O futebol brasileiro viverá um momento importante em sua história neste 07 de março, com a realização da Assembleia Geral, cujo objetivo é definir os pesos dos votos na eleição da entidade, as cláusulas de exigências para lançamento de candidatura e a inclusão ou não dos clubes da Série B no colégio eleitoral da CBF.
Porém, o que poderia representar uma mudança real na maior entidade futebolística do país, já está maculada pela política que impera no futebol brasileiro, baseada na corrupção e que visa a manutenção da oligarquia reacionária que vem favorecendo, ainda mais, o domínio dos clubes pelos grandes capitalistas.
A Confederação Brasileira de Futebol – CBF agiu de maneira que parecesse sutil e desvinculada da Assembleia Geral, inicialmente prevista para janeiro de 2022, porém a vertiginosa multiplicação dos ganhos de seus cartolas, dirigentes votantes na referida reunião, que chegou a cerca de 975%, levantou consolidadas suspeitas.
O aumento do salário dos presidentes de federações estaduais chegou a saltar dez vezes mais, indo em alguns casos de R$ 20 mil, no início de 2021, para R$ 215 mil, no último mês do ano passado. Além desse escárnio com times e torcedores, os 27 presidentes de federações estaduais receberam os repasses da CBF, apelidados de “Mensalinho” pelos cartolas, o incremento de quase 20% nos valores enviados para cada entidade indo de R$ 85 mil para R$ 100 mil no segundo semestre de 2021.
Outro ponto de destaque está no fato de que as torneiras começaram a ser abertas, mesmo que gradualmente, a partir dos meses de junho e julho, quando o presidente afastado da confederação, Rogério Caboclo, foi denunciado por assédio sexual e tentou calar a secretária denunciante, comprando seu silêncio por R$ 8 milhões dos cofres da entidade.
Parece que o vale tudo para se manter no poder e sugar mais dinheiro não se restringe aos diretores da CBF, sua cartolagem, seguindo os passos corruptos e visando apenas o dinheiro, transformou, nos últimos tempos, as federações em verdadeiros covis de bandidos a serviço de interesses capitalistas completamente dissociados dos clubes e dos torcedores.
Ao provocar nos clubes de futebol dívidas exorbitantes, práticas de lavagem de dinheiro e desvio de dinheiro para enriquecimento pessoal, os dirigentes e o complô chefiado pelos cartolas e capitalistas ambiciosos por deter posse e controle de um poderoso meio de mobilização e entretenimento de massas, o futebol, foram guiando a falsa necessidade de entregar os clubes à empresários, criando o modelo de gestão SAF, cujas regras de governança e fiscalização ficam a cargo da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, ligada ao mercado financeiro.
Os marajás da CBF, indiferentes com a situação de quase falência e empobrecimento, agravada pela ausência de público durante a Pandemia, que assola grande parte dos clubes do futebol brasileiro; zombam dos times e torcedores ao demonstrarem a abundância de recursos usados para corromper a eleição que irá decidir a sucessão na CBF, ao comprar os presidentes das federações. O principal objetivo deles é manter seus projetos pessoais de poder por meio do controle da eleição e assim garantir o resultado favorável a eles.
Com tantos escândalos envolvendo as federações e a CBF, mesmo que utilizem como defesa o argumento de que “os repasses de recursos da CBF às Federações, por meio do Programa de Apoio às Federações (PAF), estão integralmente amparados na missão estatutária da entidade”, percebemos que as questões legais estão a mercê dos interesses financeiros e que tudo pode ser alterado conforme a verba for sendo liberada.
Para evitar que continuemos vendo o futebol brasileiro sendo sucumbido por denúncias de corrupção, assédio, manipulação e outros absurdos promovidos pela máfia de empresários que estão tomando de assalto os clubes de futebol, é cada vez mais necessário que esses times, as federações e a própria CBF estejam sob o controle dos torcedores. Que suas eleições e seus estatutos sejam discutidos e votados de maneira transparente, pela população que torce, compra a camisa e vai aos jogos de seus times.
A sobrevivência do futebol brasileiro depende da participação popular, mas vai sendo sufocada pela ganância do grande capital e pela manutenção de poder da oligarquia reacionária e corrupta que aí está.





