O governo da Espanha retirou em caráter permanente seu embaixador de “Israel” e rebaixou o nível das relações diplomáticas com o país, enquanto a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, declarou nesta quarta-feira (11) que seu governo não participará dos ataques dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã.
A decisão espanhola foi formalizada na terça-feira (10). O governo informou que o cargo de embaixador em “Israel” será extinto e que a representação espanhola passará a ser chefiada, por tempo indeterminado, por um encarregado de negócios. A medida foi proposta pelo ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, e aprovada pelo Conselho de Ministros.
As relações entre os dois países já vinham deteriorando-se desde o ano passado. A então embaixadora Ana María Salomón Pérez havia sido chamada de volta à Espanha em setembro, após o governo espanhol proibir a passagem de navios e aviões que transportassem armamentos para “Israel” a fim de abastecer sua ofensiva em Gaza. Na ocasião, o governo israelense classificou a medida como “antissemitismo”.
Desde o início da guerra em Gaza, a Espanha passou a condenar de forma reiterada a conduta de “Israel” e reconheceu formalmente o Estado palestino. Com a ampliação da guerra contra o Irã, o governo espanhol elevou novamente o tom. O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que a Espanha não será “cúmplice de algo que é ruim para o mundo simplesmente por medo de represálias de alguém”.
A posição espanhola também provocou atritos com os Estados Unidos. O governo da Espanha informou que não permitirá o uso de bases militares conjuntas em seu território para ataques contra o Irã. A decisão desagradou Donald Trump, que ameaçou suspender o comércio com o país e voltou a pressionar a Espanha por não atingir a nova meta da OTAN de gastos militares equivalentes a 5% do Produto Interno Bruto.
Apesar das ameaças públicas, Albares afirmou na terça-feira que as relações com Washington seguem “normais”. Segundo o chanceler, a embaixada espanhola nos Estados Unidos continua operando normalmente, assim como a missão diplomática norte-americana em território espanhol.
No mesmo contexto de escalada militar, Meloni afirmou ao Parlamento italiano que a Itália “não está participando e não participará” da guerra contra o Irã. A declaração foi divulgada pela Bloomberg e marcou a posição oficial do governo italiano diante da ofensiva conduzida por Washington e “Israel”.
Ao explicar a posição de seu governo, a primeira-ministra afirmou que a ampliação da guerra faz parte de uma crise mais ampla do direito internacional. Também pediu unidade interna em torno da defesa dos interesses italianos, em um momento em que a guerra passou a ocupar o centro do debate político no país.
Meloni declarou ainda que a Itália trabalhou com o Catar e o Omã em tentativas de evitar uma intervenção militar antes do início da guerra. Segundo ela, o governo italiano mantém há muito tempo canais abertos com o Irã e sediou, no ano passado, duas rodadas de negociações nucleares.
Além da recusa em participar da ofensiva, a chefe do governo italiano afirmou que poderá adotar medidas econômicas diante da alta dos preços da energia provocada pela guerra. Sem detalhar as providências, disse que o governo está preparado para agir contra empresas que estejam especulando com a crise e poderá ampliar a taxação dessas companhias.



