Apartheid da saúde pública

Países atrasados são impedidos de acessarem vacina

Países atrasados sofrem genocidio enquanto vacinas são destinadas em grande escala para os países imperialistas.

A crise da vacinação brasileira se expande rapidamente. Segundo dados fornecidos pelo ministério da saúde, o Brasil fez a vacinação completa, ou seja, utilizando as duas doses, em apenas 3 milhões de habitantes. No total, são 15 milhões de habitantes, dos mais de 200 milhões, que receberam alguma dose da vacina.

O processo tende a ficar ainda pior quando, também de acordo com dados divulgados pelo ministério, o país perdeu, neste último período cerca de 1,16 milhões de doses no processo de distribuição interna do país. Causados por falhas no transporte, temperatura de armazenamento, condições indicadas de manutenção da vacina, o país perde ao menos 8% das vacinas fabricadas, o suficiente para vacinar por inteiro Cuiabá e Florianópolis juntas.

O problema é ainda maior

Toda esta situação, reflete a maneira com que o processo de vacinação é levado no país, sem uma política real, e em escala minoritária, permitindo que a população morra sem sequer ter a chance de se proteger. No entanto, toda esta farsa da vacinação, diretamente ligada a política genocida de Jair Bolsonaro e os governadores golpistas, não é nada perto do verdadeiro apartheid de saúde pública, protagonizado pelo imperialismo contra os países atrasados em todo o mundo.

De acordo com a própria imprensa burguesa, existe um déficit internacional de vacinas. Um dos países mais ricos do mundo, a Alemanha, vacinou apenas 8 milhões de pessoas, cerca de 3 vezes mais que o Brasil, um país muito mais atrasado e limitado economicamente.

Já na Inglaterra, o processo de vacinação é levado a frente com reduções drásticas das previsões de doses para toda a população. Boris Johnson, primeiro ministro inglês, admitiu que a vacinação irá reduzir no próximo mês, após intensa pressão da União Europeia, que busca conter a crise em todo continente.

Estes casos, assim com a falta de vacinas no Brasil, estão ligados diretamente a política imperialista, sobretudo dos Estados Unidos. Governado pelo “democrático” e “humanitário” Joe Biden, o principal país imperialista do mundo adotou uma política de liquidação geral da vacina nos países atrasados, na luta de interesses, os EUA disseram ao mundo: “O meu primeiro”. Criando um verdadeiro monopólio da vacina, os EUA buscam a todo custo solucionar o problema da pandemia, aumentando exponencialmente as mortes nos países atrasados.

Desespero do imperialismo

A falta de vacinas, tem relação a política de vacinação extensiva realizada pelo imperialismo norte-americano. O país, já vacinou até o momento mais de 100 milhões de pessoas, e pretende vacinar até o final de abril, 200 milhões em todo país.

Os números são exponencialmente maiores do que todos os países no mundo. Os Estados Unidos tem uma média de 2 milhões de doses distribuídas por dia, ou seja, uma semana de vacinação no principal país imperialista do mundo equivale a dois meses de vacinação no Brasil.

Esta política apenas ocorre devido ao desespero do imperialismo norte-americano diante da falida economia capitalista. A burguesia imperialista notou pela prática que a economia não teria condições de arcar com a economia, e passou assim a vacinar de maneira violenta toda a população para buscar, o mais rápido possível, evitar um colapso econômico generalizado.

Dessa maneira, falta vacina até mesmo nos principais países europeus. O imperialismo inglês, por exemplo, que adotou em menor escala politica semelhante aos Estados Unidos, já está buscando reabrir o comércio, contudo, o processo de vacinação no continente europeu ainda não saiu dos grupos prioritários, que correspondem 99% das mortes na maioria dos países. O desespero é para conseguir uma recuperação econômica sem que a pandemia esteja, realmente, sob controle.

Apartheid da saúde

Este cenário que já é desesperador para o imperialismo, é várias vezes mais catastrófico para os países atrasados. Exceto Rússia, China e Índia, que possuem vacinas próprias, o restante dos países pobres sequer tem vacinas para serem produzidas independentemente. Contudo, mesmos estes que hoje produzem, sofrem de grandes dificuldades na produção, devido a concorrência e a pressão genocida dos governos imperialistas que estão usam insumos de forma acelerada e desproporcional ao resto da população mundial e por uma preferência velada na vacinação dos países ricos.

O caso brasileiro é um exemplo importante deste apartheid. O país que é um dos mais fortes economicamente dentro do bloco dos países atrasados, sequer tem vacina própria; a ButantanVac foi anunciada com produção, caso aprovada, começando apenas em junho, hoje no Brasil estão morrendo mais de 3 mil pessoas por dia.

Graças a pressão do imperialismo que impulsionou um golpe de estado no país e liquida a economia nacional por meio da política neoliberal de entrega do país ao estrangeiro, a população brasileira fica totalmente na mão do imperialismo genocida, que com o governo Bolsonaro, não tem interesse algum de impulsionar a vacinação.

Resultados do golpe de Estado

O Brasil para conter a crise, a primeira vista, precisaria importar vacinas de algum lugar. No entanto a situação não é tão simples. Não há estoques das vacinas feitas nos EUA ou pela imperialista AstraZeneca. Nem China, Índia, Rússia ou Cuba têm vacinas para vender em quantidades suficientes, eles também enfrentam problemas de cadeias produtivas e capacidade de produção. As vacinas CoronaVac e a desenvolvida pela AstraZeneca dependem de insumos importados e também enfrentam o mesmo problema para a sua produção em solo nacional. A falta de vacinas imperialistas no entanto, tem outros motivos para ocorrer.

As vacinas imperialistas possuem preços regionalizados, os países ricos possuem muito mais recursos que os países pobres, assim pagam mais e naturalmente são preferência, veja promessa da Pfizer de entregar vacinas apenas no 2º semestre de 2021, quando a vacinação nos EUA estiver praticamente terminada. A disparidade é gigantesca em comparação com Brasil, que tem esperanças, não muito sólidas, de ver o terror da pandemia liquidada apenas no final de 2021 ou começo de 2022. A situação vexatória é ,mesmo assim, superior a situação de países mais pobres na própria América Latina.

No Brasil, o desenvolvimento da pandemia mostra com clareza a que veio servir a política golpista. O país possui plenas condições de ter uma vacina imprópria, mesmo em meio a toda a pressão do imperialismo. Contudo, por outro lado, o imperialismo necessita também ser denunciado, como um dos principais responsáveis pela política de genocídio em todo mundo. Além do Brasil, Peru, Paraguai, e muitos outros países sofreram de golpes de estado no último período, e hoje, são completamente esmagados na luta pela vacinação, revelando com expressividade, a crise geral do capitalismo.

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