Estivadores em todo o Mar Mediterrâneo realizaram uma greve coordenada massiva nesta sexta-feira (6), paralisando atividades em mais de 20 portos em protesto contra o genocídio de “Israel” contra os palestinos em Gaza e contra a privatização e militarização da infraestrutura portuária.
Dirigentes sindicais descreveram a ação como resultado de uma solidariedade de longa data dos trabalhadores portuários com a Palestina e de sua própria luta por condições dignas de trabalho em seus países. Antes da greve, navios que “transportam regularmente carga militar para Israel” alteraram seus itinerários.
As manifestações começaram em portos da Grécia, Turquia e País Basco, onde o sindicato Liman-İş Sendikası reuniu centenas de membros para entregar uma mensagem “contra o genocídio e em solidariedade à Palestina”. Na Grécia, os trabalhadores destacaram a contradição entre o substancial investimento europeu em rearmamento e as medidas de austeridade que cortam serviços públicos, o que, segundo eles, comprometeu as condições de segurança.
“Não aceitaremos trabalho sem direitos”, disse Damianos Voudigaris, do sindicato grego ENEDEP. “Desenvolvimento deveria significar voltar para casa vivo. Portos são locais de trabalho, não de guerra. São lugares de suor, não de sangue.”
A Itália registrou algumas das maiores mobilizações do dia, com greves coordenadas em mais de uma dúzia de portos envolvendo estivadores, funcionários portuários, estudantes e o público em geral. A Unione Sindacale di Base (USB) relatou assembleias exibindo bandeiras da Palestina e de Cuba em todos os portos em greve.
Representantes da USB argumentaram que o movimento trabalhista da Europa deve adotar uma orientação internacionalista para enfrentar a política de austeridade e de guerra da União Europeia e dos governos de direita, incluindo o da primeira-ministra Giorgia Meloni.
Em Trieste, os trabalhadores denunciaram a privatização, enquanto participantes em Bari e Ravenna afirmaram que a infraestrutura portuária estava sendo usada, “às vezes de forma oculta”, para transportar materiais militares e de uso dual para “Israel”.
Em Gênova, membros do coletivo CALP lideraram uma das maiores manifestações, declarando:
“Prometemos bloquear tudo – e bloqueamos tudo. Prometemos uma greve geral – e tivemos uma greve geral. Prometemos uma greve internacional – e aqui estamos.”
A Federação Sindical Mundial endossou a mobilização com uma declaração de solidariedade e adotou o banner oficial com a frase: “Estivadores não trabalham para a guerra”.
A greve massiva ocorreu um dia após a Flotilha Global Sumud anunciar uma nova missão de ajuda civil para Gaza, com partida prevista para 29 de março. O projeto delineia uma nova viagem marítima começando em Barcelona e passando por múltiplos portos do Mediterrâneo, juntamente com comboios terrestres paralelos em direção à passagem de Rafá.





