômetros da costa saudita, com indícios de aproximação de Jedá. O grupo também inclui destróieres lançadores de mísseis guiados.
A advertência não foi a primeira. No começo do mês, o comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, afirmou que o Irã monitorava o porta-aviões e aguardava sua entrada no perímetro definido para ataque.






