Gabriel Araújo

Dirigente Nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Editor da Tribuna do Movimento e do Boletim do Movimento. Militante do Partido dos Trabalhadores e colunista do Voz Operária-Rio de Janeiro.

Coluna

O crime de Nicolas Maduro

No dia 10 de julho de 2024, o governo venezuelano do presidente Nicolas Maduro (PSUV) chegou a marca de 5 milhões de unidades habitacionais entregues

No dia 10 de julho de 2024, o governo venezuelano do presidente Nicolas Maduro (PSUV), através do Ministério Para o Poder Popular para Habitat e Moradia e do programa Gran Mision Vivienda Venezuela, chegou a marca de 5 milhões de unidades habitacionais entregues.

Dezoito dias após essa entrega a Revolução Bolivariana alcançava mais uma vitória eleitoral e pela terceira vez estava eleito um líder político advindo do movimento sindical, de esquerda e dos bairros de Caracas, conferindo mais um mandato para Nicolas Maduro.

Obviamente que esse fenômeno não foi exclusivamente alcançado pelo resultado mencionado no primeiro parágrafo, para cá quero chamar atenção sobre o que há de fundamental na obtenção de tal feito, sobre a substância crucial para o seu alcance.

A Venezuela há alguns anos anteriores se encontrava em uma situação extremamente delicada por causa do bloqueio econômico que o país sofria desde 2015, iniciado pela gestão do governo dos EUA de Barack Obama (Partido Democrata). Essa situação naquele momento de julho de 2024 isso estava em pleno processo de superação.

Segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL) a Venezuela no ano de 2024 registrou um crescimento de 6,2% e no ano de 2025 foi 6,5%. O país concretizava uma vitória diante da guerra econômica através de um processo de substituição de importações e de envolvimento da própria população para superar isso.

Essa situação delicada que o país passou e a sua superação foi conduzida política e economicamente pelo presidente Nicolas Maduro. Se ela foi uma das circunstâncias que possibilitou muito sofrimento para o povo venezuelano, foi também ela que impôs a necessidade de que as forças políticas populares e nacionalistas mantivessem um processo de coesão política que inviabilizou a derrocada completa do regime político. E pelo contrário do que acreditava o Estado Profundo dos EUA, a Venezuela saiu fortalecida dessa situação.

Esse fortalecimento econômico, essa coesão política e social, inviabilizava a derrota no terreno econômico e no âmbito político da Revolução Bolivariana. No começo de 2026 essa coesão inviabilizou uma invasão por terra ou um bombardeio do país, ou seja, impossibilitou uma ação robusta dos EUA militarmente porque o custo humano seria enorme dada a tamanha decisão e coesão política existente na sociedade venezuelana.

A rápida ação de sequestro do presidente Nicolas Maduro não possibilitou uma mudança no regime político. Ela foi uma derrota momentânea? Certamente o sequestro de um chefe de Estado representa isso. Mas isso não foi suficiente para abalar de forma decisiva as instituições venezuelanas.

Trump é um político que sistematicamente lança mão de ações de efeito para desviar o foco de crises políticas internas. Ao sequestrar o presidente venezuelano ele efetuou esse tipo de movimentação para desviar o foco de uma retomada de negociações e de tentativa de normalização das relações diplomáticas com a Venezuela. Os EUA não poderiam aparentar que Nicolas Maduro estava se saindo vitorioso mais uma vez.

O crime de Nicolas Maduro Moros foi ser um construtor de vitórias ao longo de sua carreira política e principalmente nos 13 anos em que esteve à frente do poder político venezuelano, em um momento extremamente adverso e em que houve a perca precoce do principal líder da Revolução Bolivariana, que foi o presidente Hugo Chávez.

Derrotar a guerra econômica e manter o grau de coesão política, social, militar e institucional, como ocorreu e ocorre na Venezuela, sob as circunstâncias que são de conhecimento geral que o país se encontrava, é um feito gigante de capacidade de exercício de poder político, que precisa ser reconhecido e acima de tudo respeitado. 

Nicolas Maduro é um herói da luta anti-imperialista e pelo socialismo.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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