Esquerda brasileira

Quando elas entram em cena, vem golpe por aí

Um dos objetivos da demagogia identitária é fazer o que autora de artigo no Poder 360 defende: usar elementos carreiristas extraídos de setores oprimidos, para enganar o povo

No artigo Quando elas entram no clima, publicado pelo portal direitista Poder 360, a autora e ex-secretária-Adjunta de Políticas para Mulheres, Direitos Humanos e Igualdade Racial do Distrito Federal Raíssa Rossiter (PSB) defende que a “participação de mulheres na COP30 promete elevar o debate e tornar a luta profundamente política”. Para defender sua tese, Rossiter destaca ninguém menos que a ministra do Meio Ambiente Marina Silva (REDE) e a ministra dos Povos Originários Sônia Guajajara (PSOL), duas notórias serviçais do imperialismo. Diz a secretária do DF:

“Parece-me que a COP30, sob a presidência brasileira, pode dar uma contribuição relevante para que a perspectiva de gênero, em suas interseccionalidades, seja uma dimensão indissociável da justiça climática (…) pela presença inédita de líderes femininas na COP30, a começar pela CEO da conferência, Ana Toni; pela ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, que liderará a Comissão Internacional Indígena e o Círculo dos Povos Indígenas (…) Além disso, a ministra Marina Silva, referência global no enfrentamento das emergências climáticas, é uma voz fundamental que reforça o protagonismo feminino nesta agenda.”

A ministra Sonia Guajajara talvez seja um dos exemplos mais eloquentes da inutilidade da demagogia identitária em relação à questão dos índios, no cumprimento de uma política que verdadeiramente os liberte dos ataques que vêm sofrendo do Estado brasileiro. Há quase três anos e meio do governo Lula, a ministra simplesmente não aparece.

Os conflitos com latifundiários no sul da Bahia, no Mato Grosso do Sul e também em outras regiões, como o Maranhão, estão se tornando cada vez mais radicalizados, e a ministra nada faz em defesa dos índios. Curiosamente, quando isso muda, é sempre envolvendo alguma política nociva para o desenvolvimento nacional, ou de aprofundamento da chantagem ambientalista contra o Brasil, ou alguma medida que dificulta o desenvolvimento brasileiro e amplia a opressão do imperialismo contra o País.

Essa é a verdadeira forma como ela se apresentou no governo ao longo desses três anos e meio. Apresentá-la, como faz Rossiter, como um exemplo da dimensão da perspectiva de gênero é especialmente útil para demonstrar não apenas a inutilidade disso para os interesses imediatos da população, mas também o que está por trás desse combate que a ex-secretária do Distrito Federal defende.

Marina Silva, por outro lado, teve o pendor, ou talvez o azar, de ser mais ativa no trabalho propriamente dito de sabotagem do Brasil. A ministra é uma contumaz inimiga do desenvolvimento brasileiro, não apenas nas posições defendidas em declarações, mas também na ação concreta, da qual o exemplo mais contundente é o veto que ela impôs à exploração de petróleo na margem equatorial, um golpe contra o País.

Ela deixou abertamente claro que é contra o desenvolvimento do Brasil, sendo uma serviçal do imperialismo dedicada a preservar as riquezas naturais brasileiras para os verdadeiros patrões: as potências estrangeiras e os monopólios internacionais. Com isso, ela se torna outro exemplo muito eloquente de que não existe nenhum enfrentamento de emergência climática liderado por ela. Tanto Marina Silva quanto Sonia Guajajara são, na realidade, instrumentos do ataque das potências imperialistas contra o gigante latino e isso é o que está se desenhando para ser feito na COP30 (a exemplo de edições anteriores da Conferência), que acontecerá no Brasil.

Desde pelo menos o governo Obama, tornou-se evidente que um dos objetivos da demagogia identitária também é fazer o que Rotisser faz no artigo: usar elementos carreiristas extraídos de setores verdadeiramente oprimidos, para, sob a proteção deles, realizar todo tipo de trabalho sujo que o imperialismo deseja sem as críticas que seriam desencadeadas se fossem outras pessoas fazendo o mesmo. Fosse um homem branco fazendo o que Marina Silva ou Sonia Guajajara fazem — ou, no caso de Sonia Guajajara, o que ela não faz —, certamente a pessoa seria alvo de muitas críticas.

Quando os golpes são feitos por mulheres negras, no caso de Marina Silva, e índias, no caso de Guajajara, levanta-se logo o escudo do identitarismo para protegê-las. O artigo de Rossiter busca elevar isso a uma nova potência, garantindo que esse golpe continue funcionando para disfarçar o que está sendo preparado para a COP30: uma política de ataque ao Brasil que mantenha o povo brasileiro na miséria, impeça o desenvolvimento da soberania brasileira e o País atrasado, submisso aos caprichos das potências imperialistas.

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