A imprensa alternativa brasileira tem noticiado algo que já era esperado, que a Mídia lidera guerra total para sangrar favoritismo de Lula na eleição, como afirma Tiago Barbosa em artigo publicado neste sábado (14) no Brasil 247.
No olho do texto, temos que “a ofensiva opera – sob cinismo e mentira – em três frentes para anular toda e qualquer alusão positiva à imagem do petista”. O que também era bastante previsível.
A mentira é a marca registrada da grande imprensa, há quem diga que as únicas informações verdadeiras nos jornais burgueses são seus nomes e a data. Obviamente, a esquerda pequeno-burguesa caiu no conto de “combate às fake news”, medida que serve apenas para prejudicar adversários políticos do Supremo Tribunal Federal (STF) e daqueles que o controlam.
Controle eleitoral
Quando começou a ofensiva contra Jair Bolsonaro e seu grupo da “trama golpista”, ficou claro que a burguesia queria tirar o ex-presidente do caminho para a próxima corrida eleitoral e, de quebra, conseguir um acordo para que o ex-presidente apoiasse o candidato do grande capital.
Observando a conjuntura na América Latina, com golpes, manipulações de eleições, a subida da direita ao poder etc., ficava possível notar o desejo da burguesia de colocar na presidência um candidato do tipo Milei.
Tanto Lula quanto Bolsonaro são candidatos com votos, ou, em outras palavras, possuem base social. Um candidato com base é um candidato forte e difícil de controlar. A burguesia deu o primeiro golpe colocando Bolsonaro na cadeia; ficou faltando o outro político com base eleitoral: Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse tipo de candidato, que tem um eleitorado, não pode entrar em rota de colisão com sua base. Precisa, em alguma medida, contemplar esses interesses que, na maioria das vezes, estão em contradição com os interesses burgueses. Como exemplo, podemos citar um artigo do Estadão dizendo que Lula cometia o mesmo erro de Bolsonaro ao subsidiar os combustíveis. Embora o jornal não diga, tem gente perdendo dinheiro, como os acionistas da Petrobrás, por exemplo.
Para tentar se reeleger, Jair Bolsonaro, por exemplo, gastou bilhões de reais, subsidiou gás de cozinha, mas nada do que fez foi suficiente para barrar o petista.
Toda vez que um político precisa agradar à sua base, acaba se chocando de algum modo com os interesses da burguesia.
Segundo Barbosa, “todas as ações são coordenadas e uníssonas para sangrar o presidente – única barreira concreta contra a balbúrdia acenada pela oposição”. Se isso for verdade, fica comprada a ideia de que a burguesia está preferindo apostar na confusão à dor de outro mandato para Lula.
Três frentes
As três frentes anunciadas no olho do artigo são as seguintes:
1 – “A primeira atua no plano simbólico da moral para degenerar a esquerda como sinônimo de crime – o núcleo do discurso da direita na excitação do ódio como isca da alienação”.
Isso sempre foi assim. Desde o tempo em que tentaram ligar o PT ao sequestro de Abílio Diniz, além de todas as acusações de corrupção. É importante dizer que a esquerda, em geral, leva a sério que exista combate à corrupção, o que levou setores inteiros a abandonarem à sorte dirigentes petistas acusados no Mensalão e na Lava Jato.
2 – “contenções democráticas para liberar a instrumentalização do Estado contra o presidente – inclui desmoralização do STF a pressão nos militares”.
Conforme o articulista, “o cerco a Alexandre de Moraes e Toffoli foca a dissolução – literal, como diz um ‘analista’ de TV, ou metafórica – do tribunal na geleia geral das ilicitudes para acolher a lawfare do neolavajatismo”.
O mistério é descobrir em que a desmoralização do STF e a pressão sobre os militares constituiriam contenção democrática. O Supremo é uma corte com 11 ministros em quem ninguém votou. Fazem o que bem entendem com as leis e a Constituição. Quanto aos militares, não é necessário explicar muito, são diretamente ligados aos interesses do grande capital e do imperialismo.
Não ficou claro quem está acolhendo o “neolavajatismo”. Quem esteve diretamente envolvido na perseguição política ao PT que ganhou força no Mensalão, bem como na Lava Jato? O Supremo em conluio com a grande imprensa. Não existe “neolavajatismo”, existe o velho, como o utilizado recentemente no julgamento-farsa da “tentativa de golpe”.
3 – “a terceira cabeça da Hidra golpista é um libelo do negacionismo contra a ciência e a informação para validar a sobreposição da narrativa diante do senso crítico”. Essa terceira frente não deixa de ser estranha. O combate ao “negacionismo” é uma ferramenta do Estado para fechar o regime. No Brasil, por exemplo, virou crime se questionar as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral, pois seria “negacionismo”. É uma democracia na qual certas coisas não se pode duvidar, como, para um católico, a virgindade de Maria.
O mesmo critério sobre as vacinas. Quem as questionou foi logo identificado como “negacionista”, de ser “contra a ciência”. Até que, finalmente, a própria ciência vem dizendo aos poucos que os “negacionistas” tinham razão, as vacinas podem provocar uma série de danos.
Nessa seara, ainda, temos a questão do identitarismo, que não leva muito em consideração a biologia quando o assunto é a sexualidade. Mas, claro, negacionistas são os outros: o “gado”.
A insistência da esquerda, infiltrada pelo identitarismo, tem alimentado a extrema direita que não concorda com o uso de banheiros femininos por pessoas que “identificam” como mulheres etc.
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No final do artigo, Barbosa faz a tradicional campanha de que “o Brasil tem emprego recorde, renda em alta, isenção até R$ 5 mil, cesta básica incentivada, inflação contida, fome erradicada – parâmetros dignos de um país em ascensão civilizatória”. E aqui vale a tese do “negacionismo”, basta olhar a realidade para se desmentir essa euforia.
A inflação, por exemplo, foi “contida” com extorsivos juros de 15% ao ano. Essa medida, inclusive, impede a criação de empregos e a volta da industrialização. O reflexo disso se vê no aumento do “empreendedorismo”: pessoas que tentam viver por conta própria para conseguirem alguma renda fazendo bolos ou algum tipo de serviço, pois desistiram de procurar emprego.
O governo Lula privilegiou alianças por cima e o PT praticamente abandonou as ruas e sua base eleitoral. Esse é o problema. A maneira como a grande imprensa se comporta é a mesma de sempre. Seria ingenuidade não levar isso em consideração.
A vulnerabilidade da candidatura de Lula é resultado de sua política equivocada e, caso queiram ter uma chance de vencer as eleições, precisam mudar radicalmente de postura. Resta saber se haverá tempo para tal.





