Guerra no Oriente Próximo

Exército iraniano: atacaremos os EUA, e não nossos vizinhos

Irã afirma que não atacou países vizinhos e diz que bases e interesses dos EUA e de “Israel” usados na agressão seguirão como alvos militares

O quartel-general central Khatam al-Anbiya declarou neste sábado (7) que o Irã “não realizou qualquer ato de agressão” contra os países vizinhos e que segue respeitando sua soberania e seus interesses nacionais. Ao mesmo tempo, o comando militar afirmou que todas as bases e interesses dos Estados Unidos e do regime sionista em terra, no mar e no ar, em toda a região, serão considerados alvos legítimos dos ataques iranianos.

A declaração foi divulgada após pronunciamento do presidente Masoud Pezeshkian. Segundo ele, o conselho interino de liderança aprovou no dia anterior a determinação de que os países vizinhos não devem mais ser atingidos e que mísseis não devem ser lançados contra eles, salvo se um ataque ao Irã partir desses próprios territórios. Em publicação na rede X, Pezeshkian afirmou que a República Islâmica sempre defendeu a preservação das relações amistosas com os governos da região, com base na boa vizinhança e no respeito mútuo à soberania nacional e à integridade territorial.

A mesma posição foi reforçada pelo porta-voz das Forças Armadas iranianas, general Abolfazl Shekarchi. Ele afirmou que qualquer ponto identificado como fonte de agressão contra a República Islâmica será um alvo legítimo. Segundo o comandante, o esforço de Teerã sempre foi o de impedir que os países vizinhos sejam atingidos. Acrescentou, no entanto, que qualquer país que permita o uso de seu espaço aéreo, de seu território ou de suas instalações pelo inimigo contra o Irã será considerado alvo, enquanto os países que não fizerem isso terão sua segurança preservada.

Também neste sábado, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) declarou que, caso prossigam as ações hostis, “todas as bases militares e interesses da criminosa América e do falso regime sionista, em terra, no mar e no ar, em toda a região, serão considerados alvos primários” e ficarão sob “ataques poderosos e devastadores” das Forças Armadas da República Islâmica.

Na sexta-feira (6), o tenente-coronel Ibrahim Zolfaghari, porta-voz do quartel-general Khatam al-Anbiya, já havia advertido que as Forças Armadas iranianas atacariam com força qualquer base usada pelos Estados Unidos e por “Israel” para lançar golpes contra o território iraniano. Neste sábado, ele declarou que 21 militares norte-americanos foram eliminados e vários outros ficaram feridos nos ataques iranianos contra a infraestrutura da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos na região. Acrescentou que cerca de 200 integrantes das forças norte-americanas também foram mortos ou feridos nos ataques contra a base aérea de Al-Dhafra. Segundo ele, as forças iranianas ainda atingiram um petroleiro pertencente aos Estados Unidos na parte norte do Golfo Pérsico.

O chefe do Judiciário iraniano, Gholam Hossein Mohseni-Ejei, afirmou que os ataques contra bases e ativos militares dos Estados Unidos e de “Israel” usados na agressão contra a República Islâmica continuarão. Segundo ele, as provas reunidas pelas Forças Armadas mostram que a geografia de alguns países da região está sendo controlada, de forma aberta ou encoberta, pelo inimigo, e que esses locais vêm sendo usados contra o Irã. Mohseni-Ejei, que integra o conselho interino de liderança, declarou que “ataques sérios” contra esses alvos continuarão e afirmou que o governo e os demais pilares do regime estão de acordo com essa política. Em seguida, reiterou que o Irã “jamais prejudicará quem não o tenha atacado”.

Ao mesmo tempo, cresceram as tensões em torno do espaço aéreo e do território de países vizinhos. Autoridades turcas alegaram nesta semana que as defesas antimísseis da OTAN interceptaram um projétil balístico supostamente lançado do Irã, que teria cruzado o espaço aéreo iraquiano e sírio antes de se aproximar da fronteira entre a Síria e a Turquia. No Azerbaijão, autoridades acusaram Teerã de um ataque com VANT contra o terminal do aeroporto de Naquichevão, levando o presidente Ilham Aliyev a declarar que o Irã “se arrependerá”. O governo iraniano negou de forma categórica participação em ambos os episódios.

Também surgiram declarações apontando que parte dos ataques contra instalações em países do Golfo pode não ter sido realizada pela República Islâmica. Em entrevista à Asharq News, o jornalista saudita Adhwan al-Ahmari afirmou que “nem todos os ataques” contra países do Golfo vieram do Irã e advertiu que a guerra pode ser “uma armadilha norte-americana-israelense” para implicar esses países e arrastá-los para um confronto com Teerã. Em declarações ao Middle East Eye, autoridades iranianas sustentaram que alguns dos ataques recentes contra infraestrutura energética do Golfo não foram realizados por Teerã. Uma dessas fontes afirmou que o ataque contra a instalação da Aramco em Ras Tanura foi “um esforço israelense para sabotar a paz regional e as alianças entre vizinhos”.

Segundo essas informações, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Cuaite, Barém e Omã sofreram ataques em seus territórios em meio à presença de ativos militares norte-americanos nesses países. As autoridades iranianas têm insistido que a linha adotada por Teerã é a de não atacar países vizinhos, concentrando os ataques em bases, instalações e interesses dos Estados Unidos e de “Israel” utilizados na agressão contra a República Islâmica.

Shekarchi afirmou ainda que o Irã não recuará diante dos Estados Unidos e de “Israel” e declarou que os países da região devem se unir para expulsar os norte-americanos, que, segundo ele, são a principal fonte de insegurança nas terras islâmicas.

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