A perseguição em relação ao que é russo adquire dimensões cada vez mais amplas. Este banimento está ocorrendo mesmo com prejuízo de quem o realiza. Uma comprovação de como o imperialismo é implacável e prejudicial a tudo ao seu redor.
Um exemplo claro é o que aconteceu com um tradicional clube alemão, o Schalke 04. Ele rompeu o patrocínio com a empresa de energia russa, Gazprom, em represália à entrada das tropas do seu país na Ucrânia. Um alinhamento ao posicionamento do imperialismo alemão.
A medida tomada no dia 28 de fevereiro terminou uma parceira de 15 anos entre as duas instituições. Já na quinta-feira da semana anterior a esta data, havia sido enunciado que o nome Gazprom seria retirado da camisa.
Além disso, foi aberto mão de uma renda de €$ 9 milhões de euros (R$ 52 milhões de reais) por ano até 2025. Ao mesmo tempo, o clube possui, atualmente, uma dívida aproximada de €$ 200,2 milhões de euros (R$ 1,157 bilhões de reais). Sem contar que se encontra na quarta posição na segunda divisão alemã, faltando nove rodadas para sua conclusão.
Os dois primeiros sobem direto para a primeira divisão e o terceiro precisa realizar um jogo classificatório com o 16° da primeira divisão.
O clube tem enfrentado uma grave crise que provocou o afastamento do seu dono, depois de 19 anos na presidência do clube. Clemens Tönnies é igualmente dono de uma rede de frigoríficos com o seu nome que abastece 20% do comércio de carne na Alemanha, alvo de várias denúncias em relação às péssimas condições de trabalho pioradas com a Covid-19 nas instalações do Tönnies Group.
Em 30 de junho, ele renunciou ao cargo de presidente do clube alemão, devido à denuncias e a um comentário considerado racista em relação aos africanos. Durante a sua presidência foram conquistadas duas Copas Intertoto da UEFA (2003 e 2004), uma Supercopa Alemã (2011), duas Copas da Alemanha (2002 e 2011). Foi este empresário que fechou o acordo com a Gazprom em 2006, sendo que na época apareceu junto ao Putin com os dois segurando uma camisa do time com o patrocínio russo.
Atualmente, o presidente do clube é Axel Hefer, que assumiu o cargo em 17 de julho de 2021. Três meses depois do rebaixamento do clube para a segunda divisão alemã. Mesmo com o rebaixamento, em 31 de março do ano passado, a Gazprom renovou o seu patrocínio com a possibilidade de aumentar para $ 30 milhões de euro (R$ 173 milhões de reais).
Mesmo com todo este aporte financeiro, a direção do clube decide romper com a empresa de energia russa. Mais uma das sabotagens por parte do imperialismo apoiado por uma imprensa que esconde a realidade da Ucrânia e estimula um ódio a tudo que é russo.
Contudo, o mais revelador é que a Alemanha não abriu mão do gás russo e igualmente não parou de realizar o pagamento do gás recebido, ou que significa o financiamento do esforço de guerra russo. Ou seja, é uma completa demagogia por parte da burguesia alemã que utiliza a guerra na Ucrânia como pretexto para atacar o esporte nacional, apagando a imagem de quem fornece o aquecimento das casas e a energia para as indústrias alemãs.
Logo, o papel da esquerda é denunciar estas farsas e esclarecer a hipocrisia destas medidas, defender a autodeterminação dos povos de Donestk, de Lugansk e da Criméia, bem como destacar o papel nefasto do imperialismo que tem usado o povo ucraniano como bucha de canhão visando atacar a soberania da Rússia.





