Palestina

Gaza: ‘Israel’ invade novamente norte e encontra Hamas mais forte

Hamas denuncia que "o governo norte-americano está tentando embelezar a sua cara feia e parecer civilizado, estabelecendo uma doca flutuante ao largo da costa da Cidade de Gaza"

Em 6 de maio de 2024, “Israel” resolveu invadir a cidade de Rafá, sul da Faixa de Gaza, fronteira com o Egito. Como parte da operação, o Estado sionista assumiu controle da passagem de fronteira da cidade e, paralelamente a isto, tropas das forças de ocupação e colonos sionistas fascistas vêm mantendo fechadas ou tornando inseguras todas as passagens para Gaza, impedindo a entrada de ajuda humanitária.

Segundo informações da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA, na sigla em inglês), mais de 650 mil palestinos já foram expulsos de Rafá desde que os sionistas intensificaram suas ações militares genocidas.

Por outro lado, a resistência palestina intensificou ainda mais a luta contra os invasores sionistas. Em Rafá, combates estão sendo travados especialmente no leste da cidade. Segundo informações da emissora Press TV, nessa quinta-feira (16), foram realizadas as seguintes operações:

Operações das Brigadas Al-Qassam

Emboscou uma força de engenharia militar israelense e detonou um dispositivo explosivo antipessoal em seu veículo na George Street, perto da mesquita Al-Tabaeen, a leste da cidade de Rafá, resultando em várias vítimas.

Alvejou e destruiu uma escavadeira militar D9 com um projétil Al-Yassin 105 no bairro de Al-Tanour, a leste da cidade de Rafá, no sul da Faixa de Gaza.

Alvejou uma reunião de forças israelenses nos eixos de avanço a leste da cidade de Rafá, no sul da Faixa de Gaza, com morteiros.

Operações das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa

Bombardeou um grupo de soldados israelenses e seus veículos militares nos bairros de Al-Salam, a leste de Rafá, no sul da Faixa de Gaza, com pesados ​​​​projéteis de morteiro.

Operações das Forças do Mártir Omar Al-Qasim

Atiraram contra um soldado israelense nas proximidades do cruzamento de Adnan Abu Taha, no bairro de Al-Jeneina, a leste da cidade de Rafá, no sul da Faixa de Gaza. 

Ao mesmo tempo, a guerra voltou ao norte de Gaza.

As forças israelenses de ocupação vêm, há seis dias, realizando bombardeios intensos contra a cidade de Jabalia. Apesar disto, nesta sexta-feira, os palestinos se reuniram para realizar suas preces, em demonstração de que a tentativa dos sionistas de quebrar o moral e o espírito dos palestinos não funcionará.

Há também tropas terrestres das forças de ocupação. Nessa sexta-feira (17), pelo um soldado sionista foi eliminado por um franco-atirador das Brigadas al-Qassam (Hamas), no leste da cidade:

Na quinta-feira (16), combatentes da Al-Qassam em Jabalia já tinham alvejado e destruído um porta-tropas militar israelense com um projétil Al-Yassin 105 na área do Bloco 2 do campo de refugiados de Jabalia; quatro escavadeiras militares D9 e um tanque Merkava com projéteis Al-Yassin 105 perto da cidade de Jabalia; atacado uma reunião de soldados israelenses a leste da cidade de Jabalia com explosivos; destruiu duas escavadeiras D9 com um projétil duplo e um dispositivo de ação de guerrilha; e mais.

Conforme noticiado pela emissora libanesa Al Mayadeen, a própria imprensa sionista confirmou a morte de três soldados sionistas neste dia 17, demonstrando que, assim como no período anterior, as forças israelenses de ocupação não conseguirão triunfar militarmente sobre a resistência palestina, quer seja invadindo Rafá, quer seja recomeçando os combates em Jabalia.

Enquanto os combates ocorrem, nessa sexta-feira (17), os Estados Unidos terminaram a construção de um porto temporário no litoral de Gaza para entregar ajuda humanitária. Segundo publicação na página do X do Comando Central dos EUA (CENTCOM), “hoje, aproximadamente às 9h00 (hora de Gaza), os caminhões que transportavam assistência humanitária começaram a desembarcar através de um cais temporário em Gaza”.

Em declaração publicada através do Escritório de Imprensa do Governo, o Hamas denunciou a farsa, enfatizando que nenhuma ajuda vinda desse porto será suficiente para substituir os bens de primeira necessidade que poderiam entrar na Faixa de Gaza através da passagem de Rafá e demais passagens de fronteira. Segundo a declaração, o porto não atenderá às necessidades dos palestinos e não acabará com a fome. Ainda, o Hamas denuncia que o porto é uma tentativa do governo dos EUA de mascarar seu apoio ao genocídio que “Israel” vem perpetrando contra os palestinos: 

“O governo norte-americano está tentando embelezar a sua cara feia e parecer civilizado, estabelecendo uma doca flutuante ao largo da costa da Cidade de Gaza, alegando que o seu objetivo é fornecer ajuda humanitária e alimentos ao nosso povo palestino na Faixa de Gaza, que está sujeito a políticas de fome, deslocamento forçado e genocídio levado a cabo pelo exército de ocupação ‘israelense’, com participação ativa, envolvimento total e apoio real do governo norte-americano. Desde o início desta guerra genocida, os EUA continuaram fornecendo à ocupação mais de 200.000 foguetes e bombas, algumas pesando 2.000 libras de explosivos, utilizados pela ocupação para aniquilar bairros residenciais inteiros. Isto resultou em mais de 35 mil mártires, mais de 79 mil feridos e 10 mil desaparecidos.

A doca flutuante não satisfaz as necessidades alimentares do nosso povo palestino. No meio da política de fazer passar fome 2,4 milhões de pessoas na Faixa de Gaza, incluindo 2 milhões de pessoas deslocadas que vivem de ajuda diária e necessitam de mais de 7 milhões de refeições diárias, o que irá fornecer não acabará com a fome nem cobrirá esta imensa necessidade do nosso povo na Faixa de Gaza. Em vez disso, dará à ocupação uma oportunidade de prolongar esta guerra que consumiu tudo.

Exigimos a abertura imediata e urgente das passagens terrestres e a entrada de diversas ajudas e combustíveis através delas. Expressamos também a nossa profunda surpresa com a introdução de soluções parciais e de retalhos, contornando soluções reais para a profunda crise humanitária na Faixa de Gaza que continua a afetar os civis com toda a dureza.”

Essa mesma crítica foi feita por todas as organizações humanitárias que atuam em Gaza, a exemplo da UNRWA e da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino. Ninguém acredita que o governo Biden e os EUA têm a intenção de ajudar os palestinos. 

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