Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, afirmou por meio de nota no dia 6 de junho, que seu ministério havia comprado 320 mil cestas básicas de alimentação, as quais já haviam sido distribuídas em comunidades indígenas do município de São Gabriel da Cachoeira (AM). A nota assinala que a ação permite “que os índios permaneçam confortáveis em suas aldeias nesse período de pandemia”. O problema é que, segundo os indígenas, nenhuma cesta chegou à população.
São Gabriel da Cachoeira (AM) é um dos municípios mais afetados pela pandemia, com uma população de 45 mil habitantes, dos quais 90% são indígenas, distribuídos num território 109.180 km², maior que Portugal.
Adão Henrique Baré, diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), que representa 23 nações indígenas distribuídas em 700 comunidades, espalhadas por 3 municípios, denuncia por meio de nota de repúdio, que o governo federal não distribuiu nenhum alimento no município, e cobra informações de Damares. “O único apoio que recebemos do governo federal até hoje foi entrega de medicamentos, itens de higiene e máscaras, mas tudo em quantidade muito menor do que precisamos. Continua faltando de tudo”, declarou Baré.
O presidente da Foirn fez duras críticas ao governo Bolsonaro, segundo ele muito moroso. Disse ainda que comunidades inteiras foram infectadas e que faltam testes, medicamentos, e profissionais de saúde nas comunidades. “Hoje, os indígenas são médicos de si próprios, e a medicina tradicional é o único tratamento que temos disponível em muitas localidades”, afirmou.
O Ministério Público do Amazonas emitiu ofício dando prazo de 72 horas para que o Ministério da Cidadania explique a declaração de Damares e quais as medidas já foram adotadas na região. Em nota, a assessoria de Damares informou que houve um erro na redação da declaração, divulgada pelo Ministério da Defesa e que as cestas seriam entregues em alguns dias.
Já é notório que o governo de extrema direita faz uso sistemático da mentira como ferramenta de distração, para causar confusão e para enganar os menos atentos, ávidos por qualquer argumento para expressar seu ódio. No entanto, o uso da mentira pela ministra Damares Alves ganhou uma dimensão folclórica dado sua “ingenuidade”. Será que a ministra desconsidera que as pessoas em São Gabriel da Cachoeira iriam tomar conhecimento da bravata e desmenti-la? Lembramos que Damares afirmava em suas pregações que tinha 3 mestrados (educação, direito constitucional e direito da família), mas sequer tinha currículo de pesquisadora na plataforma Lattes.
Pouco ou nada adianta desmentir o governo a cada mentira, como fazem com a melhor das intenções a chamada imprensa progressista. O desmentido custa esforço, sempre tem menor alcance e nem sempre desfaz o dano causado. É necessário derrubar o governo de direita através da luta do povo nas ruas, como manda a tradição histórica das lutas da esquerda. Sem isso, continuaremos correndo atrás da mentira como o cachorro que persegue em vão, o próprio rabo.





