O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (8) que a República Islâmica rejeita qualquer proposta de cessar-fogo na guerra contra os Estados Unidos e “Israel”. Em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, o chanceler declarou que o país não aceitará uma nova trégua temporária e insistiu que a agressão só pode terminar com um fim permanente da guerra. A declaração foi dada no mesmo dia em que o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou a 28ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de encerrar a guerra e retomar negociações com os Estados Unidos, Araghchi respondeu que isso não será feito nos termos exigidos por Washington. “E agora vocês querem pedir um cessar-fogo de novo? Isso não funciona assim… É preciso haver um fim permanente para a guerra”, declarou. Em seguida, acrescentou: “a menos que cheguemos a isso, acho que precisamos continuar lutando em nome do nosso povo e da nossa segurança”.
As declarações vieram dois dias depois de Donald Trump afirmar que a única forma de encerrar a guerra seria o Irã anunciar uma “rendição incondicional”. Araghchi respondeu que Trump já havia feito exigências semelhantes na guerra anterior e afirmou que esse tipo de imposição nunca funcionará. Segundo o chanceler, o Irã jamais se renderá e seguirá combatendo pelo tempo que for necessário.
Questionado sobre a suposta ajuda de inteligência russa para localizar alvos militares norte-americanos na região, Araghchi não confirmou diretamente a informação. Disse, porém, que Moscou ajuda Teerã “em muitas direções diferentes” e acrescentou que a cooperação entre Irã e Rússia “não é algo novo” e “não é segredo”.
28ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4
Também neste domingo, o CGRI anunciou o lançamento da 28ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4. Segundo o comunicado, a ofensiva utilizou mísseis “Kheibar”, apresentados como parte de uma nova geração de armamentos e equipados com ogivas muito pesadas. Os disparos atingiram Bir al-Saba, Telavive e a infraestrutura ligada à base aérea de Al-Azraq.
A nota descreve Al-Azraq como a maior e mais importante base ofensiva usada pelos aviões norte-americanos empregados na agressão contra o Irã. O CGRI afirmou ainda que a base foi atacada repetidas vezes. Segundo a organização, alvos militares em Telavive e Bir al-Saba também foram atingidos por mísseis Kheibar com ogivas ultrapesadas.
No mesmo comunicado, o CGRI declarou que o “tamanho e a profundidade” dos ataques iranianos contra os inimigos aumentarão nas próximas horas e nos próximos dias. Acrescentou que mais informações sobre as operações retaliatórias serão divulgadas posteriormente ao povo iraniano.
CGRI anuncia aumento de VANTs e mísseis
A agência Fars, citando fontes informadas, afirmou que o CGRI começaria ainda na noite de domingo uma intensificação significativa de suas operações ofensivas. Segundo essas fontes, as ações com VANTs seriam ampliadas em cerca de 20%, enquanto o uso de mísseis estratégicos e ultrapesados seria dobrado.
De acordo com a agência, a medida é uma resposta à “brutalidade de Trump e da Casa Branca”. O objetivo anunciado é reforçar a dissuasão iraniana e impor uma resposta decisiva a qualquer nova agressão contra os interesses do país e contra sua população.
A Fars informou ainda que o Irã alterou sua lista de alvos após os recentes ataques contra sua infraestrutura. Segundo a reportagem, a resposta iraniana deixará de se limitar a instalações militares e a estruturas diretamente ligadas aos Estados Unidos e à entidade sionista, passando a incluir também importantes interesses econômicos e estratégicos norte-americanos e sionistas em toda a região.
A agência acrescentou que a decisão foi tomada depois de autoridades dos Estados Unidos e de “Israel”, fracassando em dobrar o povo iraniano, passarem a fazer ameaças públicas contra ele. A mesma reportagem destacou que a agressão recente causou danos extensos à infraestrutura iraniana, incluindo escolas, centros de saúde e outras instalações civis essenciais.
Comando iraniano promete continuar a guerra
O comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, major-general Ali Abdollahi, afirmou neste domingo que o Irã continuará a guerra até que os Estados Unidos e “Israel” se arrependam da agressão lançada contra a República Islâmica. Segundo ele, o país possui hoje armas avançadas, de alta precisão, superiores ao que o inimigo calcula sobre a capacidade militar iraniana.
Abdollahi declarou que as Forças Armadas permanecerão ao lado da República Islâmica até o último suspiro e farão os inimigos lamentarem seus atos. Também afirmou que os Estados Unidos e o regime sionista sempre cometeram erros de cálculo em relação ao Irã e recordou que Teerã sempre avisou que responderia ao inimigo no campo de batalha.
