A Suprema Corte de “Israel” rejeitou o recurso para libertar o médico palestino Hussam Abu Safia, em Jerusalém ocupada, na terça-feira (16). O diretor do Hospital Kamal Adwan, em Gaza, está detido sem acusação formal desde o fim de 2024, após ter sido capturado por forças de “Israel”, e a decisão foi baseada em materiais confidenciais não apresentados à defesa.
Abu Safia é um dos médicos palestinos de Gaza mantidos por “Israel” sem acusação formal por mais de um ano. A defesa, assim como organizações não governamentais (ONGs) internacionais, denunciam que ele sofreu maus-tratos, negligência, privação de comida e confinamento solitário.
Naji Abbas, diretor do Departamento de Prisioneiros e Detidos da organização Médicos por Direitos Humanos em “Israel” (PHRI), afirmou que os documentos usados na decisão não foram compartilhados com Abu Safia nem com sua equipe jurídica. Para ele, a decisão permite que um profissional de saúde seja privado da liberdade por tempo indefinido, sem acusação e sem apresentação pública de provas.
A família do médico e advogados afirmaram que as autoridades de “Israel” negaram comida suficiente e submeteram Abu Safia à tortura. Nas últimas semanas, ele foi mantido em confinamento solitário. Em audiência virtual recente, o médico apareceu visivelmente desnutrido.
Ex-presos palestinos relataram agressões contra Abu Safia durante a detenção. Um deles afirmou ter visto interrogadores despirem o médico e soltarem cães contra seu corpo debilitado. Outro disse ter ouvido gritos do médico durante espancamentos praticados por guardas prisionais de “Israel”.
As autoridades de “Israel” alegam que Abu Safia teria ligação com o Hamas, mas não apresentaram acusação formal pública. O médico era uma das figuras da rede de saúde de Gaza que se recusaram a abandonar pacientes quando o Exército de “Israel” ordenou retirada de hospitais.
Abu Safia foi sequestrado em dezembro de 2024 durante invasão ao Hospital Kamal Adwan. Organizações de direitos humanos afirmam que a operação incluiu execuções de integrantes da equipe médica e civis deslocados abrigados no hospital.





