Há 15 dias o governo Bolsonaro, pressionado pela crise do coronavírus que estoura por todo mundo, aprovou a renda irrisória de 600,00 reais para cada família. Uma medida paliativa para a crise econômica que atinge em cheio a população. Dinheiro que de cada três pessoas cadastradas no aplicativo disponibilizado pela Caixa Econômica Federal não viram ainda nem a cor.
A quantidade de pessoas sem receber é enorme. Sendo vítimas da fome e do desemprego, que tiveram um aprofundamento exponencial durante a crise do coronavírus. Os dados oficiais demonstram que 16 milhões de pessoas ficaram sem o benefício, isto é, a mercê da fome. Sendo que são dados super conservadores, e com uma alta dose de falta de credibilidade, já que vem de um governo fraudulento, fascista e inimigo declarado do povo. Que agora vem colocando em marcha uma política genocida contra a população, onde quem não irá morrer de fome, morrerá de vírus.
O caráter limitado desse auxílio é proposital. A própria forma de recebê-lo é, para uma parcela da população, de caráter a deixar a parcela mais pobre na miséria total. Segundo números extremamente otimistas feitos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad C), em 2018 cerca de 35,3% da população não tem nenhum acesso a internet. Dados, por sua vez, também altamente desconfiáveis, levando em conta a pobreza gigantesca que assola o país.
Isto é, o próprio meio de acesso ao benefício é totalmente descolado da realidade da população pobre brasileira. Deixando, segundo o Pnad C (podemos facilmente alavancar esse número para mais…) 35,3% do total da população, a mais pobre, sem a esmola do governo.
Sem contar esse “detalhe”, tem a burocracia. A pessoa que se inscreve passa por uma checagem de dados para chegar se o cadastrado é “compatível com os critérios” para receber a esmola. Sendo esse critério estranho, nunca divulgado com transparência pelo governo. Na realidade, o primeiro lote ocorrido nessa semana pareceu mais um sorteio sem sentido do que uma “análise”, mesmo que burocrática. Sendo que não há data prevista para o outro sorteio.
A conclusão é óbvia: as pessoas que menos precisam estão recebendo em detrimento das que mais precisam, inclusive uma parcela da classe média que correu para o aplicativo para recebê-lo não como algo emergencial, mas como um complemento da sua própria renda. É um aplicativo para uma parcela da classe trabalhadora, que assiste todos os dias o monótono “em análise” enquanto seus estômagos roncam, enquanto a classe média, incluindo o setor bolsonarista, pressionada pela crise já o recebe. E, sem contar, aqueles que já estão morrendo de fome que nem sabem do auxílio, ou os que sabem mas não tem nenhum meio de recebê-lo.
Fica evidente de que a medida do governo foi não no sentido de tirar o povo da fome certeira, que assola o país, mas uma medida de postergar uma revolta explosiva das massas populares. Que, sem dúvidas, vai acabar acontecendo e vai colocar o governo fascista em cheque.



