Nesta quinta-feira (26) o Corpo de Bombeiros de Juiz de Fora, Minas Gerais atualizou o número de mortes referente às fortes chuvas que atingem o Estado desde segunda-feira (23). Juiz de Fora e Ubá concentram os casos mais graves, com deslizamentos de terra, soterramentos e desabamentos de imóveis, além de alagamentos e transbordamento de rios.
Conforme a instituição, socorristas encontraram 54 corpos de vítimas mortas em Juiz de Fora e em Ubá, na Zona da Mata de Minas. São 47 mortes em Juiz de Fora e seis em Ubá. O Corpo de Bombeiros confirmou ainda 15 pessoas desaparecidas, sendo 13 em Juiz de Fora e duas em Ubá. O trabalho de buscas é feito em oito frentes, seis delas em Juiz de Fora. Há registro de ao menos 14 pessoas desaparecidas.
Durante a madrugada desta quinta-feira, a tensão ainda era grande, a chuva atingiu a cidade de Juiz de Fora com muita força. Foram registrados vários pontos de alagamento. Segundo o jornal Itatiaia Minas Gerais, no bairro Graminha, próximo ao escorregamento da Rua Valdomiro Eloi do Amaral, a Defesa Civil interditou casas durante a madrugada após vistorias nos imóveis.
“Durante a noite, imagens mostraram o Rio Paraibuna com elevação de cerca de quatro metros, saindo da calha e provocando novas interdições em vias importantes da cidade, como a Ponte Vermelha, no bairro Santa Terezinha, e o Mergulhão. A Avenida Rio Branco, principal via da cidade, chegou a ficar completamente tomada pela água, formando praticamente um rio.” Informou o Itatiaia.
A Defesa Civil informou que 35 ruas e oito bairros estão em processo de evacuação preventiva, diante do risco elevado de novos deslizamentos e alagamentos. O pedido das autoridades é para que moradores de áreas já mapeadas como de risco não retornem para casa, mesmo que o tempo apresente melhora momentânea. Há um alerta de chuva forte ainda para esta quinta-feira a partir das 15h.
Segundo dados apurados do portal da Transparência Estadual, há uma redução nos investimentos do governo de Minas Gerais em ações relacionadas aos impactos das chuvas superior a 95% entre 2023 e 2025. O programa “Suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas”, que reúne diferentes iniciativas de prevenção, atendimento e recuperação, passou de cerca de R$ 135 milhões pagos em 2023 para aproximadamente R$ 6 milhões em 2025.
Conforme notícias e registros oficiais, o programa teve R$ 134.829.787,08 em valores pagos em 2023. No ano seguinte, o total caiu para R$ 41.113.405,70. Em 2025, os desembolsos foram de R$ 5.875.482,42. Com isso, os investimentos caíram cerca de 96% no período. Além da retração no programa amplo, ações específicas que integram essa mesma estrutura orçamentária, como gestão de desastres e mitigação de danos causados pelas chuvas, também tiveram forte redução.
Não há surpresa nenhuma, é apenas isso que se pode esperar das políticas neoliberais, que só podem levar a desastres. Chuvas fortes acontecem em todos os lugares e é possível prever e se antecipar, no entanto, quando não se investe em políticas públicas o resultado é sempre um crime contra a população. Além das mortes, há um número superior a 4 mil pessoas desalojadas e desabrigadas neste momento. Números que podem aumentar muito mais ainda durante o final de semana. Enquanto isso, em vez de denunciar esse crime, a esquerda pequeno-burguesa fica colocando a culpa nos “eventos climáticos”.



