Apontada antes da Copa do Mundo como uma seleção praticamente “imbatível” e a favorita para o título, a França encerrou sua participação no torneio fora do pódio. Neste sábado (18), os franceses perderam por 6 a 4 para a Inglaterra na disputa do terceiro lugar, realizada diante de 64.478 pessoas no Estádio Hard Rock, em Miami.
Os 10 gols estabeleceram um novo recorde para uma disputa de terceiro lugar, superando a partida entre França e Alemanha Ocidental no Mundial de 1958. Foi também o jogo com mais gols em uma Copa desde a vitória da Hungria por 10 a 1 sobre El Salvador, em 1982.
Para a Inglaterra, o resultado representou sua melhor colocação desde o título conquistado em 1966. Para a França, a derrota encerrou uma campanha muito abaixo da expectativa criada em torno de seu elenco pela imprensa burguesa. A partida também marcou a despedida de Didier Deschamps do comando da seleção francesa.
Inglaterra faz quatro no primeiro tempo
O técnico Thomas Tuchel foi recebido com vaias por parte da torcida inglesa, ainda descontente com a eliminação diante da Argentina na semifinal, três dias antes. O treinador iniciou a partida sem Harry Kane, Jude Bellingham e Jordan Pickford. Declan Rice entrou em campo como capitão, enquanto Dean Henderson ocupou o gol.
A resposta inglesa veio logo aos três minutos. Rice recebeu fora da área e acertou um chute colocado, abrindo o placar. Aos 18, o próprio meio-campista cobrou escanteio para Ezri Konsa marcar de cabeça.
A França pouco ameaçava e permitia que a Inglaterra chegasse com facilidade à sua área. Aos 37 minutos, Marcus Rashford recebeu em boa posição, mas preferiu servir Bukayo Saka, que empurrou para o gol vazio.
Saka voltou a marcar aos 45. O atacante finalizou de primeira, da entrada da área, e colocou a bola no ângulo de Maignan. A Inglaterra foi para o intervalo vencendo por 4 a 0 diante de uma seleção francesa sem reação.
França reage após quatro substituições
Deschamps promoveu quatro mudanças durante o intervalo, entre elas as entradas de Bradley Barcola e Ousmane Dembélé. Tuchel realizou apenas uma substituição.
A reação começou aos 48 minutos. Michael Olise encontrou Kylian Mbappé, que deu um toque por cima de Dean Henderson para diminuir. Seis minutos depois, Mbappé serviu Barcola, que marcou o segundo gol francês.
Aos 66, Olise voltou a encontrar Mbappé dentro da área. O atacante marcou seu segundo gol na partida e deixou o placar em 4 a 3. Com o gol, Mbappé chegou a 22 em Copas do Mundo e tornou-se o maior artilheiro da história da competição, ultrapassando Lionel Messi.
O francês também assumiu isoladamente a artilharia da Copa de 2026, com 10 gols. Messi, que disputará a final com a Argentina, tem oito. Olise, por sua vez, chegou a sete assistências no torneio.
Depois do terceiro gol, a França teve oportunidades claras para empatar. Olise desperdiçou duas delas, incluindo uma finalização de primeira, após uma troca de passes com Mbappé e Dembélé dentro da área.
Saka interrompe reação francesa
A pressão francesa terminou aos 87 minutos. Djed Spence ganhou a corrida de Malo Gusto e foi derrubado pelo lateral dentro da área. Saka cobrou o pênalti no canto inferior direito e marcou seu terceiro gol na partida.
O desempenho chamou ainda mais atenção porque Saka não havia disputado um único minuto da derrota inglesa para a Argentina. Tuchel afirmou depois do jogo que o atacante havia feito tudo corretamente, mas que escolheu Morgan Rogers para a semifinal por intuição.
O treinador declarou ainda que perdeu a conta dos autores dos gols e não percebeu durante a partida que Saka havia marcado três vezes. Segundo Tuchel, o confronto pareceu reunir quatro partidas em uma só, com um primeiro tempo caótico e uma etapa final turbulenta. Ele também afirmou que os jogadores estavam exaustos após as últimas semanas do torneio.
Nos acréscimos, Dembélé voltou a aproximar a França. Aos 96 minutos, o atacante bateu rasteiro no canto e fez o quarto gol francês.
Dois minutos depois, Bellingham recebeu em velocidade após uma retomada de bola inglesa, driblou o último defensor e bateu na saída de Maignan, fechando o placar em 6 a 4.
Após o jogo, Saka afirmou que a Inglaterra precisava manter a cabeça erguida. O atacante destacou que sempre haverá comentários sobre a seleção, tanto depois das derrotas quanto das vitórias, e que o mais importante era a maneira como a equipe reagia.
Números equilibrados, placar incomum
Apesar da diferença no placar durante grande parte da partida, as duas seleções terminaram o jogo com 18 finalizações. A França acertou nove chutes no gol, enquanto a Inglaterra acertou 10.
Os ingleses tiveram 55% da posse de bola, contra 45% dos franceses, e cobraram quatro escanteios, um a mais que os adversários. A França cometeu 13 faltas, diante de sete da Inglaterra. Cada seleção teve três impedimentos, e nenhum cartão foi aplicado.
A França começou com Maignan; Gusto, Konaté, Lacroix e Theo Hernández; Zaire-Emery, Rabiot e Cherki; Olise, Mbappé e Doué. A Inglaterra iniciou com Dean Henderson; Quansah, Konsa, Guéhi e Spence; Rice e Eze; Saka, Rogers e Rashford; Toney.
A Copa do Mundo termina neste domingo (19), às 16 horas, com a final entre Espanha e Argentina, no estádio de Nova Iorque/Nova Jérsei.





