O quinto mês do ano de 2020 apresentou um aumento de 53% em relação ao mesmo período do ano passado no que se refere ao número de pedidos do seguro-desemprego. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Economia, na terça-feira, 9 de junho. Foram no total, 960.258 novos pedidos de acesso ao benefício social. Em maio de 2019 o número de pedidos ficou entre 627.779.
Com quase um milhão de pedidos em maio, as solicitações em massa ao seguro-desemprego estão relacionadas diretamente com o agravamento da crise econômica provocado pela pandemia do novo coronavírus e a total paralisia governamental para a manutenção dos empregos.
Mesmo com a fortuna trilhonária doada aos capitalistas, numa tentativa pífia de impedir a catástrofe iminente, a burguesia desfez qualquer ilusão quanto ao seu interesse em promover uma união de classes, optando por segurar e especular com a riqueza destinada a preservar os empregos, o que levou as empresas a promoverem uma onda de demissões generalizada dos trabalhadores, fazendo com que explodissem as solicitações.
A tendência de aumento nos pedidos em relação ao ano passado já era visível em março, quando o número de pedidos foi de 1.944.125 (+26%), ante os 1.541.517 pedidos do mesmo seguro-desemprego em março de 2019. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro lideram em número de novas solicitações.
No coração do imperialismo, os EUA, nos últimos 90 dias, 42,6 milhões de pedidos de seguro-desemprego foram registrados, deflagrando uma hecatombe social à vista.
É preciso ter em conta ainda que estes números já assustadores referem-se apenas aos dados de empregos formais e não considera, por exemplo, uma ampla massa de trabalhadores excluídos de qualquer direito trabalhista. Neste universo, que engloba mais de 38 milhões de trabalhadores brasileiros, encontramos também a vasta maioria da força de trabalho pobre.
É o caso dos entregadores e motoristas de aplicativos, vendedores ambulantes, artistas, diaristas, pescadores e milhões de pessoas historicamente negligenciadas pelo regime capitalista e que constituem o segmento mais explorado economicamente e ameaçado pela crise, justamente pela absoluta falta de amparo pelo sistema regular de seguridade social.



