Europa

‘Não seremos colônia da Ucrânia’: multidão vai às ruas na Hungria

Marcha pela paz reuniu dezenas de milhares de pessoas em Budapeste em apoio a Viktor Orbán, em meio ao choque entre o governo húngaro, a União Europeia e o regime ucraniano

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Budapeste neste domingo (15) em apoio ao primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán. A mobilização, chamada de Marcha pela Paz, foi realizada sob o lema “não seremos colônia da Ucrânia” e reuniu manifestantes vindos de diversas partes do país.

O ato ocorreu em meio ao agravamento das tensões entre o governo húngaro e o regime ucraniano. Há meses, Budapeste se opõe à política da União Europeia de financiar e armar a Ucrânia contra a Rússia, além de rejeitar a entrada do país no bloco europeu.

Durante a manifestação, Orbán falou diante de seus apoiadores em frente ao Parlamento e exigiu que o governo ucraniano abandone sua política hostil contra a Hungria. Dirigindo-se diretamente a Vladimir Zelensqui, declarou: “está vendo, Zelensqui, este é o Estado milenar dos húngaros. E você acha que pode nos assustar com bloqueio de petróleo, chantagem e ameaças contra nossos líderes? Seja inteligente e pare com isso”.

O conflito entre os dois países se intensificou nos últimos meses depois que a Ucrânia suspendeu o fornecimento de petróleo russo para Hungria e Eslováquia por meio de um oleoduto construído ainda no período soviético. Em seguida, Zelensqui passou a fazer ameaças diretas contra o governo húngaro, aprofundando o choque político entre os dois países.

O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, que também participou do ato, afirmou que Bruxelas e o regime ucraniano querem derrubar o governo Orbán. Segundo ele, o objetivo é impor à Hungria um governo alinhado a Zelensqui.

Imagens e vídeos divulgados nas redes sociais mostraram uma grande massa marchando pelo centro de Budapeste com bandeiras nacionais. Os manifestantes carregavam uma faixa com a palavra de ordem contra a transformação da Hungria em “colônia” da Ucrânia. Parte dos participantes também levava cartazes com imagens riscadas de Zelensqui e de Péter Magyar, principal adversário de Orbán nas próximas eleições. No mesmo domingo, o partido Tisza, de Magyar, realizou uma grande manifestação própria.

No início de março, as autoridades húngaras detiveram um comboio que transportava até US$100 milhões em dinheiro e ouro. Segundo as informações divulgadas, a carga seguia para um banco estatal ucraniano e foi apreendida no âmbito de uma investigação sobre lavagem de dinheiro.

Naquele mesmo dia, Zelenski sugeriu que suas Forças Armadas poderiam ser enviadas para falar com Orbán “na sua própria língua”. Tanto Orbán quanto Magyar condenaram a ameaça.

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