Política internacional

Imprensa imperialista apoia sem pudor a guerra contra o Irã

A imprensa burguesa dos países imperialistas mobilizou-se integralmente para apoiar o ataque conjunto dos Estados Unidos e “Israel” contra o Irã

A imprensa burguesa dos países imperialistas mobilizou-se integralmente para apoiar o ataque conjunto dos Estados Unidos e “Israel” contra o Irã, que assassinou Ali Khamenei e pelo menos 153 meninas em um bombardeio a uma escola em 28 de fevereiro. Os grandes órgãos jornalísticos, veículos como The New York Times, Washington Post, BBC, CNN e outros, apresentaram a agressão como ação defensiva e humanitária, com o intuito de apoiar a derrubada do governo iraniano.

No dia 28 de fevereiro deste ano, forças americanas e “israelenses” lançaram uma operação militar conjunta massiva contra o Irã. Bombardeios atingiram cidades em todo o território iraniano, culminando no assassinato do aiatolá Ali Khamenei em Teerã. A declaração explícita era de que o objetivo era derrubar o governo da República Islâmica.

Apesar da gravidade dos fato, incluindo o ataque que destruiu a escola primária Shajareh Tayyebeh em Minab, matando ao menos 153 meninas, e ferindo dezenas de outras, a imprensa burguesa esforçou-se para enquadrar as ações como proteção dos Estados Unidos e de “Israel”. O boletim do New York Times estampou a manchete “Irã escolhe o caos”, retratando a República Islâmica como principal responsável pelo conflito iniciado pelo imperialismo.

O veículo The Free Press adotou em uma manchete a antítese tipicamente apresentada por Orwell no livro 1984 “guerra é paz”, usada para descrever a propaganda de um regime totalitário. O título da matéria do The Free Press foi “a guerra é a melhor chance de paz para os iranianos”, transformando crimes de contra a população iraniana em atos de bondade para ela.

Sob a direção de Bari Weiss, que declarou publicamente ser “fanática sionista”, referindo-se a si mesma, a CBS News converteu-se em porta-voz das Forças de Defesa de “Israel” (FDI). A emissora fez uma entrevista chapa branca com o brigadeiro-general Effie Defrin e descreveu em suas matérias a guerra “israelense” como medida para “prevenir uma ameaça global mais ampla”.

Em toda a imprensa dos países imperialistas, prevaleceu o uso da voz passiva para ocultar os agressores ao relatar os ataques. A BBC exemplificou isso com a manchete “Pelo menos 153 mortos após suposto ataque a escola, diz Irã”, formulada de modo a ao mesmo tempo duvidar do fato, pois diz que foi uma afirmação “do Irã”, esconder que os assassinados eram crianças, meninas, porque fala somente em “mortos”, sem dizer quem morreu, e ocultar que foram potências estrangeiras hostis, EUA e “Israel”, que as bombardearam, pois não diz também o autor. Até mesmo o fato, um bombardeio, fica diluído genericamente através da palavra “ataque”.

A linguagem sobre ações “israelenses” foi suavizada para soar razoável, enquanto a iraniana foi endurecida para parecer ameaçadora. O Washington Post escreveu, por exemplo: “Israel insta evacuação de subúrbios do sul de Beirute; Irã ameaça vingança contra EUA por causa de navio de guerra”. “Israel” apareceu como entidade que busca minimizar danos civis, enquanto a resposta iraniana ao afundamento de seu navio em águas internacionais foi retratada como perigosa.

A imprensa burguesa rotineiramente chamou o governo iraniano de “regime”, termo usado por Bloomberg, Washington Post, Wall Street Journal, Financial Times, CNN e NBC News, deslegitimando-o de imediato. A expressão “regime israelense” praticamente não aparece, salvo em citações de autoridades iranianas. Apesar de a palavra “regime” contemplar tanto ditaduras quanto democracias, havendo regimes abertos, chamados de democracia, e regimes fechados, chamados de ditadura, ela é subjetivamente mais associada às ditaduras.

No início da semana, tropas “israelenses” invadiram novamente o sul do Líbano em grande escala. A imprensa tentou legitimar a invasão com eufemismos como “cruzar para o Líbano” ou culpando o Hesbolá pela violência. A CNN escreveu que “o Hesbolá está arrastando o Líbano para a guerra contra o Irã” e que “o Hesbolá apenas reiniciou a luta que “Israel” estava esperando para terminar”, invertendo quem atacava quem.

Perfis bajuladores de líderes “israelenses” multiplicaram-se. The Atlantic publicou que “a longa carreira de Benjamin Netanyahu foi construída na evitação de conflitos — então, o 7 de outubro o transformou e radicalizou”. No Reino Unido, o Daily Telegraph o chamou de “o grande líder de guerra da nossa era” e “gênio”.

A capa do Daily Telegraph na segunda-feira trouxe a manchete “Grã-Bretanha apoia guerra contra o Irã”, acompanhada de foto de iranianos da diáspora aplaudindo os bombardeios. Contudo, a pesquisa do YouGov do mesmo dia revelou que apenas 28% dos britânicos apoiam as ações EUA-”Israel”, contra 49% que se opõem.

Para conter a crise da oposição interna do Reino Unido à guerra, o âncora da BBC Nick Robinson sugeriu no ar que protestos contra os ataques deveriam ser proibidos no país. A posição não surpreende: o editor do Oriente Médio da BBC, Raffi Berg, ex-agente da CIA e colaborador do Mossad, com carta de recomendação de Netanyahu guardada como recordação em um quadro em sua parede, é acusado por funcionários anônimos (em reportagem do Drop Site News) de diluir críticas a “Israel”, exercer enorme poder na emissora e fomentar cultura de medo extremo sobre conteúdos desfavoráveis a “Israel”, transformando a cobertura em propaganda sistemática “israelense”. A BBC nega as alegações.

Nos Estados Unidos, viés similar predomina. Memorando vazado do New York Times em 2023 instruiu repórteres a evitar termos como “genocídio”, “massacre”, “limpeza étnica”, “campo de refugiados”, “território ocupado” ou “Palestina” ao tratar de ações “israelenses”. Na CNN, após 7 de outubro, o CEO Mark Thompson determinou que o Hamas (e não “Israel”) fosse responsabilizado pela violência, que o Ministério da Saúde de Gaza fosse sempre chamado de “controlado pelo Hamas” e que visões do Hamas não fossem noticiadas por serem apenas “propaganda inflamatória”.

O conglomerado Axel Springer (dono de Politico e Business Insider) exige que funcionários assinem apoio à “aliança transatlântica e Israel”, demitindo quem questiona. Redações americanas abrigam centenas de ex-lobistas de conglomerados e ONGs sionistas como AIPAC, StandWithUs e CAMERA (investigação do MintPress News), além de ex-agentes da Unidade 8200 (inteligência das FDI) na CNN e Axios.

Com redações dominadas por apoiadores fervorosos de “Israel”, a cobertura alinha-se aos interesses de Washington e Tel Aviv. Agora, com CNN, CBS News e TikTok sob controle de Larry Ellison, ativo da CIA, maior financiador privado das FDI e amigo próximo de Netanyahu, a propaganda imperialista deve tornar-se cada vez mais agressiva e falaciosa.

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