O Conselho Indígena de Roraima (CIR) divulgou, na noite de terça-feira (10), uma nota em que lamenta a morte de Gabriel Ferreira, jovem Wapichana da região de Amajari (RR), encontrado sem vida após 10 dias de buscas feitas pela própria comunidade.
No texto, o CIR afirma que Gabriel atuou como coordenador regional da juventude de Amajari e como secretário regional das lideranças de Amajari. Ele também integrou, como comunicador, a Rede Wakywaa.
A organização informou que, nos últimos dias, vinha divulgando o desaparecimento nas redes e pedindo informações sobre o paradeiro do jovem. Após a localização do corpo, o CIR cobrou “investigação rigorosa, célere, imparcial e transparente”, com responsabilização de “todos os envolvidos, diretos e indiretos”.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também divulgou manifestação de solidariedade à família e ao CIR, destacando a atuação do jovem no movimento em Roraima e defendendo apuração do caso.
Até a nota, não foram detalhadas as circunstâncias da morte nem o estágio de investigação por parte das autoridades locais.
Leia, abaixo, a nota na íntegra:
“Nota de Pesar e exigência de justiça
É com imensa dor e profundo respeito que o Conselho Indígena de Roraima (CIR) lamenta a partida de Gabriel Ferreira, jovem guerreiro do povo Wapichana, da região de Amajari, encontrado sem vida após dez dias de buscas.
Gabriel era um jovem indígena comprometido com a luta coletiva, atuante na defesa dos nossos direitos. Sua partida representa uma perda irreparável para sua família, sua comunidade e para todos nós do Movimento Indígena de Roraima.
Gabriel caminhou com firmeza, honrando seus ancestrais, defendendo os territórios e mantendo viva a sua identidade. Sua voz, sua presença e sua determinação deixaram histórias que jamais serão apagadas. Parte cedo, mas deixa um legado de resistência. Gabriel atuou como coordenador regional da juventude de Amajari, foi comunicador da Rede Wakywaa, secretário regional das lideranças de Amajari e sempre esteve na linha de frente na luta pela defesa da vida e dos direitos indígenas.
Neste momento de luto, o CIR se solidariza com os familiares, amigos e com as comunidades indígenas da região de Amajari.
Diante da gravidade do caso, o CIR exige providências imediatas e investigação rigorosa, célere, imparcial e transparente, com a responsabilização de todos os envolvidos, diretos e indiretos.
A morte de uma liderança indígena não pode ser tratada com silêncio, negligência ou indiferença. Não aceitaremos a naturalização da violência contra os povos indígenas.
Seguiremos firmes na defesa da verdade, da justiça e da memória de Gabriel.
Não haverá esquecimento. Não haverá impunidade.
Gabriel Ferreira, presente na luta, hoje e sempre.
Conselho Indígena de Roraima – CIR”





