Entrega do patrimônio

Vasco pode ser privatizado por R$700 milhões

Diretoria do Clube chega a um acordo com um grupo norte-americano e pode ser mais um na lista dos times brasileiros entregues aos capitalis

Na última terça-feira (22), foi anunciado que mais um grande time brasileiro vai ser comprado por um grupo capitalista estrangeiro. Desta vez é o gigante da Colina. O presidente do Vasco, Jorge Salgado, informou um acordo de venda do futebol vascaíno por R$700 milhões de reais para investidores norte-americanos por 70 % das ações de uma empresa a ser criada assumindo todos os bens do departamento de futebol do clube. O que tem sido chamado Sociedade Anônima de Futebol nos termos da lei 14.193/2021.

A venda ainda não se concretizou, pois é preciso que o conselho deliberativo e a Assembleia de sócios do clube aprovem os termos do acordo. O prazo para a conclusão do acordo é de 90 dias.

O grupo de investimento 777 Partners já aceitou fazer um adiantamento inicial de R$70 milhões de reais como prova de interesse. Caso a transferência não se realize no prazo estipulado este valor vai se transformar um empréstimo que a diretoria espera que o conselho deliberativo aprove ainda nesta semana.

Segundo informações do jornalista Rodrigo Capelo no site GE das organizações Globo, o restante do valor divulgado será transferido da seguinte maneira: 120 milhões de reais na assinatura do contrato da compra, e nos próximos três anos os outros 510 milhões com a promessa de um montante maior em 2023 caso o Vasco consiga retornar a série A.

O Vasco necessita constituir uma empresa que vai assumir os ativos e direitos relativos ao futebol do clube. Foi informado que o Estádio de São Januário continuará ligado ao clube sendo alugado por 50 anos renováveis por mais 50 anos. Não foi dito de quanto seria o aluguel ainda que a nova empresa assumiria os custos de manutenção do estádio.

Cabe esclarecer quem são estes capitalistas que se interessaram em um dos clubes mais importantes do Brasil. 777 Parterns foi criado em 2015 com sede em Miami por dois sócios-fundadores, Steven Pasko, 73 anos e Josh Wander, 40 anos. É um grupo de investimento com 54 empresas listadas no site oficial. Estão agrupadas em cinco áreas de atuação: aviação, consumo e comércio, seguros, finanças de litígio e mídia e entretenimento. Neste último entram os dois clubes de futebol que o grupo tem ações.

Os dois clubes são: o Genoa na Itália onde foram adquiridos 99,9 % das ações do clube italiano em setembro de 2021 só que não deve impedir de ser rebaixado já que esta na 19ª posição, faltando 12 rodadas para o fim do campeonato; o outro é o Sevilla com uma posição acionária minoritária e se encontra em litígio com o presidente do clube.

Embora pouco divulgado já existem clubes empresas no Brasil. O Bragantino Red Bull, o Cuiabá, o Figueirense, o Botafogo do Ribeirão Preto, o Ituano entre outros. Os próximos podem ser América MG, Chapecoense, Athletico Paranaense, Juventude, Coritiba. Sem contar os que se encontram no processo de transferência do futebol que são o Cruzeiro e o Botafogo, inclusive o futuro dono se encontra no Rio de Janeiro para assinatura do contrato.

Dos atuais clubes-empresas ainda que dois tenham chegado à série A, Bragantino e Cuiabá. Dois outros estão na série C: o Figueirense se encontra em recuperação judicial e se transformou recentemente em uma sociedade de atividade futebolística para se salvar da provável falência; e o Botafogo-SP onde o clube-empresa tem sofrido grande oposição da sua torcida.
Muitos setores da imprensa tem festejado a venda do patrimônio futebolístico brasileiro, afirmando que é a solução para os problemas financeiros dos clubes nacionais. Contudo a comprovação da entrega do patrimônio se confirma quando se verifica os valores que os jovens jogadores são “vendidos” para o exterior.

Como exemplos duas das vinte maiores transações de jogadores brasileiros para o exterior. Em 2021, Gérson do Flamengo foi para o Olympique de Marselha por €$25 milhões de euros (em torno de R$ 143, 25 milhões de reais), Já no inicio deste ano Yuri Alberto do Internacional para o Zenit por €$25,8 milhões de euros (em torno de R$147,06 milhões de reais).

A privatização dos departamentos de futebol significa a entrega do patrimônio a estes capitalistas e provavelmente com a saída dos novos talentos cada vez mais cedo podendo até jogar pelas seleções dos outros países. O que poderia acabar com o melhor futebol do mundo através do enfraquecimento dos seus clubes e com os seus jogadores se submetendo ao modelo europeu de futebol.

Por incrível que possa parecer existe outro solução do que simplesmente a entrega do futebol aos capitalistas e sim passar seu controle para quem mais ama o futebol brasileiro, ou seja, as torcidas devem assumir a gestão do futebol, impedindo que cartolas gananciosos e capitalistas vampiros destruam os clubes que o povo ama.

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