O Reino Unido anunciou o envio de um grupo de combate para a Ásia Oriental, em direção à China.
O secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, declarou nesta segunda-feira (26) que o envio do porta-aviões HMS Queen Elizabeth, o mais novo barco de guerra britânico com valor de três bilhões de euros, seria um fator “positivo” para a diplomacia e não visaria a provocar conflitos com os chineses.
“Quando nosso grupo de ataque de porta-aviões zarpar no próximo mês, estará hasteando a bandeira da Grã-Bretanha Global, projetando nossa influência, sinalizando nosso poder, interagindo com nossos amigos e reafirmando nosso compromisso em enfrentar os desafios de segurança de hoje e de amanhã”, declarou o secretário à imprensa.
O envio do porta-aviões e do grupo de combate, ainda segundo Ben, seria uma maneira de mostrar ao mundo que o Reino Unido“Desempenha um papel ativo na modelação do sistema internacional do século 21”.
O HMS Queen Elizabeth estará acompanhado de um grupo de ataque composto de seis barcos da Marinha Real, um submarino equipado com mísseis Tomahawk, quatorze helicópteros navais e uma companhia de fuzileiros navais. O próprio navio zarpará com oito caças stealth RAF F35B a bordo ao longo do período em que estiver visitando 40 países, inclusive Japão, Coreia do Sul, Índia e Singapura.
O Japão alega que realizará exercícios militares conjuntos com os britânicos. Em visita ao país, Joe Biden conversou sobre o desenvolvimento de armas nucleares com as autoridades japonesas. Por outro lado, os americanos fazem de tudo para impedir que o Irã consiga estruturar um programa de enriquecimento de urânio para fins pacíficos e se opõem abertamente a qualquer pretensão de produção de armas nucleares por parte do país persa.
As tensões no Mar do Sul da China se elevaram nos últimos tempos. Os britânicos, americanos e a União Europeia questionam a soberania da China sobre um conjunto de ilhas na região que estão em disputa com o Japão. Além disso, os Estados Unidos têm estreitado relações com Taiwan, o que é um fator de atrito com seu vizinho, que considera a ilha como uma província rebelde parte do território chinês. Conforme declarações da imprensa ligada à China, há possibilidade de guerra caso o governo de Taiwan declare independência.
As questões relativas a Hong Kong e as supostas violações de direitos humanos na província chinesa de Xinjiang são elementos de conflito entre a China e os países imperialistas. Estes últimos criticam duramente o governo chinês devido à sua política interna e externa. Por sua vez, os chineses rebatem e declaram que há uma campanha de propaganda internacional contra a China e tentativas de violação de sua soberania.
O imperialismo tenta se utilizar da pandemia do coronavírus e criar boatos de que os chineses criaram o vírus em laboratório e o difundiram propositadamente como parte de uma estratégia política de dominação global. Em diversas ocasiões, os chineses desmentiram esta tese, porém isso não foi capaz de fazer com que essa campanha tivesse fim.
Os britânicos estão realizando uma provocação contra a China. O envio do HMS Queen Elizabeth e do grupo de ataque é uma demonstração de força. A declaração do secretário de Defesa demonstra as pretensões de exercer um papel ativo na geopolítica mundial, ou melhor, intervir naquilo que os britânicos julgarem necessário e conforme seus interesses.
Desde que Joe Biden assumiu a presidência dos Estados Unidos, as provações e pressões aumentaram sobre a China, Irã e Rússia. A imprensa imperialista leva adiante uma agressiva campanha de propaganda contra a China, e levanta as questões de Hong Kong, Xinjiang, Mianmar e o coronavírus para assediar o País. Os Estados Unidos agem abertamente para boicotar e impedir a concorrência com as empresas de tecnologia chinesas, particularmente da Xiaomi e Huawei.
O ato de enviar um grupo de combate para a região fronteiriça com a China significa uma manobra militar muito perigosa por parte do Reino Unido. Trata-se de uma ameaça militar.
Um relatório das agências de inteligência dos Estados Unidos, publicado recentemente, elenca a China como uma das principais ameaças à segurança nacional. Isto explica o porquê do aumento da pressão imperialista contra o gigante asiático
O imperialismo “democrático”, liderado por Joe Biden, é mais agressivo e intervencionista do que a administração do ex-presidente Donald Trump. A retórica de tipo identitário e que se diz a favor dos direitos humanos é uma forma de mascarar os verdadeiros interesses da burguesia imperialista mundial e sua agressividade em relação aos países atrasados.
A crise do sistema imperialista implica em que eles tenham uma política mais agressiva em relação aos países atrasados, em especial àqueles cujos governos aplicam uma política de orientação nacionalista. O imperialismo mundial, que atua em coligação, não pode permitir que os países atrasados tenham uma política independente e procurem defender seu território e soberania.





