O zagueiro Danilo Avelar, que também pode atuar como lateral-esquerdo, voltou a ganhar manchetes na imprensa esportiva após episódio classificado como de “injúria racial” em junho deste ano. Enquanto se recuperava de lesão, o jogador do Corinthians disputava partida de um jogo online quando em meio a uma discussão no chat escreveu para um adversário estrangeiro “fih duma rapariga preta”.
A partir daí começou a via crucis típica daqueles que são escolhidos como alvo das campanhas identitárias. Primeiro, o caso foi repercutido amplamente na imprensa burguesa e redes sociais, ao ponto de levar torcidas corintianas a pedir o desligamento do atleta por ser racista.
Muito rapidamente, o jogador foi excluído da escalação em jogo de futebol eletrônico e banido da plataforma que mantinha o jogo de “tiro em primeira pessoa”, onde havia ocorrido o entrevero. O Corinthians chegou a anunciar o desligamento do atleta, porém esbarrou no que ainda resta de lei esportiva: o atleta não podia ser demitido enquanto se recuperava de lesão.
Danilo cumpriu o roteiro quase que oficial de quem é capturado pelo radar identitário. Assumiu sua culpa, explicou o contexto, no caso que havia sido ofendido por ser brasileiro pelo adversário estrangeiro, reforçou que mesmo assim havia errado e obviamente não foi absolvido.
Recuperado de lesão, não foi relacionado em nenhum jogo durante o ano. Com contrato válido até o final de 2022, o jogador está muito próximo de integrar o Cruzeiro, que joga a Série B no ano que vem, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo e com muita pressão para retornar à primeira divisão do futebol nacional. Agora já repercute pressão nas redes sociais para que o Cruzeiro não contrate o jogador, que foi indicado pelo treinador da equipe.
O ditado em latim “errare humanum est”, em português “errar é humano”, não faz parte da cartilha identitária. Como método persecutório, o tribunal identitário estabelece valores morais absolutos e considera o ser humano algo estático, imóvel. Danilo Avelar é e sempre será um racista, simplesmente por ter feito uso de uma determinada expressão no meio de uma discussão. E não atuou mais pelo clube com o qual ainda tinha um ano e meio de contrato, mesmo o episódio tendo ocorrido fora do seu exercício profissional.
O jogador relatou em setembro que vem estudando sobre o assunto ao longo do ano, que fez um curso com “uma pesquisadora negra” e participou de atividades com a Central Única de Favelas. É uma versão mais atual dos ainda existentes confessionários das igrejas católicas. E como na religião católica, o pecador nunca deixará de ser um pecador, deve sempre se ajoelhar no confessionário.





