Lideranças da luta pela terra se pronunciaram após o recente declaração do presidente ilegítimo Bolsonaro. Os discursos do João Pedro Stédile, membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Sonia Guajajara, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e Biko Rodrigues, coordenador nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), demonstraram uma evolução política na luta contra o golpe, que é a luta pelo Fora Bolsonaro.
No entanto, no caso do Stédile, por exemplo, demonstra-se a falta de clareza da luta de classes em relação a política do confinamento e da frente ampla. A primeira é de que ao defender o isolamento, pelo fato do Bolsonaro subestimar a pandemia, pedindo para que tudo volte ao normal, desconsidera a condição de milhões de trabalhadores em todo o país, que precisam continuar a trabalhar, sujeitos a uma condição mais insalubre dada a pandemia. Acrescenta-se também de que não compreende que a política de quarentena é uma medida precária e que não aborda a necessidade de uma posição política pela luta de maior investimento para a saúde pública. Em relação à frente ampla, Stédile chega a comentar ‘de superar as diferenças ideológicas para, antes de mais nada, preservar vidas’, negligenciando o processo do golpe de 2016, que vem desde então a massacrar a vida de toda a população, com desmonte da saúde pública através de cortes de verbas.
Por fim, elogiou Henrique Meirelles, atual secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo, por defender a garantia de renda para toda a população, sendo uma política totalmente de dar migalhas, devido o roubo da dívida pública.
Já Sonia Guajajara, ressalta ser um dever moral pedir o Fora Bolsonaro. Ou seja, não seria essencialmente um problema político, logo coletivo, mas sim da moralidade, que fica no campo pessoal. Isso fica evidente nos seus pronunciamentos pelo twitter, onde não apresenta propostas políticas em como tirá-lo do poder, fica apenas no desejo pessoal de tirá-lo do poder.
No discurso, Biko Rodrigues ressalta que Bolsonaro não tem preparo para governar o país, que tem diversidade étnica e social muito grande e defende que ele saia do poder, seja pelo impedimento ou por renúncia. Aqui percebe-se também de que não há um programa para derrotar o governo fraudulento, somente um apelo institucional pelo impedimento ou renúncia.
Por fim, é importante avaliar que essas declarações, embora apresentem elementos confusos da esquerda pequeno-burguesa, retratam o acirramento da luta contra o golpe, por estarem abertamente pedindo o Fora Bolsonaro. Além disso, o acerto político do PCO que, antes mesmo do Bolsonaro chegar ao poder, começou com a sua campanha massiva pelo Fora Bolsonaro.
Neste sentido, o partido está trabalhando pelo Fora Bolsonaro através dos Comitês de Luta, realizando mutirões nos bairros populares, entregando materiais da campanha, como o Jornal dos Comitês, adesivos e panfletos para mobilizar as massas no combate às ruas contra esse governo fraudulento. Um exemplo muito notório dessa luta foi a realização do Conselho Popular do Bairro de Ribeirão Fresco, em Blumenau, Santa Catarina, em que consiste, resumidamente, de levantar dados do bairro para criar um programa de necessidades dessa região com a finalidade da luta contra a crise de saúde trazida pelo coronavírus e aprofundada pelo governo Bolsonaro.





