Começa a ser destampado o bueiro onde os patrões dos frigoríficos escondem suas sujeiras. Já não bastava os acidentes e doenças e acidentes, como cortes, lacerações, distúrbio osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), lesões por esforços repetitivos e vários outros acidentes, temperaturas que superam os 50 graus centígrados, sem que se tenha Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), etc. em todos os cantos do país estão aparecendo os inúmeros casos de trabalhadores infectados pelo coronavírus, inclusive com mortes, em determinados casos são mais de 50% do total de infectados da cidade.
São inúmeros os casos denunciados por várias partes do país, dentre esses estão os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, mas também, o estado de Mato Grosso do Sul, Acre, etc. há muito mais, porem, da mesma forma que aconteceu com o frigorífico JBS, em Passo Fundo, município do Rio Grande do Sul, onde o governador do estado, Eduardo Leite, do golpista PSDB, que procurou esconder de todas as formas o nome do frigorífico, quando anunciou o fato de que havia trabalhadores infectados e, o prefeito da cidade, Luciano Azevedo, do também golpista PSB que, somente após quase um mês do primeiro caso, no mesmo JBS/Friboi é que veio se manifestar, podemos afirmar, sem medo de errar que a pandemia do covid-19, nos frigoríficos já se tornou uma verdadeira tragédia.
É importante lembrar que os patrões, apesar acompanhar cada passo dos trabalhadores, como tinham a preocupação de fazer com que a produção de seus produtos fossem escoadas, ou mesmo, por estarem já vendidas para outros países que não o Brasil, simplesmente deixaram a situação se alastrar e, no frigorífico da JBS, que alias foi fechado por mais 15 dias a partir do último dia 7, tinha, só em Passo Fundo 62 trabalhadores infectados, conforme o MPT.
Genocidas
De acordo com o programa Globo Rural, do último domingo (10), “os frigoríficos do Rio Grande do Sul passam por aumento no número de funcionários diagnosticados com coronavírus. No último boletim divulgado, mais de 240 trabalhadores testaram positivo para a doença, 116 a mais que na semana anterior”.
“Até a última atualização da reportagem, um funcionário da empresa havia morrido de Covid-19. Ainda há uma estimativa de que 20 mil funcionários de frigoríficos foram expostos ao coronavírus em 10 cidades do estado”. Segundo a mesma reportagem, esses dados correspondem a 12 frigoríficos.
Pelo menos três frigoríficos foram interditados nas cidades do Rio Grande do Sul, tais como, Lageado, Garibaldi, Passo Fundo.
Outro Estado que procura de qualquer forma encobrir a tragédia nos frigoríficos é Santa Catarina e, um fator em comum referente a esses estados é de que, todos os governantes são de partidos golpistas que, inclusive apoiaram o fascista Bolsonaro nas eleições fraudadas de 2018 e que tem como colocar os trabalhadores no olho do furacão, liberando, a mando dos empresários, os trabalhadores, deixando-os vulneráveis ao coronavírus.
No caso de Santa Catarina, cujo governador Carlos Moisés do golpista PSL, do mesmo partido que do fascista Bolsonaro, os donos do grupo JBS/Friboi, de Passo Fundo são donos de frigoríficos localizados em Nova Veneza e Forquilhinha, onde os trabalhadores tiveram que paralisar as atividades por conta das condições de trabalho e devido à grande possibilidade do contágio do covid-19, por não haver condições devido à falta equipamentos de proteção e segurança, transportes lotados, etc., mas a “justiça” concedeu liminar para os assassinos dos trabalhadores continuarem com a produção, deixando todos expostos.
A situação é de extrema gravidade. Na cidade de “Concórdia, de 74,6 mil habitantes no Oeste catarinense, tem mais da metade dos contaminados pelo Covid-19 em trabalhadores de frigoríficos, segundo a prefeitura”. Há uma empresa do ramo no próprio município e outra na vizinha Ipumirim. De 176 casos confirmados em Concórdia, no Oeste do Estado, 94 são de pessoas que trabalham no setor. O Ministério Público do Trabalho (MPT-SC) investiga casos semelhantes em outras quatro cidades. (G1- SC – 08/05/2020)
Em um cinismo que lhes é peculiar, os donos de frigoríficos dizem que estão prestando todos os atendimentos, que prezam pela segurança de seus “colaboradores”. Nesta situação de caos, Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados (Sindcarne-SC) disseram que os frigoríficos adotaram protocolos rigorosos, sob orientação médica.
No município de Ipumirim, a unidade da indústria da carne tem 1,3 mil funcionários. O local registrou 44 casos da Covid-19, conforme dito pelo procurador do MPT e gerente nacional do Projeto de Adequação das Condições de Trabalho em Frigoríficos, Sandro Sardá, durante a reunião da Comissão de Saúde na Alesc na quarta.
Já em Nova Veneza, com população estimada de 15,1 mil habitantes, dois dos seis casos de coronavírus são de trabalhadores do frigorífico da cidade. Eles foram até a unidade básica de saúde da cidade em 14 de abril, fizeram exames e o resultado positivo chegou dois dias depois, informou o coordenador da Vigilância Epidemiológica municipal, Abel de Araújo.
No Mato Grosso do Sul, que detêm, entre outros estados, o título, por vários anos seguidos de primeiro lugar, como o maior causador de acidentes e doenças do trabalho relacionado aos frigoríficos e abatedouros. Lá, o MPT recebeu nove denúncias de irregularidades trabalhistas em dois frigoríficos. As acusações não são relativas ao frigorífico de Guia Lopes da Laguna, que suspendeu as atividades nesta quinta-feira (7), após seis funcionários testarem positivo para covid-19. (G1 – MS – 08/05/2020)
Em Rio Branco (AC) há, pelo menos, cinco casos confirmados da doença entre os funcionários na capital e uma denúncia aponta ainda que a empresa estaria sendo negligente com o trato às pessoas que testaram positivo para a doença.
Informações apontam que os funcionários, mesmo com sintomas, estariam sendo obrigados a trabalhar. Ao todo, cinco funcionários testaram positivo para a doença, mas, de acordo com a denúncia, a empresa não teria deixado funcionários que tiveram contato com os casos positivos em quarentena. (G1 – AC – 12/05/2020)
Segundo o MPT, há no Brasil, há investigações em 11 estados e em mais de 61 frigoríficos.
É preciso reagir
A situação é de calamidade pública, porem, o governo do fascista Bolsonaro servindo aos patrões, como pagamento pelo financiamento do golpe, colocou os frigoríficos como atividades essenciais, por isso, somente depois de praticamente dois meses é que começa a aparecer o tamanho da hecatombe provocada pelos donos desse setor industrial.
É hora de paralisar todas as atividades dos frigoríficos indistintamente, caso contrário haverá um enorme contingente de trabalhadores que vão morrer devido à atitude assassina dos patrões e seu governo em consequência do contágio do coronavírus.
Redução na jornada de trabalho sem redução nos salários
formação de conselhos operários para debater e tirar medidas para o período em que estamos vivendo, diante da crise da saúde que agrava ainda mais na pandemia do coronavírus.





