Brasília

Governo Lula realiza encontro com lobby genocida da censura

Encontro reuniu integrantes do Poder Executivo e da chamada "comunidade judaica"

Nesta quarta-feira (28), o governo Lula encontrou “setores da comunidade judaica” do Brasil para discutir “o combate ao antissemitismo” no País. De acordo com nota publicada pelo próprio governo, participaram do encontro “pesquisadores de universidades de cinco estados brasileiros, rabinos, representantes de instituições como o Museu do Holocausto de Curitiba e de movimentos sociais como o Judeus pela Democracia e a Casa do Povo, entre outros”. Representando o Poder Executivo, participaram o presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), e as ministras Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Macaé Evaristo (Direitos Humanos e da Cidadania), Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos) e Maria Laura (ministra substituta das Relações Exteriores), além da chefe da Assessoria Especial de Apoio ao Processo Decisório da Presidência da República, Clara Ant.

O encontro ocorreu na mesma semana do Dia Internacional de Lembrança do Holocausto e foi apresentado como um evento “inédito” pelo governo federal.

A atitude contrasta em absoluto com o tratamento dado pelo governo aos palestinos. Vítimas de uma guerra genocida que assassinou mais de 20 mil crianças em apenas dois anos, de acordo com institutos internacionais, os palestinos que buscam refúgio no Brasil enfrentam uma enorme barreira burocrática que o impede de ser acolhido pelo País. Chama a atenção que nem mesmo a Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), entidade apoiada pelo governo Lula, recebeu um encontro desta natureza.

Ainda que a nota não desse destaque, a principal organização “judaica” presente foi a Confederação Israelita do Brasil (Conib), um órgão responsável pelo monitoramento e perseguição de defensores da Palestina no Brasil. Entre os principais alvos da Conib, estão o Partido da Causa Operária (PCO), que ajudou a eleger o presidente Lula, e Breno Altman, figura de destaque do Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual o presidente é filiado.

O presidente da Conib, Claudio Lottenberg, esteve presente e ressaltou a “iniciativa” do governo:

“Eu acho que é uma iniciativa louvável. Nós temos que lutar contra todo e qualquer tipo de intolerância. O fato de convidar a comunidade que, neste momento, passa por um período sensível em termos de incremento da onda antissemita é algo extremamente importante.”

O mesmo Lottenberg, dias atrás, escreveu um artigo no qual comparava a Rússia, a Venezuela e o Irã à Alemanha Nazista. Isto é, trata-se de um notório provocador e um agente do imperialismo atuando livremente no Brasil, cujo governo, ligado ao movimento operário, deveria prezar pelas boas relações com os povos oprimidos, e não com os opressores.

Segundo a nota do governo federal, “a educação e a importância do trabalho no combate aos crimes de ódio estiveram no centro dos debates”. O tal “combate aos crimes de ódio” já é amplamente conhecido no mundo: trata-se de um pretexto para suprimir qualquer crítica à política criminosa e genocida do imperialismo.

Em nenhum momento se viu, por exemplo, autoridades israelenses serem censuradas na Internet por seu “ódio”, ainda que tenham sido responsáveis pela morte de milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, milhares de perfis e canais ligados à China, à Rússia e ao Irã foram desativados nos últimos anos.

A “comunidade judaica” é frequentemente usada como uma fantasia para um lobby israelense que atua em solo brasileiro — a Conib é o melhor exemplo disso. Fazendo jus a essa prática, o governo também convidou a presidente do Instituto Brasil-Israel, Ruth Goldberg, para o evento. Quando “Israel” ou os serviços de inteligência imperialistas estão envolvidos, a discussão sobre “antissemitismo” nunca é uma discussão sobre discriminação. Trata-se, na verdade, de uma arma de guerra para a repressão de todos os inimigos políticos e ideológicos do nazismo do século XXI, o sionismo.

Como se tudo não fosse suficientemente lamentável, a nota do governo federal encerra destacando que, em março de 2010, o presidente “Lula tornou-se o primeiro chefe de Estado brasileiro em exercício de seu mandato a visitar Israel”, orgulhando-se das boas relações com o Estado genocida.

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