Máfia de Infantino

FIFA deu calote em seleção, roubou seu dinheiro e tentou comprar voto

Dirigente jordaniano denuncia cobrança de taxas nos EUA, premiação retida e tentativa de Infantino de trocar dinheiro por apoio

O presidente da Associação de Futebol da Jordânia, Ali bin Hussein, denunciou na terça-feira (4) um novo escândalo envolvendo Gianni Infantino. Segundo o dirigente, a FIFA passou meses se recusando a resolver problemas que prejudicavam financeiramente a federação jordaniana e, durante a Copa do Mundo, fez chegar a ele a informação de que apoiar Infantino poderia facilitar as coisas.

“Por meses, a FIFA tem se recusado a nos ajudar em qualquer um desses ou outros assuntos — até que me foi comunicado verbalmente durante a Copa do Mundo que, se eu apoiasse Infantino, isso iria um longo caminho para ajudar nossa FA. Nós nos orgulhamos na Jordânia de defender valores éticos. Não o apoiamos antes e certamente não o faremos agora. Mas toda a situação equivale a chantagem e nos recusamos a ceder a isso”, escreveu Ali bin Hussein.

A denúncia envolve três fatos graves: a federação teve de pagar taxas nos Estados Unidos por disputar a Copa do Mundo no país, ainda não recebeu a premiação da Copa Árabe realizada no Catar e, quando tentava solucionar essas questões junto à FIFA, recebeu uma proposta de caráter político.

Em outras palavras, depois de contribuir para estrangular financeiramente a federação jordaniana e não entregar recursos que lhe pertenciam, a FIFA teria usado justamente essa situação para tentar arrancar apoio para Infantino.

Jordânia teve de pagar para jogar a Copa

Um dos pontos denunciados por bin Hussein diz respeito a cobranças tributárias impostas nos Estados Unidos em razão da participação da seleção na Copa do Mundo.

A situação é escandalosa. A FIFA escolhe os Estados Unidos como sede, organiza ali sua principal competição e uma federação classificada para o torneio ainda precisa entregar dinheiro ao governo norte-americano simplesmente por estar disputando o Mundial.

O episódio não pode ser separado da relação cada vez mais promíscua entre Infantino e Donald Trump.

Durante a Copa, o próprio Trump revelou ter pedido a Infantino que interviesse no caso do cartão vermelho recebido por um jogador dos Estados Unidos. A expulsão acabou convertida em outra punição, permitindo que o atleta voltasse a jogar. O episódio deixou claro que o presidente norte-americano podia procurar diretamente o dirigente da FIFA para interferir em uma questão esportiva que beneficiava sua própria seleção.

Trump, por sua vez, já manifestou publicamente seu apoio a Infantino. A proximidade entre os dois chegou ao ponto de o presidente norte-americano aventar seu nome para uma função na ONU.

A Copa nos Estados Unidos, portanto, esteve longe de ser simplesmente um torneio realizado em território norte-americano. A política do governo americano entrou diretamente na competição.

A Jordânia sentiu isso também fora de campo. Vários de seus torcedores tiveram vistos negados e não puderam entrar nos Estados Unidos para acompanhar a seleção.

Outras delegações também sofreram com medidas semelhantes durante o Mundial. Jogadores, membros de comissões e até integrantes da arbitragem enfrentaram restrições para entrar no país. O DCO denunciou durante a competição que a política de vistos norte-americana estava sendo utilizada como instrumento de perseguição política dentro da própria Copa.

FIFA também não pagou o que devia

A federação jordaniana também denuncia que ainda espera pelo pagamento da premiação referente à Copa Árabe disputada no Catar.

Trata-se, na prática, de um calote.

A FIFA movimenta bilhões com seus campeonatos, direitos de transmissão, publicidade e contratos comerciais, mas não entregou a uma federação nacional um dinheiro que deveria ter sido pago pela participação em uma competição organizada sob sua estrutura.

Para uma associação com recursos limitados, reter uma premiação desse tipo cria dificuldades concretas de funcionamento.

Foi justamente em meio a essa situação que apareceu a proposta denunciada por bin Hussein.

A chantagem de Infantino

Segundo o dirigente, durante a Copa do Mundo lhe disseram verbalmente que apoiar Infantino ajudaria a resolver os problemas da Federação Jordaniana.

É difícil imaginar uma caracterização mais clara de compra de apoio.

A FIFA retém dinheiro, não soluciona as dificuldades provocadas pela disputa de uma competição organizada por ela própria e depois deixa entender que os recursos poderão aparecer caso o dirigente vote da maneira correta.

Não se trata apenas de uma disputa burocrática dentro de uma entidade esportiva. É um método mafioso: aproveitar-se da necessidade financeira de uma federação para submetê-la politicamente.

Ali bin Hussein recusou a proposta e declarou que, se já não apoiava Infantino antes, muito menos o faria depois do episódio.

A denúncia aparece justamente em meio à crise aberta dentro da FIFA. Infantino enfrenta resistência de federações e confederações depois do fracasso de sua proposta de vender uma participação na Copa do Mundo, aprofundando a disputa pelo controle da entidade e de suas receitas bilionárias.

Jordânia enfrentou a Argentina

Há ainda um aspecto que torna a denúncia especialmente importante.

A Jordânia foi adversária da Argentina na fase de grupos da Copa de 2026.

Durante todo o Mundial, este Diário denunciou uma quantidade extraordinária de decisões que favoreceram os argentinos. Houve expulsões, interferências do VAR, gols anulados e arbitragens tão escandalosas que provocaram protestos de torcedores, federações e dirigentes de diferentes países.

A Copa acabou se transformando em uma sucessão de denúncias contra a FIFA. A interferência de Trump no cartão vermelho de um jogador norte-americano foi apenas um dos casos mais descarados. O tratamento dado à Argentina, por sua vez, mostrou um favorecimento sistemático que se repetiu partida após partida.

O DCO denunciou que o esquema montado em torno da seleção argentina e de Lionel Messi era parte de interesses comerciais muito maiores dentro do futebol. Rui Costa Pimenta também destacou que Infantino está profundamente ligado aos Estados Unidos e às grandes empresas e que o privilégio concedido a Messi está inserido justamente nesse esquema.

Agora, uma federação que esteve diretamente envolvida naquela Copa denuncia que o presidente da FIFA tentou usar dinheiro para comprar seu apoio.

A denúncia de bin Hussein demonstra os métodos utilizados pela direção da entidade que controlava arbitragem, organização, recursos e praticamente todos os aspectos do torneio.

Não se está diante de uma administração esportiva normal, imparcial e submetida às próprias regras. O dirigente jordaniano descreve uma organização que segura dinheiro, abandona uma federação diante de dificuldades financeiras e depois procura aproveitar a situação para conquistar apoio político.

Infantino se comporta como um mafioso.

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