Censura, cancelamentos...

Às portas de uma ditadura total contra a liberdade de expressão

Imperialismo busca impedir que o mundo possa acessar informações vindas da Rússia

Censura

Em meio a uma situação de enorme intensificação da censura e repressão internacional contra as redes de comunicações russas, com o bloqueio no Youtube dos canais RT e Sputnik, entre outras medidas arbitrárias, para tentar impedir que o ponto de vista do governo russo e as informações e denúncias levantadas contra as ações imperialistas na Ucrânia sejam colocadas à disposição do público mundial, o WhatsApp resolveu suspender, na semana passada, contas de usuários ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), ao mesmo tempo em que eliminou grupos de comunicação criados para impulsionar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República em outubro próximo.

A imprensa russa foi banida do Youtube, com uma implacável perseguição a inúmeros canais daquele país que tinham alcance internacional, como RT, Sputnik, Redfish, Russia Beyond, Channel 1, NTV, TNT, Moscow 24, Spas, Ruptly, dentre outros. Trata-se de um aspecto da maior importância na verdadeira guerra que os poderosos monopólios imperialistas e seus governos, sob o comando dos Estados Unidos, levam adiante contra o país que resolveu não se curvar aos planos do grande capital mundial em crise, que são os de impor à Ucrânia, à Rússia e à toda a região do leste europeu uma política verdadeiramente colonial.

Ao longo das últimas décadas, os poderosos aparatos de propaganda do imperialismo intensificaram seu controle sobre a circulação de informações e usar esse controle para fazer campanha a favor da política criminosa do imperialismo contra os países pobres. Ocultaram os verdadeiros genocídios cometidos pelos EUA, OTAN e consorciados contra povos inteiros no Iraque, Afeganistão, Síria, Palestina, Iêmen etc. Apoiaram os golpes de Estado e os regimes golpistas em quase toda a América Latina, no Egito, na Ucrânia etc.

Esses poderosos aparatos de desinformação e manipulação do povo em favor de um punhado de grandes monopólios – que mantiveram silêncio total ao longo de oito anos diante da violência das milícias nazistas contra os ucranianos de origem étnica russa e contra a esquerda em geral, agora procuram se apresentar como “inquisidores” e árbitros mundiais do que pode ou não ser divulgado, do que são ou não “notícias verdadeiras”. Para tanto, estão censurando e promovendo o cancelamento das principais fontes de informações que se oponham aos ditames dos imperialistas e à sua versão oficial e única que, segundo eles, pode ser divulgada.

O que temos aqui são medidas ditatoriais de alcance mundial que evidenciam o aprofundamento da crise histórica do capitalismo, ante o avanço do caos econômico e, destacadamente, das importantes derrotas sofridas pelo imperialismo no último período, como na Síria e no Afeganistão, e que podem ser superadas pela espetacular derrota que está sendo imposta aos Estados Unidos e à OTAN, na Ucrânia.

Em meio à esse enorme retrocesso nas condições de dominação anterior, que a burguesia mundial já não consegue manter, a burguesia tem pela frente um enfrentamento no mais importante país, fora do bloco dos países capitalistas desenvolvidos, que é o Brasil. Tanto de um ponto de vista econômico, como do ponto de vista político, por sua posição de liderança em toda a América Latina e influência no cenário internacional.

Se o imperialismo não pode permitir que o governo Putin e todo o povo russo se levantem em armas e imponham uma colossal derrota à ofensiva do conjunto dos países imperialistas aliados do governo capacho e dos nazistas ucranianos, tão ou mais importante é impedir que o povo brasileiro se levante e imponha uma derrota ao regime político erguido com o golpe de Estado de 2016, edificado com a interferência direta do imperialismo norte-americano em nosso País.

Além dos primeiros ataques contra o PT no WhatsApp, a direta golpista faz uma campanha para bloquear o Telegram, sob o pretexto de combater as chamadas fake news e o “discurso de ódio” dos bolsonaristas, quando o que realmente quer é impor um regime amplo de censura e cancelamento que possa ser usado para atacar Lula, o PT e toda a esquerda.

Essa política ultrarreacionária da direita recebeu e continua recebendo um caloroso apoio da esquerda burguesa e pequeno-burguesa que fecha os olhos para o fato de que toda a vez que se faz uma campanha de censura e cancelamento contra setores da direita, isso é usado como base posterior para atacar a esquerda e a população em geral. Por isso, a maioria da esquerda silencia diante dos ataques contra os direitos democráticos de seja quem for e, quase sempre, apoia os ataques quando esses estão dirigidos contra adversários políticos, sejam da direita (como os bolsonaristas), sejam da esquerda, como José Dirceu, Genoíno, Delúbio Soares, Dilma e Lula, que fora perseguidos com apoio de boa parte da esquerda, na criminosa operação Lava Jato.

Nem mesmo quando é o alvo desses ataques, a esquerda busca – na maioria das vezes – se defender, mas sim se “fingir de morto” como se isso fosse deter a ofensiva da direita.

Essa política não deu certo antes e não pode dar certo hoje.

É preciso enterrar a política reacionária da esquerda de apoiar a censura e o cancelamento impostos pelos poderosos aparatos da burguesia e dos seus regimes.

Ao mesmo tempo, a esquerda tem a responsabilidade de denunciar e combater esse mecanismo de controle social da classe dominante, defendendo a mais ampla liberdade de expressão. E buscar mobilizar, pelos mais variados meios, pela quebra dos monopólios das comunicações e pelo fim da ditadura contra os trabalhadores e todos os povos oprimidos, estejam eles onde estiverem.

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