Nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, Bangladesh realizou suas primeiras eleições parlamentares após a queda da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina em 2024.
O Partido Nacional de Bangladesh (BNP) conquistou 209 cadeiras parlamentares; o Jamaat-e-Islami (JIB), 68 cadeiras; o Partido Nacional da Cidadania (NCP), 4 cadeiras; e todas as demais forças somaram 14. O Parlamento de Bangladesh tem 300 cadeiras, porém 299 estavam em disputa. O partido majoritário conquistou cerca de dois terços dos assentos. O partido político Liga Awami, de Hasina, foi impedido de concorrer pela Comissão Eleitoral, e seus apoiadores declararam boicote às eleições.
O sistema parlamentar vigente no país asiático estabelece que o partido majoritário nas eleições parlamentares, caso não conquiste a maioria absoluta dos assentos, deve negociar uma coalizão com outros partidos para obter maioria e indicar o primeiro-ministro. No caso atual, o BNP não precisa iniciar nenhum tipo de negociação, pois já possui maioria para indicar Tarique Rahman, líder do partido, como primeiro-ministro e governar com sua própria base parlamentar.
Segundo o jornal Bangladesh Daily Star, o líder do BNP, Tarique Rahman, foi declarado eleito pelas circunscrições eleitorais — similares aos distritos eleitorais — de Dhaka-17 e Bogura-06. O líder do Jamaat, Shafiqur Rahman, elegeu-se pela circunscrição eleitoral Dhaka-15. O secretário-geral do BNP, Mirza Fakhrul, venceu no distrito de Thakurgaon-1.
O fundador do NCP, partido que surgiu das mobilizações de 2024, Nahid Islam, venceu no distrito de Dhaka-11. O BNP conquistou 13 dos 20 distritos da capital, Dhaka.
O principal partido de oposição, Jamaat-e-Islami (JIB), reconheceu a vitória do BNP. Contudo, este último levantou questões sobre a lisura do processo eleitoral. Em postagem na rede social Facebook, o partido destacou a divulgação de resultados não oficiais, a recusa da Comissão Eleitoral em informar o índice de comparecimento dos eleitores nas circunscrições eleitorais e o fato de que setores da administração pública atuaram em favor do partido majoritário.
A Índia foi um dos primeiros países a reconhecer a vitória do BNP. As relações entre as duas nações asiáticas estavam estremecidas desde a queda de Hasina, provocada por um violento movimento de rua encabeçado por jovens. Informações divulgadas pela imprensa indicam o patrocínio e treinamento desses jovens por ONGs ligadas aos Estados Unidos, com a finalidade de gerar caos, destruição, violência e, por fim, promover a mudança no regime político.
Os Estados Unidos e o Paquistão também reconheceram o resultado das eleições e enviaram congratulações ao BNP.
Os eleitores compareceram nesta sexta-feira para votar em duas questões diferentes. A cédula branca depositada na urna indicava o candidato escolhido, e a cédula rosa tratava do apoio às reformas constitucionais promovidas pela Carta de Julho de 2025. Os últimos dados divulgados indicam aprovação entre 60% e 70% dos eleitores à Carta de Julho.
A Carta de Julho é um conjunto de 84 propostas de reforma política, apresentadas ao país em consenso por 32 partidos políticos, que abordam 17 áreas diferentes. Das 84 propostas, 47 necessitam de emendas constitucionais para implementação, e 37 podem ser aplicadas por meio de decretos, leis ordinárias e portarias. Essas reformas visam reformular o regime político de Bangladesh.
Entre as propostas consensuais da Carta está a criação de uma Câmara Alta com 100 cadeiras, uma espécie de Senado Federal. Também figuram entre as reformas legislativas a ampliação de direitos fundamentais, melhorias na representação política das mulheres, ampliação dos poderes do Presidente da República, limitação do número de mandatos do primeiro-ministro, reconhecimento de idiomas como o bengali e medidas para proteger a independência do Poder Judiciário.
A Comissão Eleitoral destacou que o índice de participação foi de 59%, superando os 42% das últimas eleições. Há, contudo, muitas contestações sobre os índices de participação, bem como sobre o processo eleitoral.
O imperialismo mundial procura intervir na política interna dos países asiáticos, de forma a estabelecer pontos de apoio na ofensiva contra a China. Nos últimos anos, verificaram-se revoluções coloridas em Bangladesh, Nepal e Sri Lanka. Quando a imprensa imperialista celebra o retorno “da democracia” em algum país, é motivo suficiente para desconfiar.



