Eleições 2026

Quem dorme com cães acorda com pulgas

Jornalista que apoiou o STF e insistiu que não havia contrato entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o banco Master, culpa a esquerda pela queda de popularidade de Lula

Lula e Xandão

Lula e o PT, nas últimas eleições, cometeram um grave erro ao deixar de lado sua base para se apoiarem em acordos feitos por cima e no Supremo Tribunal Federal – STF. Em vez de criticar essa postura, e alertar os riscos, parte da esquerda pequeno-burguesa, no afã de defender o PT, passou a apoiar o Supremo, essa instituição golpista, com unhas e dentes. Esse é o caso do artigo Vaza plano de usar o STF para atingir Lula, de Eduardo Guimarães, publicado no Brasil247 nesta quarta-feira (11).

Guimarães diz que “em um ano eleitoral como 2026, sob ameaça de vitória daqueles que tentaram implantar uma ditadura militar no país em 2022/2023, os indicadores econômicos deveriam ser o grande trunfo do presidente Lula na busca pela reeleição”. O problema é que os acordos do Partido dos Trabalhadores, com pouca mobilidade devido à pressão do Congresso, obrigaram o governo a tomar medidas impopulares ou de pouco efeito.

Os indicadores, apesar de toda propaganda, não estão de fato melhorando a vida da população, apesar de Guimarães afirmar que “com Inflação controlada, desemprego, pobreza, miséria e desigualdade caindo; com PIB crescendo acima da média global e salário médio do trabalhador de R$ 3.652,00 (segundo o IBGE); e com medidas como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a visão popular sobre o governo deveria ser diferente”. O desemprego, por exemplo, é um índice enganador, pois boa parte da população deixou de procurar emprego e passou a se virar.

A inflação foi controlada de que maneira? Com juros a 15% ao ano, cortando na carne da população e endividando as famílias. Mais de 50 milhões de brasileiros dependem diretamente do Bolsa Família.

Queda de popularidade

O jornalista acredita que esses índices, e “recuperação econômica sólida”, deveriam aumentar a popularidade de Lula nas intenções de voto para as próximas eleições, mas se tem observado o contrário.

A resposta para esse descompasso entre os números e ânimo do eleitorado, seria a de que “a queda na popularidade de Lula coincide perfeitamente com uma campanha orquestrada de ataques ao Supremo Tribunal Federal, especialmente contra ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli”.

Após ignorar os alertas sobre o grave erro político, “juristas como o professor Pedro Serrano, o doutor Lenio Streck, o advogado Kakay e o grupo Prerrogativas (representado por Marco Aurélio Carvalho) já pediram comedimento aos críticos que não sejam extremistas políticos irresponsáveis. Ou seja: à imprensa”. O Prerrogativas, que não consultou ninguém para propor Geraldo Alckmin como vice de Lula, vem agora pedir comedimento? A imprensa alternativa, aliás, tem sido bastante cuidadosa. Pior, apoiou essas estrepolias: festejou o vice, o Supremo, e mesmo a Polícia Federal, todos golpistas.

Eduardo Guimarães recorre a argumentos do tipo: não peçam prisão de Moraes e Toffoli quando tem bandido pior solto por aí. Segundo diz, “o que começou como uma matéria isolada na Globo, assinada pela jornalista Malu Gaspar em 9 de dezembro de 2025, sobre supostos contratos da esposa de Moraes com o Banco Master, evoluiu para uma avalanche de críticas que contaminou não só a direita bolsonarista, mas parte da esquerda e a mídia corporativa”.

O jornalista deveria explicar que essa briga toda acontece com setores da burguesia, do grande capital, que resolveram botar um frio no STF, que ignorou alertas e invadiu áreas que não deveria. Veículos de imprensa, como o Brasil247, por exemplo, se limitou a dor notícias. O próprio Guimarães, que é colunista, fez uma intensa campanha em favor dos ministros. Mesmo hoje, quando tudo aponta que deveria pular dessa canoa furada.

Índices

Eduardo Guimarães elenca a tendência decrescente de votos em Lula: Dezembro/2025: 47,0%; Janeiro/2026: 45,5% e Fevereiro/2026: 44,0%. Para o jornalista, “em janeiro, críticas a Toffoli por suposta corrupção que não cita o que ele teria dado em troca de supostos benefícios vorcarianos, ganharam espaço; parte da esquerda, influenciada por narrativas de “autoritarismo ou falta de ética judiciários”, começou a atacar Moraes e Toffoli, criando uma rachadura interna”.

Talvez o jornalista não se dê conta, mas escreve como se os ministros do STF fossem integrantes da esquerda, da classe trabalhadora, quando são seus inimigos declarados.

Sobre o racha, Eduardo Guimarães diz que “Edson Fachin, ministro do STF, isolou-se ao propor um código de conduta que insinuava desvios morais no tribunal, alimentando a ideia de que o STF estava ‘podre’”. Na verdade, a burguesia, que, ao contrário da esquerda pequeno-burguesa, sabe o que está fazendo tenta preservar uma parte dessa instituição, muito útil para controlar a política nacional.

Consequências

Agora, o bolsonarismo, que sempre se apresentou demagogicamente como antissistema, se aproveita para impulsionar seu candidato, Flávio Bolsonaro, que não era o desejado pela burguesia, mas nada impede que esta o abrace.

O jornalismo que acha que a esquerda criticava (desde sempre) o STF e burra, agora reclama que “vazamentos recentes de conversas entre assessores bolsonaristas e jornalistas reforçam a coordenação sobre “Usar o STF para bater no Lula sem sujar as mãos na economia”, segundo áudio atribuído a um aliado de Flávio Bolsonaro que está circulando em redes alternativas”. Quem é inteligente agora?

Guimarães insiste, diz que “é preciso lembrar que só a resistência firme do STF contra o bolsonarismo garantiu que o Brasil, pela primeira vez na história, punisse generais golpistas e condenasse uma tentativa de golpe de Estado”. Não percebe que a “resistência” ao bolsonarismo é uma novidade no Supremo, pois a corte colocou ilegalmente Lula na cadeia, o impediu de dar entrevistas – ou mesmo figurar na campanha eleitoral de Haddad –, o que deixou caminho livre para Jair Bolsonaro ser eleito.

Desta vez, o Supremo foi atrás do ex-presidente porque a ordem era essa, a burguesia quer um candidato ferozmente neoliberal e que não esteja limitado por uma base social, como nos casos de Bolsonaro e Lula.

Guimarães disse o tempo todo que não havia um contrato entre o escritório da esposa de Alexandre de Moraes e o Banco Master. Informação que, aliás, nunca foi negada. Agora, que senhora Barci de Moraes finalmente reconhece, Guimarães insiste em passar vergonha e agride quem não aceita aquilo que é impossível negar.

O PT foi se juntar ao STF e agora a sujeira respinga em Lula. Não adianta colocar a culpa no eleitor ingrato que não reconhece como a vida melhorou, na imprensa que faz seu papel de noticiar, ou na esquerda que nunca se rendeu.

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