Se a fome é uma realidade para cada dia mais famílias brasileiras durante a pandemia, nas comunidades indígenas do Rio Grande do Sul a situação é ainda mais avassaladora. Diante do descaso completo do governo federal, o governador do estado, Eduardo Leite (PSDB), simplesmente lava as mãos para a situação calamitosa que ocorre no território pelo qual foi eleito para governar.
Lideranças indígenas denunciam que os governos federal, estadual e municipais vem empurrando a responsabilidade pela assistência no estado desde o início da pandemia. Os poucos recursos destinados à segurança alimentar das comunidades demoraram a chegar nas aldeias e vêm minguando ao longo do período, piorando significativamente a partir de novembro, e a situação é pior quanto mais retirada se encontra a comunidade.
As cestas, quando fornecidas, são compostas praticamente só de carboidratos, sem leite e nenhuma proteína animal, sem frutas ou verduras. Para completar o quadro do terror, o presidente ilegítimo e fascista Jair Bolsonaro estipulou no começo da epidemia no Brasil que apenas os territórios demarcados receberiam ajuda oficial do governo , o que exclui em torno de 60% da população indígena.
Em situação desesperadora, os indígenas das etnias Kaingang e Guarani estão sendo obrigados a correrem risco de vida nas ruas das cidades vendendo artesanatos. A situação que já é deplorável em tempos normais, é um verdadeiro cuspe na cara do povo brasileiro em tempos de pandemia. Crianças, mulheres e idosos nas calçadas praticamente em situação de mendicância, correndo risco de se contaminarem e levarem o vírus paras suas aldeias é o verdadeiro retrato do Brasil pós-golpe de 2016, onde a direita fascista e a dita civilizada e democrática, unidas, adotam a exata mesma política: massacrar a população de todas as formas possíveis.
Em março do ano passado, a Defensoria Pública da União entrou com ação civil pública cobrando do governo estadual e federal a execução de políticas de assistência nas comunidades indígenas do estado e a 9ª Vara Federal de Porto Alegre concedeu liminar obrigando os governos Bolsonaro e Leite a fornecerem alimento as comunidades. Como era de se esperar, tanto o governo federal como estadual entraram com recurso no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), feudo do lavajatismo, alegando que já estavam pondo em prática programas de assistência, e sem surpresa ganharam a causa.
Aqui vemos um claro exemplo de como as diversas faces do golpismo de 2016 atuam. Tucano e fascista se negam a prestar assistência mínima à parcela mais vulnerável da população, e a burocracia fascista do estado burguês acoberta a direita, empurrando as comunidades indígenas à fome e à morte.
Desde o início da Lava Jato o partido advertiu sobre os desmandos fascistas da dita justiça brasileira, da iminência do golpe de estado imperialista, e das consequências do golpe para a população, em especial os mais pobres. Hoje, porém, o momento é de reciclagem política de vigaristas profissionais da direita tradicional.
Recentemente foi elaborado um documento autointitulado “manifesto pela democracia”, um jogo de aparências demagógico e asqueroso onde direitistas dos mais variados espectros se pintam de grandes democratas contra o fascismo.
Embora seja óbvio que não se trata de nada além de autopromoção visando a eleição de 2022, boa parte da esquerda pequeno burguesa cai na conversa e acha positivo se aliar com esses elementos nefastos numa suposta luta contra o bolsonarismo. Assinam o documento justamente Eduardo Leite, João Doria, Ciro Gomes, Luciano Huck, Mandetta e João Amoêdo.
É preciso denunciar incansavelmente essa farsa e desmascarar os inimigos do povo. Os mesmos que deram o golpe de 2016, cada um cumprindo seu ridículo papel, agora querem aproveitar o desastre do governo Bolsonaro para se apresentarem como “científicos”, “moderados”, “civilizatórios” e “democratas”.
Nenhum desses merece um pingo de confiança da classe trabalhadora. São vigaristas profissionais, funcionários do imperialismo, assassinos do povo, cuja única tarefa é entregar o país para os interesses da burguesia internacional e brasileira. Não só Bolsonaro, mas toda direita é responsável pelo genocídio da população, inclusive da população indígena.





