Valéria Guerra

Jornalista (UMESP), historiadora, atriz com DRT-RJ, escritora, colunista do 247, PCO, e do meu site (https://guerraluz.prosaeverso.net/); mestre em Intervenção Psicológica no Desenvolvimento e na Educação; professora do Estado do RJ na cadeira de biologia, poetisa e ativista contra a desigualdade no Brasil e no mundo.

Coluna

A caixa de Pandora não foi fechada: as vergonhas estão à mostra

Afinal, o reformismo moderado não deu certo

“E na praia andavam muitos com seus arcos e setas e não lhes aproveitara.

Trouxe-os logo, já de noite, ao capitão,

onde foram recebidos com muito prazer

e festa.

A feição deles é serem pardos, maneira d’avermelhados, de bons rostos e bons

narizes, bem feitos. Andam nus, nem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma

cousa cobrir nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta

inocência como têm em mostrar o rosto.”

Paletó, gravata, penduricalhos e excelentes salários. Muitos envolvidos em corrupção, de todas as cores, e grande parte pertencente à tribo dos empresários ou dos grandes banqueiros. Não possuem nada para cobrir a grande vergonha que ostentam em sua efêmera existência nos planaltos ou em outras cúpulas de poder.

Os “Golden Boys do INSS” referem-se a um grupo de jovens empresários e intermediários acusados de estarem no centro de um grande esquema de fraudes e desvio de recursos da Previdência Social, investigado pela CPMI do INSS durante o ano de 2025 e o início de 2026.

Brasil. Ilha de Vera Cruz. Terra de Santa Cruz. Exploração do pau-brasil e morte do povo indígena que aqui vivia genuinamente. Contrato social entre o selvagem e o civilizado através da formação representativa de três poderes. Afinal: “nos deram espelhos e vimos um mundo doente”.

Lei do Sexagenário, Lei do Ventre Livre, Lei da aposentadoria de fome. Tudo para inglês ver. E até hoje estamos aqui, votando no menos ruim, em troca de bugigangas.

A esperança que está no fundo da Caixa de Pandora pode vir a ser o sofrimento prolongado que gera a hipocrisia, que faz o homem sofrer e esperar por dias melhores que nunca chegam.

A Caixa de Pandora é um mito grego que simboliza a origem dos males do mundo e refere-se a ações que, por curiosidade ou imprudência, desencadeiam consequências irreversíveis e destrutivas. Pandora, a primeira mulher criada por Zeus, abriu um jarro (ou caixa) que continha doenças, discórdias e infortúnios, restando no fundo apenas a esperança.

O panorama geopolítico deixa bem claro que a caixinha maldita de Pandora ainda não foi fechada:

“A França e o Canadá abriram consulados na capital da Groenlândia, Nuuk, hoje (06/02/2026), em uma forte demonstração de apoio aos groenlandeses e à Dinamarca, dona do território, em meio a crescentes tensões geopolíticas na região do Ártico.”

Racismo, truculência, opressão, desigualdade, ganância, Epstein. Todos saltaram da secular bolsinha — ou caixinha — da dona Pandora e estão por aí, envergonhando o mundo.

Até quando?

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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