Na última semana, Mohsen Rezaei, secretário do Conselho de Discernimento (órgão de mediação entre o Parlamento e a Assembleia dos Peritos) e oficial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), concedeu uma entrevista à emissora Mehr News sobre a atual situação iraniana em seu combate à agressão imperialista.
Na ocasião, Rezaei explicou qual foi o principal erro cometido pelos Estados Unidos ao lançar, em conjunto com “Israel”, o ataque contra o Irã em 28 de fevereiro. Para o oficial, os EUA achavam que a guerra seria rápida, o que muda completamente o planejamento necessário quando comparado a uma guerra de longa duração. Ao mesmo tempo, ressaltou que o exército iraniano traria “notícias muito mais alegres ao estimado povo do Irã” nos próximos dias.
Confira, abaixo, a transcrição conforme tradução feita pelo Diário Causa Operária (DCO).
“Na última entrevista que fiz, no quinto dia de operações, disse que havíamos passado do auge [da agressão] e que nós estávamos descendo. Agora chegamos nessa fase de descida. Viram o que aconteceu ontem à noite em Telavive? Quer dizer, nós destruímos os radares, nós destruímos a infraestrutura. Hoje, de fato, o senhor Trump e Netaniahu ficaram presos numa armadilha mortal no Golfo Pérsico. Nos próximos dias e semanas, serão dadas notícias muito mais alegres ao estimado povo do Irã.
Vejam: o maior erro que cometeram foi planejar uma guerra de curta duração sem perceber que ela poderia se tornar longa. Mesmo as maiores potências do mundo, se planejam inicialmente uma guerra curta mas no meio do caminho ela se transforma em guerra longa, não importa o poder que tenham serão derrotadas. Por quê? Porque guerras de curta duração exigem um planejamento específico. Elas requerem logística limitada, preparação limitada. A guerra longa exige logística abundante, planejamentos abundantes e é necessário antecipar muitas consequências.
Eles achavam que em 48 a República Islâmica estaria derrotada. Primeiro, trouxeram um porta-aviões, depois, recentemente, disseram: “por precaução, vamos levar outro navio também”. Mas agora dizem: “precisamos trazer todos os porta-aviões que temos, de qualquer lugar do mundo, para ver se conseguimos dar conta disso”.
O próprio porta-aviões USS Ford, que agora veio em direção ao Mediterrâneo, está na hora de suas [a tripulação] férias. Tem cerca de cinco a seis mil funcionários dizendo “precisamos entrar de férias”. Porque durante o período em que estavam na Venezuela, quando a missão havia terminado, foi dito a eles: “vocês vão [para o Irã] por 48 horas e voltarão”.
Além disso, esses porta-aviões normalmente precisam de manutenção a cada seis meses, precisam recarregar munições e muitas outras coisas precisam ser feitas. Eles vieram para 48 horas, agora, se precisarem ficar por longo prazo, vão enfrentar o cansaço da tripulação, falta de munição e outros problemas.
Em segundo lugar, eles não pensaram que a guerra se tornaria longa. Não pensaram, por exemplo, que o preço do petróleo subiria de 80 dólares para 110. Vocês devem esperar petróleo a 120, 150 dólares nos próximos dias.
Bom, e isso significa o quê? Significa que toda a economia mundial entra em colapso. Se a economia mundial entrar em colapso, o mundo vai permitir que Trump continue a guerra? Os países da região vão permitir que esta guerra continue?”