Em outra declaração, disse que os agressores já deveriam ter entendido que o Irã “não é homem de slogans, mas homem de campo de batalha”. Comentando as alegações do inimigo de que conheceria o estado do arsenal iraniano, o comandante afirmou que eles descobrirão no campo de batalha que não sabem nada sobre o poder dissuasório da República Islâmica. Em outra fala, resumiu a mensagem dirigida aos inimigos: que “contem os mísseis na batalha”.
O comandante acrescentou que todas as forças iranianas estão presentes no terreno com moral elevada e forte disposição para vingar o sangue dos mártires, em particular o do Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Ali Khamenei. Disse ainda que, enquanto o inimigo ataca estudantes e pessoas inocentes em suas casas, o Irã atingirá centros militares, equipamentos militares e todos os alvos necessários para fazê-lo se arrepender. Segundo Abdollahi, a vitória final caberá à República Islâmica e ao grande povo iraniano.
Ataques anteriores atingiram Haifa e ativos norte-americanos
Na 27ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4, o CGRI informou que a refinaria de petróleo de Haifa foi atingida por sistemas de mísseis Kheibar Shekan. Segundo a organização, a ação foi uma resposta ao ataque dos Estados Unidos e de “Israel” contra a refinaria de Teerã.
O comunicado afirmou que a operação foi conduzida por meio de uma ação complexa com mísseis e VANTs contra alvos norte-americanos e sionistas. Instalações militares em Haifa, na Palestina ocupada, foram atingidas com precisão por mísseis de combustível sólido capazes de ser guiados até o momento do impacto.
Segundo o CGRI, unidades de VANTs também atingiram um local onde havia militares norte-americanos estacionados na área da Marina, perto de edifícios da Warner Bros. A força naval da organização bombardeou ainda a unidade de comando de embarcações não tripuladas da Quinta Frota dos Estados Unidos, além de depósitos militares norte-americanos em Bandar Salman.
Na mesma nota, o CGRI afirmou que seu monitoramento de campo indica que “Israel” tenta usar moradores do norte e do centro da Palestina ocupada como escudos humanos para proteger suas forças militares.
Pezeshkian reafirma direito de resposta
O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, reafirmou neste domingo o direito do país de responder a ataques lançados a partir de qualquer território estrangeiro. Segundo ele, se o inimigo invade o território iraniano a partir de outro país, o Irã precisa responder ao ataque, e isso não significa hostilidade contra o povo desse país.
Pezeshkian afirmou que o Irã é amigo e irmão dos países da região e defendeu que todos se unam para frustrar os planos dos Estados Unidos e de “Israel”. Também disse que os países vizinhos devem resolver suas divergências entre si e impedir que o inimigo os arraste para a guerra e para a discórdia.
“Nós nos colocamos firmemente contra e respondemos com força àqueles que atacam nosso país”, declarou. Em seguida, afirmou que o Irã não se curvará à prepotência, à opressão e à agressão. O presidente também pediu desculpas aos povos da região pela tensão atual e sustentou que os iranianos, independentemente de suas posições políticas, permanecerão unidos e não permitirão que os inimigos tomem sequer um centímetro de seu território.
Ministério Público anuncia confisco de bens
Também no domingo, o Ministério Público iraniano informou que confiscará bens e propriedades de cidadãos iranianos que vivam no exterior e sejam considerados culpados de colaborar com o inimigo durante a guerra. Em nota, o órgão citou uma lei aprovada em outubro do ano passado segundo a qual qualquer forma de cooperação com o regime sionista, com os Estados Unidos ou com outros Estados ou grupos hostis está sujeita à confiscação de todos os bens e a outras penas previstas no Código Penal Islâmico.
O texto acrescenta que atividades de inteligência, espionagem ou ações operacionais em favor desses governos, Estados ou grupos também implicam confisco de bens e pena de execução. A nota reproduz a formulação legal segundo a qual qualquer ação operacional em favor do regime sionista, do governo dos Estados Unidos ou de outros regimes e grupos hostis contra a segurança do país acarreta confisco de todos os bens e pena capital.
O Ministério Público afirmou ainda que o sangue do mártir Saied Ali Khamenei fortaleceu a unidade nacional. O órgão também agradeceu à população pelo papel desempenhado no reforço da segurança do país no atual momento de guerra.





