A CUT – Central Única dos Trabalhadores lançou, nesta quarta-feira (5), a “Plataforma da CUT para as Eleições 2026”. Esse documento traz reivindicações que a Central considera prioritárias para os trabalhadores. O documento, no entanto, contém diversas concessões ao identitarismo e à esquerda pequeno-burguesa.
O lançamento da plataforma foi feito durante plenária virtual e o documento foi produzido a partir de resoluções aprovadas.
Na apresentação, o documento faz uma consideração sobre o cenário mundial, “marcado pela generalização de guerras, em particular aquelas deflagradas pelo imperialismo estadunidense sob o governo de Donald Trump”. Cabe aqui ressaltar que os Estados Unidos são o principal país do imperialismo, e suas decisões foram seguidas pelos outros membros do bloco: Japão, Alemanha, França e Reino Unido.
Esses países já vinham apoiando a invasão do Iraque, a destruição da Síria, que começou no governo Obama, e a destruição da Líbia. Apoiaram o cerco a Taiuã promovido por Biden, que poderia ter deflagrado uma guerra. A mesma coisa com o cerco à Rússia utilizando a Ucrânia como bucha de canhão.
Tudo isso serve para ilustrar que Trump não é o único, nem o principal fomentador de guerras e, justiça seja feita, ele tentou encerrar a guerra no Leste Europeu.
“Ao dizer ‘Não à Guerra!’, a CUT se soma à resistência que se expressa em mobilizações de massa que ocorrem em países europeus e nos próprios EUA sob esse lema”, diz a CUT, e de fato há grandes mobilizações. A classe trabalhadora, que não está efetivamente nesses conflitos, é a única força capaz de barrar a tendência do imperialismo de arrastar o mundo para uma terceira guerra mundial.
O texto segue dizendo que “lamentavelmente, essa política de guerra do governo Trump encontra apoiadores em governos de direita de países vizinhos e no Brasil”, mas não só. Os ataques contra o Irã tiveram participação direta de países do bloco imperialista e mesmo da Austrália. De modo que não adianta acreditar que o fascismo é o principal inimigo da classe trabalhadora.
Pontos levantados
Como prioridades estratégicas, a CUT reivindica um novo padrão de regulação sindical; fim da escala 6×1; valorização real do salário-mínimo e das aposentadorias; direitos para trabalhadores e trabalhadoras por aplicativos; transição justa e requalificação profissional e tarifa zero no transporte coletivo.
Já no ponto chamado “Compromissos com a Democracia e o desenvolvimento”, a Central fala em isenção do IR até R$ 5.000,00 e redução até R$ 7.350,00; taxação de grandes fortunas; para então entrar na onda repressiva comandada pelo grande capital, o de “Enfrentar a epidemia das apostas virtuais (bets) e proteger a renda e a saúde da classe trabalhadora.” Quando a CUT diz defender “o combate rigoroso à exploração financeira promovida pelas plataformas de jogos, a proibição da publicidade predatória, a criação de mecanismos de bloqueio do uso de crédito e benefício social em apostas”, apenas responde a interesses de uma campanha televisiva e a briga pelo monopólio na transmissão do futebol.
No documento não se fala dos bancos, nem da criminosa dívida pública, que rouba os recursos do Estado e drena bilhões diariamente da economia, muito mais nocivo que qualquer casa de apostas.
Nesse sentido ainda, a CUT não pode deixar de criticar com veemência a política de juros altos, que tem impedido a reindustrialização do País, além de manter a maioria das famílias endividadas no crétido. Passa muito rapidamente pelo assunto no documento, sendo que muitos trabalhadores estão com anos de salários comprometidos com os juros consignados.
Da mesma maneira, no trecho que fala sobre “implantar uma segurança cidadã”, é preciso deixar claro que, mesmo que tente atenuar a violência do Estado propondo “substituir a violência armada por mais investimentos em inteligência e prevenção, com controle social das polícias, intensificando o combate ao feminicídio, ao genocídio da juventude negra e periférica e à violência institucional LGBTfóbica, com abordagem humanizada das pessoas com deficiência, evitando todo e qualquer tipo de violência política”, nada disso surtirá efeito, pois é preciso acabar com a polícia, uma entidade cuja função é esmagar os trabalhadores.
O investimento em inteligência e prevenção é uma porta de entrada para o aumento gradativo da repressão. Ao mesmo tempo, é preciso acabar com esses crimes baseados em “fobias”, que foram criados apenas, por pressão identitária, como agravantes para deixar os pobres ainda mais tempo na cadeia.
Acreditar em “abordagem humanitária” é perda de tempo. A polícia, mesmo a “mais humana”, está aí para garantir a dominação da burguesia e vai recrudescer sempre que for exigida. Basta ver o que faz a polícia “civilizada” de países como a Alemanha, dentre outros, contra apoiadores da causa palestina.
O clima
O documento da CUT também cai na conversa das “mudanças climáticas”, que é uma política do imperialismo que visa justamente desindustrializar paíse atrasados, o que só vai gerar mais desemprego e pobreza.
É preciso tomar cuidado com expressões como “fiscalização contra queimadas e desmatamentos, protegendo as águas e as florestas”, pois essa é a desculpa das ONGs e políticos financiados pelo capital estrangeiros que tentam impedir a exploração de petróleo e construção de hidrelétricas.
Quando a CUT diz que é preciso “garantir que a transição energética seja popular e que os recursos naturais (Petróleo, Gás, Água e Minérios) sirvam ao desenvolvimento nacional e não apenas ao lucro de acionistas”, deveria ir direto ao ponto e dizer que é necessário reestatizar esses setores estratégicos da economia.
A CUT, se quiser se fortalecer, precisa combater o identitarismo, que claramente está contaminando a Central. Essa ideologia de direita é impulsionada pelo grande capital com o intuito de infiltrar a esquerda para dividir e enfraquecer suas lutas.





