Por Antônio Carlos Silva
O Brasil fez 296 testes a cada milhão de habitantes, enquanto o Irã, o segundo com menos testes dentre os mais afetados, faz 2.755 por milhão, quase 10 vezes mais. Na liderança desse ranking está a Alemanha, um dos países com menor taxa de mortalidade, que testou 15.730 por milhão.
É evidente que essa que é uma das principais armas de combate à pandemia, foi simplesmente descartada por todos os governantes do País, independentemente da encenação que realizam em torno da defesa de uma maior ou menor isolamento.
Nas redes sociais circulam as fotos de ricos e famosos que fizeram o teste. O mesmo se dá com integrantes das cúpulas do Executivo, Legislativo e Judiciário.
No entanto, enquanto os setores mais abastados da população tem livre acesso aos testes, a grande maioria do povo brasileiro, pobre e trabalhador, é mandado embora dos postos hospitais sem sequer terem o direito de saber se estão contaminados ou não. O “cidadão comum” só é testado quando internado – em geral, já em estado avançado da doença – e, em dezena de milhares de casos (mais de 30 mil, só em SP), os resultados não são conhecidos.
A ausência dessa medida elementar e necessária, não apenas para informar a população dos números corretos da doença no país, mas também para tomar medidas efetivas de tratamento e de isolamento das pessoas doentes para que não espalhem a doença aos demais, evidencia que não qualquer “guerra” contra o coronavírus da parte desses governantes, como – cinicamente – anuncia a imprensa golpista.
O problema não é só a falta de testes no mercado, já que para isso bastaria que o governo assumisse o controle de setores da indústria e os obrigasse a produzir testes, além de outros produtos e equipamentos, necessários ao atendimento à população.
Trata-se de uma política consciente. O governo estabeleceu que a população não deve ser testada, para que a realidade sobre a contaminação de milhões não seja conhecida, para que isso não fazer explodir a enorme revolta popular contra os responsáveis por esse verdadeiro genocídio da população.
Junto com a ausência de testes há a omissão (“subnotificação”) dos caos que especialistas estimam que podem ser dezenas de vezes maior do que o divulgados pelos governos criminosos.
Sem testes em massa, resta aos genocidas fazer campanha da única medida por eles adotada diante da pandemia, que é a do isolamento parcial, uma vez que o “fique em casa” só é plenamente possível para a burguesia e para alguns setores da pequena burguesia.
Para piorar a situação, o Brasil não vive somente a epidemia de coronavírus. Há casos de dengue, chikungunya, zika vírus, pneumonia, H1N1 e outros tipos de gripe. A falta de testes e de atendimento médico faz com que o povo brasileiro morra sem nem mesmo ter a possibilidade de saber a doença que causou sua morte antes de partir.
Essa situação empurra o País para um genocídio, de centenas de milhares de pessoas.
Para evitá-lo, é preciso se opor e lutar contra a política de todos os governos da direita e não apoiá-los como fazem setores da esquerda.
Não se deve dar nenhuma confiança aos governos estaduais, municipais e ao governo federal. A classe trabalhadora só tem uma saída, que é a sua organização e mobilização para superar a crise.
É preciso mobilizar as organizações existentes da classe trabalhadora e demais setores explorados e aquelas que sejam criadas na crise atual, como os Conselhos Populares e outras, para exigir e arrancar – por meio da luta – dos governos a realização de testes massivos e outras medidas efetivas de defesa da vida da população, tais como: o aumento imediato das verbas para a saúde, intervenção nas indústrias para garantir instalações e equipamentos necessários para o atendimento de toda a população; licença remunerada (salário integral) para todos os afetados pela crise; contratação imediata de todo o pessoal da saúde necessário para enfrentar a crise, aumento dos salários dos servidores da saúde; estatização de todo o sistema de saúde, dos laboratórios e da indústria farmacêutica; garantia no emprego de todos os trabalhadores, cancelamento de todas as demissões realizadas desde 1/3/20; salário-desemprego igual aos salários da ativa etc.




