Baixo Amazonas

Descaso: quilombolas relatam surto de “virose braba” no Pará

Helder Barbalho, inimigo do povo negro, deixa povo quilombola isolado de qualquer atendimento de saúde frente a pandemia

A total falta de assistência do governo de Helder Barbalho no Pará faz o Estado ter espantosos 5,5% de índice de mortos, frente ao total de contaminados por coronavírus. No Estado do Pará, são 80.072 casos confirmados, 4.469 óbitos, 390 exames em análise.

Não bastasse a total falta de assistência ao povo paraense, outro setor da população excluída que veem crescer de maneira assombrosa as mortes: os quilombolas. No entanto, a falta de assistência e o preconceito fazem parcelas importantes do povo sequer buscarem assistência e também negar que supostos mal estares tem relação com Covid.

Os sintomas característicos são tosse, febre, dor de cabeça, depois de alguns dias vem perda do olfato e paladar. “É virose”, arriscam algumas pessoas. “Virose braba da baixada da água”, dizem outras, referindo-se a um tipo de virose que pode aparecer quando as águas dos rios começam a baixar depois do período de cheias do inverno Amazônico.

No entanto estes sintomas não deixam dúvidas nos especialistas é o avanço do coronavírus nos quilombos do Baixo Amazonas.

Outro fato que denuncia a subnotificação do governo paraense é que sequer os dados das comunidades estão no computo geral de contaminados e mortos. Não há dados produzidos pelo governo sobre a contaminação do vírus entre quilombolas. O único mapeamento do avanço da doença é feito pelas próprias organizações de luta dos quilombos, como o mapeamento realizado pela Malungu, a Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará, em parceria com o Sacaca, o Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Sociedade Amazônica, Cultura e Ambiente da Universidade Federal do Oeste do Pará, identificou em todo o Pará 457 casos confirmados entre quilombolas com 29 óbitos. De acordo com a Conaq(Coordenação Nacional das Organizações Negras Rurais Quilombolas), o Pará é o estado que registrou o maior número de mortes quilombolas pelo vírus.

Segundo Raimundo Magno Nascimento da Malungu, a subnotificação dos casos é de ao menos 70%, considerando que apenas 30% das 600 comunidades quilombolas do Pará foram mapeadas. “O que conseguimos é um número mínimo, …Mesmo com os quilombos que temos contato, ainda não conseguimos levantar 100% dos casos, por causa do desconhecimento, preconceito, ou por acharem que o vírus é virose braba”.

A política de direita, de exclusão dos quilombolas, leva a um estado de isolamento dos povos quilombolas em meio a pandemia em razão do aumento do preconceito e do racismo contra o povo negro, segundo relatos, serviços de comércio e de transporte já foram negados por receio de contaminação. Estes fatos demonstram que o governo latifundiário de Helder Barbalho, quer exterminar os quilombolas e a pandemia, é um recurso para atacar a população negra dos quilombos.

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