Estados Unidos

Agressão contra Irã abre racha na base de Donald Trump

Reportagens do Politico e da Reuters apontam divergências entre a Casa Branca, o núcleo político de Trump e setores belicistas do regime norte-americano

A guerra lançada pelos Estados Unidos contra o Irã abriu divisões dentro do governo Donald Trump e começou a atingir a própria base política do presidente norte-americano. Reportagens publicadas na sexta-feira (13) pelo Politico e pela Reuters mostraram que, antes e depois do início da ofensiva, cresceram as divergências entre o vice-presidente JD Vance, os setores mais agressivos do regime e os assessores preocupados com o impacto político e econômico da guerra.

De acordo com o Politico, Vance manifestou em conversas reservadas dúvidas sobre a decisão de atacar o Irã. Segundo dois altos funcionários do governo, ele questionou as chances de sucesso da operação e se colocou contra a guerra durante as discussões internas que antecederam a decisão final de Trump.

Um dos integrantes do governo afirmou que Vance estava cético, preocupado com o êxito da operação e, de modo geral, se opunha ao ataque. Outro funcionário declarou que o papel do vice-presidente era apresentar ao presidente diferentes possibilidades antes da decisão, acrescentando que, depois da definição da Casa Branca, Vance passou a apoiar integralmente a política adotada.

O vice-presidente, que serviu no Corpo de Fuzileiros Navais durante a guerra do Iraque, vem há anos expressando desconfiança em relação às intervenções militares norte-americanas no exterior. Quando os Estados Unidos atacaram o Iêmen no ano passado, ele classificou a ação, em uma conversa revelada pelo The Atlantic, como um erro. Finalmente, Vance faz parte do setor do Partido Republicano mais avesso à ingerência norte-americana no exterior, representativo de uma parcela importante da base trumpista.

Mesmo depois de aderir publicamente à guerra, o vice-presidente preservou um tom mais cauteloso do que Trump. Após ataques norte-americanos contra instalações nucleares iranianas, afirmou que os norte-americanos tinham razão em se preocupar com novos envolvimentos militares no exterior. Em entrevista à Fox News em 2 de março, procurou apresentar a operação como algo limitado, dizendo que Trump não colocaria os Estados Unidos em um conflito de anos, sem objetivo claro e sem perspectiva de encerramento.

Antes da escalada militar, Vance já havia dito ao Washington Post que se considerava cético em relação a intervenções estrangeiras e que todos preferiam uma saída diplomática. Em uma entrevista de campanha, dois anos antes, afirmou em um podcast de Tim Dillon que o interesse de Washington estava em não entrar em guerra com o Irã e advertiu que um confronto desse tipo seria um enorme desperdício de recursos, além de muito custoso para o país.

Trump procurou minimizar a divergência. Em declaração a jornalistas em Mar-a-Lago, disse que Vance era, do ponto de vista filosófico, um pouco diferente dele e talvez menos entusiasmado com a guerra, mas ainda assim entusiasmado. A porta-voz do vice-presidente, Taylor Van Kirk, reagiu às informações dizendo que havia vazamentos constantes tentando projetar sobre Vance opiniões alheias. A Casa Branca, por sua vez, afirmou que as tentativas de criar uma fissura entre Trump e seu vice eram equivocadas.

Ao mesmo tempo, a Reuters descreveu um quadro de conflito mais amplo dentro do próprio governo. Segundo a agência, há uma disputa entre os defensores de uma ofensiva prolongada, como os senadores Lindsey Graham e Tom Cotton, e os assessores políticos que defendem uma redução imediata da escalada.

Entre esses últimos estariam a chefe de gabinete Susie Wiles, o vice-chefe James Blair e figuras da imprensa conservadora próximas ao trumpismo, como Tucker Carlson. Esse setor argumenta que uma guerra prolongada na Ásia Ocidental contraria diretamente uma das principais promessas eleitorais de Trump, apresentada durante a campanha como o compromisso de encerrar as chamadas intervenções “estúpidas” no exterior.

Além da disputa política, cresceu dentro do governo a preocupação com os efeitos econômicos da guerra. Ainda segundo a Reuters, assessores do Tesouro e do Conselho Econômico Nacional advertiram Trump de que o choque econômico provocado pela agressão ao Irã poderia corroer sua base de apoio com mais rapidez do que um revés militar.

O ponto central dessa pressão é a alta do preço dos combustíveis, impulsionada pelo controle exercido pelo Irã sobre o Estreito de Ormuz e pelo encarecimento do petróleo no mercado internacional. Os assessores políticos de Trump estariam insistindo para que o presidente defina a “vitória” de forma estreita, apresente a operação como limitada e sinalize que a guerra estaria perto do fim.

As vacilações do próprio Trump apareceram nas declarações públicas. Em um mesmo dia, afirmou que os Estados Unidos haviam vencido a guerra contra o Irã e, logo em seguida, declarou que ainda seria necessário terminar o trabalho. Desde o início da agressão, a Casa Branca também oscilou nas justificativas apresentadas à população, passando de uma suposta ameaça iminente iraniana para a destruição do programa nuclear do país e, depois, para a perspectiva de mudança de regime.

A própria evolução do conflito aprofundou as contradições internas do governo. Segundo a Reuters, relatórios de inteligência indicam que Teerã está longe de qualquer derrubada, o que enfraqueceu as ilusões da Casa Branca sobre a possibilidade de derrotar rapidamente o regime revolucionário iraniano. O avanço da crise energética, a continuidade dos ataques iranianos contra ativos norte-americanos na região e a estabilidade da direção política do país colocaram a operação em um terreno mais desfavorável para os EUA.

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